A palavra pressa é o particípio passado, em latim, do verbo premere (apertar). Assim, pode-se dizer que A história da televisão brasileira para quem tem pressa se propõe a contar uma das maiores sagas do século 20 (e deste início do 21) para quem precisa apertar o passo ou está apertado de tempo. E quem não está?
Em 200 páginas, contextualizado com cada momento histórico, e escrito em linguagem clara e acessível, Francfort traça um panorama da TV – linguagem que há mais de sete décadas fascina diariamente os brasileiros. Vai dos televisores de tubo às produções hoje assistidas pelo celular, nos quatro cantos do país… e no exterior.
A obra passeia com desenvoltura pelos principais acontecimentos que marcaram a trajetória dessa paixão nacional, responsável por transmitir, a longas distâncias, imagens que transformaram a História do nosso país. O passeio começa pelos anseios dos povos antigos pela reprodução imagética, passando por inventores, a criação da TV no mundo e o panorama de como foi recebida no Brasil. No decorrer da obra, a implantação da pioneira TV Tupi, a evolução das emissoras, a criação de ídolos populares, a chegada do videoteipe, do satélite, das cores e da alta definição, com interatividade e streaming, além de outros temas e curiosidades sobre a nossa televisão.
Só não explica que loucura é essa que nos faz tão apaixonados pela telinha. Para isso, seria necessário outro livro… ou novela. Aí sim, sem pressa.
“Pra quem tem pressa”, mas levei mais de um mês para ler, de tão maçante que a leitura se tornava em alguns momentos.
O livro dedica muito mais espaço aos detalhes técnicos da transmissão, como tipos de sinal, equipamentos, funcionamento etc. do que às atrações e aos acontecimentos marcantes da história da televisão brasileira. Para mim, isso acabou deixando a leitura pouco interessante.
Um exemplo que resume bem essa escolha é a diferença entre os capítulos: o sobre a pré-história da TV tem 43 páginas, enquanto o dedicado às telenovelas tem apenas 5. E essas cinco páginas são basicamente uma lista de autores e títulos de novelas, sem praticamente apresentar o conteúdo ou a importância das obras.
Também me deparei com pelo menos um erro factual (seja de digitação, revisão ou edição) ao afirmarem que a RedeTV! foi fundada em 1990.
Enfim, para quem já gosta de livros sobre televisão brasileira, este me pareceu bastante amador quando comparado a outras obras sobre o tema. A proposta é interessante, mas a execução deixou a desejar.