Primeiro livro que leio do autor.
Confesso que nas primeiras páginas vinha a pensar uma review. Queria-me parecer demasiado clichê, uma história própria e cheia de lamentos. No entanto, chegando a meio da mesma, dou por mim a chorar.
A história retrata exatamente a minha relação com o corpo, ginásios e pessoas que o frequentam. Retrata o que eu chamo de “sonho de menina”, porque no fundo é um encontro daqueles que imaginei durante anos.
O apoio que os pais do Mateus lhe deram, emocionou-me.
Foi-me inevitável pensar no dia em que também eu fiz algo que, agora, me envergonho. Tive os meus pais preocupados comigo e eu, cego por o que sentia, gritava que eles não gostavam verdadeiramente de mim, que eram obrigados apenas por me terem trazido ao mundo.
O Mateus pareceu-me bastante inseguro e ingénuo. Começava a enervar-me. Até que parei por uns segundos e lembrei-me de algo que aprendi há pouco tempo. Li que nós tendemos a não gostar de alguém quando esse alguém tem algo nosso. Quando é igual a nós. Seja a forma de estar, falar, a aparência… o que for.
Este livro apareceu-me no instagram por volta das duas da manhã e comprei-o por mero impulso. Acontece que estava a precisar dele. Veio-me recordar o Mateus que fui, que sou e, também, para abrandar. Não posso fingir que certas coisas não aconteceram. Que certos pensamentos não habitaram na minha mente, que não fui infeliz, tornando-me insensível, julgador e forte (querer parecer forte, na realidade). Não o sou.
Ser-se por nós é uma grande conquista. Sinto-me a trabalhar nesse sentido diariamente. A filosofia tem-me ajudado imenso. Dou por mim a querer corpo e mente saudáveis, quando desde muito cedo achava não fazer sentido, não ser preciso. Deixo a sugestão para quem achar que faz sentido o que escrevo.
Ter alguém que vê o que procuramos, os nossos esforços e querer participar nessa caminhada, é de facto muito bonito e encorajador, porém, deixar um bocado Platão de lado e parar de procurar a metade da nossa laranja, também o é. Somos completos. A busca pela metade que nos falta, seja a metade que for, muita vezes cega-nos. Fazendo-nos perder e esquecer, a beleza que foi o momento em que a borboleta pousou sobre nós.
Somos pessoas, estamos juntos ❤️