Tempo aberto reúne oito contos de grandes autores brasileiros em celebração aos 80 anos da Editora Record.
Tempo aberto reúne oito contos, um para cada década dos últimos oitenta anos da vida brasileira, entre 1942 e 2022, em uma ampla galeria de personagens e temas que, de uma maneira ou de outra, representam a todos nós. Sob a luz muitas vezes indireta, mas penetrante, da ficção, as questões individuais, sociais, políticas e existenciais deste período histórico ressurgem aqui graças ao talento de Alberto Mussa, Nélida Piñon, Francisco Azevedo, Antônio Torres, Carla Madeira, Nei Lopes, Claudia Lage e Cristovão Tezza.
Neste grande painel da história recente do Brasil, alguns temas importantes se a já tradicional violência de nossas cidades, com um toque de sobrenatural; o papel das mulheres na sociedade; a oposição ditadura x contracultura, no Brasil e no mundo; o alcance do regime militar nos sertões do país; o despertar da juventude no período da redemocratização; a força da cultura popular às vésperas da revolução digital; as pressões cotidianas do mundo contemporâneo; e, por fim, a volta da extrema direita ao poder.
Tempo aberto: oito décadas em oito contos de grandes autores brasileiros, organizado em comemoração aos 80 anos da Editora Record, é uma bela oportunidade de se percorrer a história do país por meio da literatura.
Born in Rio de Janeiro in 1961, Alberto Mussa studied mathematics and percussion before dedicating himself to linguistics. After obtaining a Masters degree from UFRJ with a thesis on African languages in Brazil, Mussa worked as a teacher and authored a dictionary then published his first novel, Elegbara, in 1997, followed by O trono da rainha Jinga (1999), which won the National Library prize. O enigma de Qaf (2004) was awarded the Casa de las Américas APCA prize. He has translated stories by African and Arabic storytellers for the magazine Ficções, and a collection of pre-Islamic poems Os poemas suspensos, not yet published.
"Ela continua esperando. Ainda acredita que deve haver um lugar neste mundo para a sua urgência. Mas, até lá, se levanta e não sabe quando, para quê, para onde, o que fazer, como. Difícil. Talvez não houvesse mais nada que pudesse ter. Teria então o silêncio. Poderia ser o silêncio de dormir, ou o outro. Que coisa. Nem sempre era assim. Tão triste. Tinha algum amor que ela encontrava."
"Que difícil. Às vezes, tudo fugia. Como poeira e pó há pouca luz na sombra. Ah, ela abraçava forte os livros porque eles lhe eram caros. Porque eles lhe diziam coisas que ela não ouvia mais ninguém dizer, ela abraçava os livros."
Um bom livro de contos, mas com qualidades bem díspares entre eles. Comprei por ter um conto da Carla Madeira, que gostei, mas o me ganhou foram os de Cristovão Tezza e Nelida Piñon. Um sólido 3.5/5? Acho que é por aí.