Seis meses de vida é tudo o que resta a Pedro para viver. A sua vida foi subitamente interrompida por um diagnóstico - uma sentença de morte: seis meses. O que pode, o que precisa de fazer nesses últimos dias? Não fará nada, senão cancelar as férias e organizar um jantar muito especial. Convidará quatro mulheres que são quatro percursos da sua caminhada sentimental. E o que pretende ao juntá-las? O perdão? A punição ritual da inconstância, do egoísmo, da insinceridade? Ou é apenas um reflexo, um impulso, o derradeiro gesto do náufrago que se agarra ao que está mais próximo? Durante esse tempo que o separa da morte, Pedro mantém um diálogo com Mia, Alice, Rita, e Carmen, enquanto se conta toda a história com quatro histórias lá dentro: de solidão, de frustração, de amor em estado bruto.
Paulo Ferreira é licenciado em Relações Internacionais e fez uma Pós-Graduação em Edição, trabalhando no meio dos livros. Antes foi publicitário. Em 2006, fundou a Booktailors, assumindo assim as funções de consultor para as disciplinas de marketing e de comunicação editorial. Assumiu a direção-geral da Booktailors em agosto de 2011. Publicou um livro, contos, artigos vários. É colunista da revista LER. Participa regularmente em colóquios e seminários dedicados à edição de livros. É docente na área do marketing do livro e especialista convidado da Universidade de Aveiro, no mestrado em Estudos Editoriais. É diretor da revista B:Mag.
Não tinha expectativas nenhumas em relação a este autor. No entanto, como sou um curioso pelos novos escritores portugueses, gosto sempre de lhes dar uma oportunidade de me surpreenderem. Pessoalmente, não gostei especialmente da história, a qual não me pareceu escrita de uma forma fácil de perceber. A narrativa, apesar de se desenvolver sem grandes sobressaltos, não é propriamente fluida, chegando até mesmo a ser confusa, nomeadamente no que diz respeito à sequência temporal do que nos é contado. Gostei da alternância entre a narração e os diálogos entre as quatro personagens durante o jantar organizado por Pedro. Quem sabe se o livro até não me conquistaria mais se a história fosse toda transposta até nós em diálogo?! E quem sabe se até não daria um bom ponto de partida para um argumento de um filme?! Também achei interessante que diversas músicas vão sendo referidas ao longo do livro todo e acompanhem a história e o estado de espírito das personagens. Mas ainda aqui há um reparo que não posso deixar de fazer: porquê só referir músicas anglo-saxónicas ? Deixa-me triste que o autor não tenha conseguido arranjar músicas em português (já nem peço "músicas portuguesas") que expressassem o que ele desejava. Mas pronto, é cool mostrar que se conhece música anglo-saxónica dos anos 80 até aos dias de hoje, que foge (?) ao mainstream musical, citanto The National, Kings of Convenience, Two Door Cinema Club e outros que tais. Enfim, não vi grandes rasgos de genialidade nas 148 páginas de prosa deste novo autor português... (lido em 2011)