Este livro surpreendente une contos de fadas, filosofia, história, artes plásticas, jornais antigos e uma visão dos últimos estudos científicos sobre o olfato. Para dar conta de objeto tão mágico, Palmira Margarida lança mão de uma extensa pesquisa, de sua intuição e de uma pitada de imaginação, para jogar luz sobre as diversas formas de dominação e apagamento das mulheres e do corpo feminino. Mulheres farejadoras descortina como a dita ciência moldou uma visão de mundo apartada da natureza e faz um convite irrecusável para descobrirmos nossos verdadeiros narizes e cheiros. O trabalho de Palmira busca compreender como o olfato industrializado influenciou nosso imaginário, comportamento e sensibilidades, através das transformações nos hábitos, em especial sobre o corpo das mulheres. Por que um povo que usa demasiadamente produtos "silenciadores" de cheiros naturais, perfuma seus corpos, seus banheiros, casas, tem tanta dificuldade em lidar com o desejo?
Como o livro é baseado na dissertação de doutorado da autora, achei que ele queria provar seu ponto ao invés de apenas falar sobre o tema. Por isso as vezes parecia que a opinião da autora era reiterada vezes demais e tinham vários fatos que traziam validação para o que estava sendo dito, elaborando cada um deles por vez, sobre um mesmo assunto, então ficou um pouco "repetitivo". Porém achei legal que o livro trouxe alguns pontos interessantes de "curiosidades" sobre o tema tratado, que mostraram o quanto ela pesquisou ao elaborar sua tese de doutorado. Achava que o livro seria diferente quando peguei pra ler, não sabia que era fruto da tese de doutorado dela, mas continuei lendo apesar de não gostar muito da narrativa.