A Formosa Pintura do Mundo é uma sequência de ficções interligadas sobre a pintura, a música e o desejo, onde se cruzam figuras históricas (Camões, Voltaire) com personagens da imaginação do autor. Central neste livro é a noção de Arcádia, a paisagem imaginária por excelência. Em pano de fundo, paisagens do mundo real: Sintra, as lonjuras do Alentejo e de Trás-os-Montes; a magia urbana de Lisboa, Porto e Roma. O regresso à ficção de Frederico Lourenço, depois de À beira do Mundo (2003)
FREDERICO LOURENÇO nasceu em Lisboa, em 1963. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde se viria a doutorar (1999) com a tese Euripidean Lyric: metre and textual tradition. É professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da mesma instituição. Tem-se dedicado à tradução e ao comentário de clássicos da literatura grega e latina (com destaque para Homero, Vergílio e Horácio), assim como ao estudo do Novo Testamento e da versão grega do Antigo Testamento (Septuaginta). Além do estudo da poesia grega, tem-se dedicado à exegese da obra de Platão e Camões. Colaborou com a Cinemateca Portuguesa na elaboração de textos sobre cinema e na feitura de vários catálogos. Publicou ensaios de crítica literária nas revistas Journal of Hellenic Studies, Classical Quarterly, Euphrosyne, Humanitas e Colóquio-Letras. Foi colaborador dos jornais Independente, Expresso,Público e do Diário de Notícias. Traduziu também duas tragédias de Eurípides, Hipólito e Íon.
Contos com bons princípios e maus fins. Não pretendo que um conto siga as regras das anedotas, mas ir para a história seguinte esperando que haja continuação da anterior não tem qualquer piada.
A musical sequence of events where crossing figures of antiquity with other characters created, in which the author himself deals with themes such as painting, music and sexuality. Frederico Lourenço is also known for being a translator of several Greek and scholarly works, such as the Bible and the Odyssey by Homer.
Frederico Lourenço volta à ficção e em boa hora o faz, pois e embora os seus ensaios sejam magníficos principalmente os que envolvem a cultura grega, eu não sou um apreciador (de uma forma geral) do tipo de leitura que é o ensaio. Ora em "A formosa pintura do mundo", o autor delicia-nos com o seu habitual e delicioso jogo de palavras, que ele sabe conjugar como poucos, e desenvolve neste caso específico, uma série de considerações sobre temas eruditos (pintura, música...) e também sobre espaços - o capítulo sobre Roma é admirável - que nos fascinam.
Depois de Pode um Desejo Imenso, romance que me deixou rendido ao estilo de Frederico Lourenço (e de quem já tinha tido a oportunidade de ler a excelente tradução feita a partir do grego clássico da Odisseia), não resisti a embrenhar-me na escrita deste autor, a qual, por um lado, é bastante simples e fluida, mas por outro não deixa de ser cuidadosamente trabalhada e, mesmo sem grandes artifícios, não é despojada de elementos que a complexificam ou, melhor, que a tornam muito interessante.
Este é, porém, um livro de contos, pelo que quando terminamos cada um deles ficamos com a sensação de que "sabem a pouco". De certa maneira, a maior parte destas histórias têm um desfecho. No entanto, algumas delas acabam abruptamente e, por isso, ficamos com pena de não termos a possibilidade de ver desenvolvidas as histórias das personagens que vão desfilando à nossa frente.
Este é um autor que irei seguir com interesse no futuro.
Um livro de contos que começam bem, entusiasmam e de repente terminam. Acredito que tenha sido essa a ideia do autor, mas quase 100% dos contos assim, na minha experiência de leitura não foi muito agradável. A escrita é fluida, bonita, mas os desfechos pesaram muito na avaliação do livro.