Rimbaud, um adolescente comum, vê sua vida transformar-se quando o apocalipse zumbi despedaça tudo o que conhecia. Navegando solitário pelas ruínas da cidade, ele inesperadamente cruza caminho com Pietro, um sobrevivente de idade semelhante. Juntos, embarcam numa jornada de sobrevivência e autoconhecimento.
Acompanhe a emocionante conexão entre esses dois jovens em um mundo devastado, onde os mortos não apenas devoram corpos, mas também os valores e toda uma civilização. Em meio a tragédias e superações, Rimbaud e Pietro não buscam apenas sobreviver, mas descobrir um novo sentido para suas existências.
O autor, inspirado por grandes escritores, nos guia por uma odisseia onde nossos protagonistas aprenderão que, em um mundo sem sentido, o amor se revela como a única arma capaz de triunfar sobre a desolação.
O mundo só é mundo enquanto impressão e expressão dos nossos interiores. Sem os homens, os mistérios do universo continuarão a ser mistérios, enquanto a natureza domina as paisagens esquecidas. Sem nome. O Barberino parece entender bem essa dimensão ontológica e gnosiológica do universo quando progride a narrativa na direção da estoicidade passional e desinteressada, reduzindo (ou melhor - sintetizando) o apocalipse como imagem virtual de duas almas dançando em meio ao vazio, se cravando uma a outra como espectros devotos. Gosto especialmente dessa aura fantasmagórica da obra, ainda que eu sinta que toda o enredo zumbi é apenas um enclave para expandir as possibilidades sensoriais proporcionadas pela sensação de perigo e iminência de morte originada pelos mortos-vivos.
Esses são acessórios e por essa mesma natureza fortuita não causam fortes impressões, soando engolfados nessa narrativa de amor espectral muito maior que eles. Acho que em grande parte isso se dá pelas limitações do autor, que tem dificuldade em construir tensão porque não confere verossimilhança aos ambientes e às situações. A narrativa é elíptica demais e parece uma colagem de melhores momentos, um amontoado de cenas e imagens que, ainda que possuam certa progressão rítmica, não transmitem a tridimensionalidade de um novo universo se encerrando. Um universo sem nacionalidade, inclusive, porque existe uma ambiguidade latente nessas arquiteturas e no éthos desses personagens, estrangeiros nesse mundo de estrangeiros. Entendo a intenção mas fico incomodado pelo viralatismo escondido nessa caracterização globalista, com seu basquete, seus parques de diversões e suas casas americanas. Falamos dos Estados Unidos, do Brasil ou de um limbo? A última resposta nem é aceitável considerando os apontamentos sociais que direcionam a atenção do leitor do mundo fictício para o seu próprio mundo, roubando da história sua força enquanto conto e a transformando às vezes em um tratado um pouco superficial, mas divertido.
O epílogo tenta recuperar a fantasia e a força fabulesca do livro ao esboçar construir uma aura de lenda para o casal protagonista, mas esse me pareceu um gesto arquitetado e súbito demais para concretizar suas intenções e deixar um sabor final saudoso. Melhor seria o encerramento com aquela ambientação contemplativa e intimista do fim da história, quando a narrativa se resume à swan song de duas almas solitárias que apreendem em si mesmas a totalidade do universo.
2,5/5, arredondaria pra 3 porque a ambientação me agrada, adorei a alegoria do barco, mas nada aqui foi executado de forma coerente ou que me prendesse. A "explicação" no final te faz ficar com vontade de ler a história que o autor imaginou desde o começo... mas sinceramente acho que ele não soube colocar nada "no papel".
Dito isso, ainda tentei relevar os inúmeros e enormes erros de ortografia e gramática, mas na hora que apareceu a palavra "perca" no meio do texto.... me perdeu. Completamente.
Gosto da ideia, por isso insisti até o fim, mas precisa ser muito melhor trabalhada pra ser bem executada. Uma pena. As ilustrações me chamaram atenção, mas não vi créditos pro artista. Uma pena².
Que fofinho essa história de zumbi, por incrível que pareça é fofo, visto que os zumbis não são uma ameaça real, ao menos não em sua unidade contra muitos realmente não faria sentido se não fossem, mas ela é uma história fofa acima de tudo porque são duas pessoas que viram amigos, se apaixonam, e percebem que não podem viver um sem outro, até o fatídico fim, que foi triste, mas foi feliz ao mesmo tempo, não vou contar pra ninguém, leia e descubra também