Jénifer é uma criança em busca de uma saída e Joel um homem em busca de uma história. O encontro entre os dois dá-se num bairro social dos Açores, a região mais pobre de Portugal, terreno fértil para o abuso sexual e o incesto, o alcoolismo e a violência doméstica, a exclusão social, o tráfico de droga, o insucesso escolar, a pobreza persistente ou o suicídio jovem, entre tantos outros sinais de subdesenvolvimento humano. Em fundo, uma pergunta: como poderá Jénifer transcender a miserável condição dos pais? Ela tem um plano. Este é um retrato dos Açores ignorados, uma paisagem humana ausente das fotografias turísticas. É também uma tentativa de intervenção cívica de um homem só, pregando no deserto da escassez, da exclusão e do conformismo – e clamando por mudança.
Joel Neto é autor dos romances "Arquipélago" (2015), "Os Sítios Sem Resposta" (2013) e "O Terceiro Servo" (2000), para além do volume de contos "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas" (2002) e de vários outros livros de diferentes géneros. Publica semanalmente no jornal "Diário de Notícias" a coluna "A Vida No Campo", série de relatos sobre o seu próprio regresso à Terra Chã, freguesia rural da ilha Terceira (Açores), e é cronista permanente de vários diários portugueses e da diáspora portuguesa. Antigo jornalista, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, nas qualidades de repórter, editor, comentador e anfitrião, tendo ligado o seu nome à maior parte dos principais meios de comunicação social portugueses. "Arquipélago" (ed. Marcador/Os Livros RTP) mereceu rápido aplauso da crítica e do público, esgotando a primeira edição ao fim de duas semanas. O seu último livro, "A Vida no Campo (ed. Marcador), publicado em Maio de 2016, esgotou a primeira edição ainda antes de chegar às livrarias.
Um retrato dos Açores que não vêm nos postais ilustrados, os Açores dos bairros sociais, do tráfico de droga e da prostituição infantil, e dos que fecham os olhos a tudo isto.
Um tema horrível, mas que precisa de ser escrito. Joel Neto conseguiu fazê-lo e oferecer-nos, ainda por cima, um livro tão bonito.
Difícil lidar com a impotência! Joel Neto mostra-nos neste pequeno "Jenifer, ou a princesa da França" o lado obscuro das ilhas açorianas. O tráfico e consumo de droga, o absentismo escolar, o abuso sexual de menores, a violência, a iliteracia, a subsídio-dependência... Tudo isto visto pelos olhos de quem quer que as coisas mudem mas não tem muito a fazer! Vale a pena a leitura!
Um retrato apaixonado mas muito pouco otimista da realidade política e social de um dos muitos bairros sociais das ilhas dos Açores, com todos os problemas que lhe são inerentes: a droga, a miséria, o abuso de menores, a baixa escolaridade, a prostituição, as gravidezes adolescentes, a assistência social que apenas ajuda a manter uma situação aproveitada para atos eleitorais de perpetuação de poder. O autor faz uma viagem biográfica sobre a zona à qual também terá pertencido em tempos, tendo contudo emigrado muito antes. Uma menina detentora de uma personalidade peculiar, à beira de cair no mesmo abismo da maioria, capta a sua atenção de uma forma que se torna tão desesperada como impotente. Um pequeno texto pungente de carácter documental, muito bem escrito, a denunciar uma situação que estará à vista de todos mas sem final previsto no futuro mais próximo. Senti pouco interesse ficcional, portanto.
Um retrato dos Açores que não vem nos roteiros turísticos, a pobreza, os bairros sociais, o alcoolismo, o tráfico de droga, os abusos sexuais, a iliteracia tudo contado a partir do encontro entre um escritor e uma miúda diferente que sobrevive à vida criando o seu próprio imaginário.
“- Acabar com a subsidiodependência, acabar com a subsidiodependência... Uma região inteira dependente dos subsídios: O comércio, a aviação, o turismo, até o Governo! E, afinal, vão começar pelos mais pobres. Duzentos euros. Menos do que isso.”
Deste autor conhecia apenas o extraordinário podcast efeito borboleta, onde temas actuais e, tantas vezes fracturantes, são partilhados e debatidos de forma muito interessante com a historiadora Raquel Varela. O podcast já me permitia vislumbrar o Homem por detrás do autor, destacando-se a sua ligação filial ao arquipélago que o viu nascer e onde regressou para edificar a sua vida; a angústia permanente com as desigualdades e assimetrias que condicionam os horizontes e o futuro das gentes da sua terra; a luta incessante para dar voz a quem não a tem e para dar visibilidade aos problemas frequentemente ignorados e esquecidos por quem tem a força e o poder para empreender a mudança. Este pequeno livro da FMS foi a minha primeira incursão pela obra de Joel Neto. Muito bem escrito, ainda que nos conte a história de Jrénifer e da sua família, vai muito para além disso. É assumidamente um retrato sociológico dos Açores (e daquela ilha em particular) que nos compunge e nos magoa. Um Portugal insular e periférico, onde a vida é particularmente dura e os horizontes particularmente curtos. Onde as oportunidades para uma vida feliz parecem condenadas à nascença e as vivências do lado negro da humanidade se afiguram quase como que o único destino. Este foi, sem dúvida, o primeiro passo para mergulhar mais a fundo na obra deste autor.
What good fortune! I had the pleasure of meeting author Joel Neto at his bookstore in the Azores.
He signed a copy of "Jenifer, or a French Princess," for me.
I read the story in one sitting, not only because it is a slim volume, but also because the storytelling is so immersive. Joel's journalist's eye sees Jenifer and her sister Mara's dire circumstances, brought on by poverty. His empathy rails against a social system that doesn't prevent Mara's young life changing in ways that can't be changed. Throughout it all, Jenifer's spontaneity and humor lighten a heavy topic.
If you ever travel to Terceira, don't miss visiting Joel's bookstore, Lar Doce Livro. His welcoming cafe and store is located in downtown Angra do Heroismo, walking distance to the city's Unesco World Heritage historical sights. We were lucky enough to attend the celebration of their 50th year of independence. We'll always remember this place and Joel with great joy.
O livro é tão bom que me fez ir para "Arquipélago", do mesmo autor, um dos melhores livro que já li. Encontrei neste livro a mesma envolvência, intensidade, magnificamente escrito, a captar a atenção em cada linha. Só tem mesmo um defeito: é pequenino de tamanho. Enorme de conteúdo. Fica imensa vontade de voltar a ler o autor.
Eu sou da ilha terceira mas vivo numa bolha onde histórias como estas são pura fixação, são coisas de televisão… eu vivo numa ilha dentro da minha própria ilha. Ao ler este livro saí da ilha e isso doeu muito…. Queria manter-me antes no meu mundo de fantasia. O livro é um relato cru de uma realidade obscura, encoberta e atual. Trata-se de uma doença degenerativa da sociedade.
Um livro delicioso, que devorei ainda no rescaldo da minha viagem à Terceira. Uma espécie de misto entre reportagem e ficção, sobre o outro lado das ilhas e do paraíso verde. E que bom (e duro) que foi "conhecer" este outro lado, pelos olhos de Joel, um local, que nos traz a história de tantas meninas, tantas crianças, tanta gente. Agora sim, acabou a viagem. Obrigado.
Um dos melhores livros do Joel Neto que já li. Uma realidade comum a muitos outros bairros do continente. Um final inesperado. Suspeito que neste bairro haveria muitas mais personagens inspiradoras de livros. Dedos cruzados para que o autor invista mais páginas nestas personagens "reais".
Esta capa tão plácida não faz jus ao conteúdo. Um retrato do lado mais esquecido, cruel e inseguro dos Açores. A forma como o autor se envolve no caso e nos mete no centro da ação é de louvar. O facto de existir esta "podridão" nas ilhas, não é.
A pobreza nos Açores, uma realidade escondida atrás dos subsídios e das paisagens deslumbrantes. Relato corajoso do autor, misturando crónica com ficção.
Quando pensamos no arquipélago dos Açores vem-nos automaticamente à mente toda a natureza em que estão envolvidas estas ilhas. Contudo, não se vê muitas vezes o outro lado da moeda.
Esta região é, ainda hoje, a mais pobre de Portugal, e não nos iludamos que o aumento de turismo veio resolver este problema, se não apenas disfarçar e esconder o que não deve ser visto.
É pegando nesta temática que Joel Neto retrata a história de uma criança, da sua família e do seu bairro. Através dela conseguimos perceber a bola de neve que é a vida das pessoas que nascem, crescem e morrem nestes lugares, lugares estes que são, por si só, becos sem saída.
Gostei muito da perspetiva que este livro me trouxe, através das palavras simples do autor. E fiquei encantada com esta colecção da @fundacao_ffms, da qual já tenho mais uns quantos livros na minha lista de desejos.