O crítico literário Antonine Albalat viveu na segunda metade do século XIX e meditou especialmente sobre a gênese literária. Como os grandes autores produziram suas obras? A Arte de Escrever, publicada em 1899, reune 20 preciosas lições sobre como um autor deve trabalhar seus escritos para ter como resultado trabalhos melhores e, principalmente, que perdurem no tempo. Uma das intuições de Albalat é que sem uma forma literária adequada, as idéias não permanecem no tempo pois elas deixam de ser lidas. Se, no entanto, como demonstra Homero, Platão e Santo Agostinho, a idéia é construída com rigor literário, ela se torna objeto de estudo tanto por seu conteúdo quanto pela beleza de sua exposição. Assim, a forma e idéia se combinam, demonstrando que a idéia de Aristóteles que o belo, o bom e o verdadeiro caminham juntos não é apenas uma expressão.
Esqueça o manual de redação da Folha e publicações semelhantes; só servem para fazer prova de redação e facilitar a correção dos professores que passam a ter uma forma definida para não precisar pensar. Escrever bem é outra coisa absolutamente diferente. Ao invés de frases curtas, regrinhas rígidas, pensamento fragmentado, o bom texto é a reunião de originalidade, concisão e harmonia. Albalat chama atenção que um bom texto é fruto de muito trabalho e que na verdade, a arte de escrever é a arte de reescrever. Quantas vezes for necessário até se obter a frase perfeita, aquela que não pode ser melhorada. Não é de se espantar que em uma época que se falta tempo para tudo os textos sejam tão ruins e a literatura esteja em profunda decadência.