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Os Pais dos Outros

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Um dos maiores best-sellers da autora de "A Senhora dos Açores" e "Uma Guerra na Úmbria: Case Venie".
"Os Pais dos Outros" reúne um conjunto de histórias verídicas sobre pais e filhos - imagens de violência e de afecto - recheadas de implicações psicoanalíticas.
Este livro constitui uma pequena compensação aos filhos sofredores, aos seus medos insuperáveis, silêncios e solidões.

128 pages, Paperback

First published October 1, 1999

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About the author

Romana Petri

66 books44 followers
Romana Petri (Roma, 1965) è una scrittrice e traduttrice italiana.
Figlia del cantante e attore Mario Petri, vive tra Roma e Lisbona. Insieme al marito Diogo Madre Deus dirige la casa editrice Cavallo di Ferro.
Critica letteraria, traduttrice dal francese, dallo spagnolo, dal portoghese di autori come Jean-Marie Gustave Le Clézio, Alina Reyes, Adolfo Bioy Casares, Anne Wiazemsky, Helena Marques, Ana Nobre de Gusmão, Inês Pedrosa, João Ubaldo Ribeiro, ha recentemente tradotto dall'inglese "Il diario di Adamo ed Eva" di Mark Twain. Autrice di radiodrammi per la Rai, ha pubblicato diversi contributi per le testate Leggere, Nuovi Argomenti e l'Unità; collabora oggi con Il Messaggero e La Stampa. I suoi libri sono tradotti e pubblicati in Germania, Stati Uniti, Olanda, Inghilterra, Francia e Portogallo.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Katya.
491 reviews3 followers
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May 1, 2024
Sabes como é, o mal apressa-se sempre na invasão, o bem é manhoso, avança em raciocínios lentos, é preciso tempo.

Romana Petri toma uma posição muito forte neste livro onde se reúnem 12 retratos verídicos de filhos e pais.
Levada pela sua experiência afetiva com um pai carinhoso e protetor, a autora retrocede no tempo em busca da razão que o torna um bom pai: o que descobre é que nós somos produto daquilo que nos fazem, mas somo-lo duplamente - de forma positiva ou negativa, consoante a nossa escolha.
Assim, um filho de maus pais não está condenado a repetir o seu comportamento, mas terá de descobrir o seu caminho, qualquer que seja, de forma penosa:

Gostava de pensar que o mundo verdadeiro não é o que todos os dias tinha de ver assim que acordava, que o mundo verdadeiro estava mesmo num outro mundo e que este onde acordava não passava do percurso de sabe-se lá que espaço de tempo que percorria a grandes passos. E Gualtiero começou mesmo a contar os passos, não fazia outra coisa, uma longa caminhada que devia terminar quando acabasse este mundo malvado.

Os filhos que Petri retrata têm histórias muito duras a superar. Cruelmente tratados, todos descendem de um passado de dor, humilhação e trauma...

Olha bem, disse ele. Mandei emoldurar esta maravilha de trabalho, a tua composição. Na tua idade, uma nota destas, quando todos os outros só têm dez e dez com louvor. Tu, a miséria de um suficiente. Outro dia, fui falar com a tua professora, disse-me que és lento, sem vontade, nunca prestas atenção, sempre pronto à conversa com os companheiros, e pior do que tudo disse que estás sempre, mas sempre, incontrolavelmente a rir. Chegou a altura de mudar as coisas. O teu trabalho emoldurado, e repara bem, não no teu quarto, mas no meu escritório, para teres a consciência de que eu estou sempre, mas sempre, a admirar a tua obra-prima. Que isto te sirva de contínua repreensão e de advertência. Se o tivesse pendurado no teu quarto, olhavas para ele um dia ou dois e depois esquecias-te dele, enquanto aqui sabes bem que eu o vejo e não me esqueço; e a toda a gente que aqui entrar vou mostrá-lo como a mais insolente das minhas desgraças, e serás sempre conhecido pelo teu lado mais desonroso. (...) Pergunto o que terás tu herdado da minha inteligência. Nada. E bastante arrependido estou de não ter querido outros filhos, talvez agora fosse recompensado e me visse reflectido em algum deles de forma mais agradável. Mas mais vale abandonar estes pensamentos inúteis, lembra-te que és um medíocre e um estúpido, não há nada que te ajude, és feio, baixinho, enfezado e amarelento. E agora, vai-te embora, pensa na tua vergonha e satisfaz-te com ela, o que para os imbecis é uma óptima cura.

...e todos são próximos da autora - percebemos isso facilmente - começando na história de Mário [Petri] e terminando na história de Nicola, estas outrora crianças fazem parte do núcleo familiar, vizinho e amigo de Romana Petri. Muitos cresceram a seu lado, uns sofreram sempre o que lhes foi feito, outros ultrapassaram as duras provas que a vida lhes colocou no caminho, mas todos trilharam um caminho muito difícil:

O pai da Francesca desde rapaz que era um brutamontes. Daqueles que vieram ao mundo só para deitar tudo abaixo. Se tivesses passado por tudo o que eu passei, disse-me Francesca, um dia em que passeávamos à beira do rio, compreenderias por que motivo vivo sozinha. Ao vê-lo agora parece normal, e mais, agora que está velho quase provoca ternura, e é isso que revolta, não te parece? Aí está uma vantagem reservada apenas aos homens, quando envelhecem toda a gente diz, coitadinho, voltou a ser uma criança. Nunca se ouve dizer uma coisa assim para uma mulher, pelo contrário. A pobrezinha da minha avó, por exemplo, como quando ficou velha ficou também um pouco aparvalhada, toda a gente a dizer como era simpática e inteligente quando era nova, toda a gente a recordá-la no passado e a rejeitá-la no presente. Eu era a única pessoa que ia visitá-la lá onde a tinham encerrado, lavava-lhe os pés, cortava-lhe as unhas, punha-lhe pó de talco nas pregas húmidas do pescoço. E não fiz isso só pelo que ela foi no passado, mas em honra da sua velhice, porque continuava a ser minha avó, embora parecesse outra. Também meu pai hoje parece outro, mas eu lembro-me bem o homem que era antigamente.

O original aqui, para lá da não culpabilização da vítima, prende-se com o facto de Petri não dourar a pílula - estes pais não o souberam, ou não o quiseram ser e, logo, renunciaram aos filhos e à ligação afetiva, e mantêm apenas o epíteto de pais à força de precisarem de ser nomeados:

Um dia, o pai adoeceu, começou a emagrecer vorazmente e abandonou voluntariamente o bem e o mal na morte. A mulher foi atingida pela voragem de uma imensa dor negra, e quase se deixou morrer, ficando dias e dias sem beber nem comer. Depois, foi tocada pelo que pode chamar-se a necessidade de viver, seja como for, saiu do quarto e deu os primeiros passos no corredor. Ali viu o filho. Abriu-lhe os braços e disse. Agora, só te tenho a ti. Sandro pensou, Aquele só é que me agrada pouco, e àquele olhar que implorava socorro respondeu com a frieza de outro pensamento claríssimo, Deixaste-me sempre só quando ele me insultava, agora és tu quem vai ficar para sempre só. Vou esperar por ti lá em cima, no cimo da colina, ao lado da igrejinha, à sombra fresca das sepulturas. E ali vou esperar por ti pacientemente. Para te dar as boas-vindas.

Petri não é dura nas conclusões que traça (não é de dureza que se trata), mas a sua frontalidade, e o desamor destes relatos fazem-na, enquanto narradora, soar severa. E é essa a razão que me faz admirar este livro: Petri não tem medo de tomar uma posição. Embora a sua realidade seja outra, o passado daqueles que a rodeiam mostra-lhe que ela é uma entre poucos. E essa percepção arma-a de um sentido de justiça muito pouco comum para com este conjunto de filhos que nunca o foram senão pela dor.

Todos têm a sua parte de erro. Um pai brutal, por exemplo, depende também da mulher que teve ao lado. A brutalidade tende a devorar quem se faz apetecido.

Longe de inocentar os pais criminosos, Petri honra os filhos corajosos que se fizeram à custa da sua resistência, de amor próprio e de muita fé num futuro alternativo, de sua criação:

(...)tornamo-nos maus por culpa de alguém que, por sua vez, também se tornou mau por culpa de outro. Sim, uma cadeia infindável, mas sempre haverá alguém que lhe escapa.

Mas não se pense que a sua mensagem é portadora apenas de vingança, Os Pais dos Outros é um livro difícil, mas repleto de pequenas ironias e focos de luz que nos mostram que a vida muitas vezes compensa uma falta com um excesso, oferecendo uma via de evasão, uma esperança, uma oportunidade de crescer para fora das limitações da injustiça, da dor e do trauma.

(...)olha para as estrelas, os pais bondosos do passado olham-nos lá de cima para nos proteger, porque os seus filhos nunca se esquecerão deles e nunca deixarão de os amar. E assim, quando um dia te sentires sozinho, olha para as estrelas e podes ter a certeza de que também eu ali estarei.
Profile Image for Marta Xambre.
254 reviews29 followers
December 24, 2021
4,4⭐
Contos que contam vidas de sofrimento, de completa impotência; são crianças.... eram crianças... Crianças que se tornam adultos, umas continuam a seguir as pisadas dos seus pais, no que toca a fazer e a espalhar o mal, a violentar, infringir dor física e psicológica aos seus filhos, ou seja, o mesmo modus operandi que os seus progenitores e em contrapartida outras que, com os seus filhos, tentam restituir o amor, o carinho, a atenção e o respeito que outrora não vivenciaram, não sentiram...
Li estes contos com o coração apertadinho e dói só de imaginar... É lancinante...
"Não tenhas medo, meu pequenino, porque a minha justiça é a justitia daqueles que nunca batem nos filhos e apenas falam, e falam amorosamente, e só amam para se fazerem amar, e exigem respeito para darem respeito e tudo fazem por desejo de harmonia e ternura. Pensa bem em tudo o que te disse e tem sempre confiança em mim e nunca tenhas medo de mim, porque ter medo do próprio pai é uma coisa muito triste e não há motivos para isso. E agora, vai, meu filho, volta às tuas brincadeiras e à tua despreocupação."
Julgo que a autora conseguiu cumprir o seu objetivo ao escrever de uma forma precisa e inclemente, estes 12 histórias de pais e filhos, leva-nos a viajar pelas mentes destas pessoas que vivem vidas de extrema angústia.
O ódio, a vingança, o desprezo, o sofrimento e a ironia do destino estão presentes de uma forma tão real e exequível.
Por fim, tenho a referir o papel da mãe na vida destas crianças... hum... afinal não...leiam e depois partilhem as vossas opiniões.
Profile Image for Hanguito Suavecito.
7 reviews
June 7, 2025
Começou bem, foi ficando menos bom.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Paulo Coutinho.
100 reviews
September 23, 2013
Ando eu a tentar ler alguma coisa que me eleve e sai-me assim um livro cheio de personagens de um negrume atroz (e não, não é pela cor da pele....). De entre os 12 contos, apenas 2 estão isentos de tais personagens. Não é que não goste da escrita da Romana Petri, até gosto, mas tanta maldade dá-nos cabo da cabeça.
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