Vagabundos de nós é a história de um jovem e da sua mãe, confrontados com a homossexualidade do rapaz. Diogo, o filho, e Luísa, a mãe, introduzem-nos no seu mundo muito próprio através de uma permuta de confidências para a qual o leitor é solicitado.
Diogo nasce. Diogo cresce. Luísa observa-o em permanente sobressalto porque Diogo é diferente nas atitudes, nos gostos, na sensibilidade e nas amizades que procura. Diogo não pertence a nenhum lugar, sente-se perdido, não se identifica.
Luísa apercebe-se do sofrimento e dos permanentes conflitos íntimos do filho, mas tem relutância em admitir aquilo que sabe e que sempre soube. O seu instinto de protecção leva-a a construir com o filho um mundo a dois, isolado do restante núcleo familiar, um mundo que ambos partilham e percorrem numa autêntica via dolorosa. No diálogo franco e livre que sempre mantiveram, só tardiamente as palavras cruamente descodificadoras de tanta amargura aconteceram: Mãe, sou homossexual.
Diogo, que fazer quando nos sentimos diferentes? Luísa, como gerir a tua frustração, a dor infinita que te consome ao tomares consciência de que este filho tão amado nunca te dará os netos que adorarias ter, e que cultural e socialmente sabes representarem o paradigma da continuidade da família? Será suficiente a tua quase inesgotável capacidade de compreensão, de paciência e de amor?
Este livro foi adaptado a uma peça de teatro que esteve em cena, no Teatro Maria Matos, de 17 de Março de 2004 a 18 de Abril de Abril de 2004, sendo vista por cerca de 6000 pessoas. Os actores da peça foram a Márcia Breia e o Nuno Lopes. A encenação foi de Luís Osório.
O livro foi também publicado no Brasil pela Editora Gente com o título Eu sempre vou te amar.
Daniel Sampaio nasceu em Lisboa em 1946. Viveu em Sintra até aos 15 anos, passando a viver em Lisboa após esta data. Em 1970 casou com Maria José Cabeçadas Ataíde Ferreira. É pai de três filhos, e avô de sete netos. É também irmão do ex-Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. Tem como hobbies ouvir música clássica, ler ficção, ver futebol e brincar com gatos.
Em 1970 formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, obtendo o doutoramento na especialidade de Psiquiatria em 1986. Em 1997 realizou Provas de Agregação na Faculdade de Medicina de Lisboa e desde 2008 é, por concurso, Professor Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental da mesma Faculdade.
É o coordenador do Núcleo de Estudos do Suicídio do Hospital de Santa Maria. Foi um dos introdutores, em Portugal, da Terapia Familiar, a partir da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (fundada em 1979). Tem-se dedicado ao estudo dos problemas dos jovens e das suas famílias, através de trabalhos de investigação na área da Psiquiatria e da Adolescência. Tem organizado, no Hospital de Santa Maria, o atendimento de jovens com Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa.
Na Rádio Renascença, teve um programa denominado Sociedade do Conhecimento, em que também participaram Luís Osório e Paulo Sérgio. De 2008 a 2010, colaborou com o Rádio Clube Português com a rubrica "Visto Daqui". É ainda colaborador da revista dominical "Pública", do jornal Público.
Livro de fácil leitura que nos mostra duas perspetivas. Da mãe que quer o filho só para ela e que se preocupa com o futuro cruel do filho. Do filho que desamparado, tenta encaixar numa sociedade que não o compreende.
O discurso da mãe chega a ser doentio mas acredito que nessa altura seriam os estigmas das sociedade.
Em "Vagabundos de Nós" a narrativa centra-se em Diogo, que desde jovem se percebe como "diferente” nas suas atitudes, gostos, sensibilidade e nas amizades que procura. A obra aborda os temas da aceitação, família, identidade sexual e sofrimento. Este livro dá voz à temática da homossexualidade e o impacto desta em dinâmicas familiares tradicionais. A forma de escrever do autor, misturando os dois pontos de vista, da mãe e do filho, permite ao leitor entrar tanto no mundo interior de ambos, oferecendo uma visão dupla da experiência de diferença e da aceitação no momento da "saída do armário".