Com tantas linhas narrativas pendentes dos dois volumes anteriores desta trilogia, este terceiro livro tem a tarefa difícil de levar tudo a bom porto. Zahn faz isso utilizando múltiplos pontos de vista, correspondentes aos diversos fios narrativos entretecidos na história, e um ritmo narrativo diabólico. Sabemos como a história irá acabar, mas o caminho para lá chegar é tortuoso e empolgante. Pelo meio, o autor faz um belíssimo fan service e regala-nos com uma batalha espacial, daquelas que só a mais divertida space opera nos dá.
O final é previsível. Sabemos que a humanidade e a espécie alienígena dos Zirrh se irá entender e alcançar uma paz equilibrada. É uma conclusão que já vem do segundo volume da trilogia. O problema, é o como chegar à paz. Os humanos têm de lidar com o seu medo de agressão. Os Zirrh de perceber que o consideraram ataque não passou de um mal entendido, uma vez que os humanos não sabiam o efeito de profundo desconforto e medo racial que as transmissões de rádio provocam nestes alienígenas. Entre batalhas, percebe-se um ponto de equilíbrio militar entre as duas potências espaciais. Se a tecnologia Zirrh, baseada em cerâmicas e com a vantagem das comunicações quasi-instantâneas permitidas pelas suas consciências desincorporadas, se parece sobrepor à humana, é também vulnerável a explosivos e a uma nova arma química que liquefaz armaduras cerâmicas. Já o grande temor, quer dos Zirrh quer de todos os alienígenas dentro da esfera de influência humana, é uma super-arma que não existe.
Para além destes problemas, com duas civilizações envoltas numa luta que pensam ser pela sobrevivência pura, a situação complica-se por interferências externas e internas. Por um lado, temos uma espécie alienígena dentro da esfera de influência humana, extremamente traiçoeira e persuasiva, que manobra os alienígenas Zirrh para atacar os humanos, e outra civilização alienígena com a qual têm uma rivalidade milenar, apenas travada pelas forças militares humanas. Essa civilização, desarmada no passado, acabará por se revelar a melhor aliada dos humanos nos momentos cruciais. Já entre os alienígenas Zirrh, há uma luta intensa entre fações, com um líder de um clã a manobrar para obter o poder supremo, mobilizando a parte das forças Zirrh tripulada pelos do seu clã para tentar, com ajuda dos alienígenas traiçoeiros, um ataque à própria Terra.
Zahn urde muito bem as suas linhas narrativas, entre aventura pura, cenários de space opera vasta e deslindar de complexas conspirações. Intuímos o destino do livro, mas somos levados em suspense quase até às últimas páginas. Neste aspeto, a leitura pode tornar-se irriante, quando percebemos que uma situação de crise está quase a resolver-se Zahn coloca outro obstáculo. Noutros livros, com outros autores, isto não passaria de arrastar desnecessário da narrativa, mas neste ponto final desta trilogia, funciona muito bem.