Nunca como hoje houve tantos portugueses a viverem sozinhos, seja por opção, por deslocação em virtude de emprego ou estudo, por divórcio ou viuvez. Segundo o Censos provisório de 2021, são já mais de um milhão o número de pessoas nessa situação, o dobro de há 30 anos. A era da comunicação é, em simultâneo e paradoxalmente, a era da solidão. Este livro é um retrato da solidão em Portugal em números, contexto e circunstâncias, mas também uma reflexão sobre o quanto viver sozinho é diferente de sentir-se sozinho. A experiência de solidão é tão individual e privada que se torna quase indefinível. Como se poderá ler em relatos de vidas solitárias expostas ao longo deste livro, viver só pode ser um privilégio, uma questão de liberdade irrenunciável ou uma dor profunda e irreversível. A solidão pode ser desde sempre ou para sempre.
ANA MARGARIDA DE CARVALHO nasceu em Lisboa, onde fez a licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1992). Viria a tornar jornalista, assinando reportagens que lhe valeram sete dos mais prestigiados prémios do jornalismo português, entre os quais o Prémio Gazeta Revelação do Clube de Jornalistas de Lisboa, do Clube de Jornalistas do Porto ou da Casa de Imprensa. Passou pela redacção da SIC e publicou artigos na revista Ler, no Jornal de Letras, na Marie Claire e na Visão, onde ocupa actualmente o cargo de Grande Repórter e faz crítica cinematográfica no roteiro e no site de cinema oficial da revista, o Final Cut. Leccionou workshops de Escrita Criativa, foi jurada em vários concursos oficiais e festivais cinematográficos e é autora de reportagens reunidas em colectâneas, de crónicas, de guiões subsidiados pelo ICA e de uma peça de teatro.
"No entanto, nem esses bem intencionados estudos poderão apreender um sentimento tão múltiplo e complexo como é o da solidão. Como se a designação, de súbito, se tornasse vaga e abstrata; como se a palavra jamais pudesse ser conjugada no singular. Não existe solidão mas solidões. Cada um apresenta a sua definição, cada um apreende-a e percepciona-a à sua maneira: a solidão tanto pode arruinar a felicidade de uma vida ou, pelo contrário, ser um refúgio vital."
“Não estamos seguros: a solidão espreita a cada esquina e ninguém está livre de cair nas suas garras. É certo que há sempre atalhos que podemos tomar, esconderijos para onde fugir ou recantos que possam servir de refúgio.” E ela, a solidão, instala-se em nossa casa como um intruso, um fantasma não convocado. Aí entra o recurso das redes sociais e da ilusão dos “amigos” e “seguidores”. Arranja-se um animal de estimação. Enche-se o espaço vazio de música, de vozes da rádio ou da televisão. Mas surgem sempre aqueles “momentos em que tomamos consciência de que só a presença efetiva de outro ser humano possui a capacidade de colmatar essa falta e esse vazio que sentimos.”
Este livro retrata a solidão de forma bastante abrangente e sob vários pontos de vista. Com uma boa escrita e bem documentado, cumpriu o seu propósito de leitura.
Um ensaio interessante sobre a solidão, estar só e viver só. Ainda que alguns capítulos divagassem um pouco, como se fosse necessário preencher x caracteres para fechar o livro, admito que a ideia da autora fosse varrer o espectro de circunstâncias em que o termo "solidão" se pode aplicar.
Na realidade, é um 3,5☆ mas na ausência dessa granularidade, a impressão com que fiquei pende mais para as 3☆. Não obstante, vale a pena a leitura, como alerta de uma realidade que nos pode apanhar quando menos esperamos (e que podemos até já a ter experimentado).
Viver só, de Ana Margarida Carvalho é um dos livros que integra a colecção Retratos da Fundação (Francisco Manuel dos Santos) e que "traz aos leitores um olhar próximo sobre a realidade do País. Portugal contado, vivido e narrado por quem o viu - e vê - de perto". Este Viver só que aqui é contado, pode sê-lo por opção ou não. Segundo o censos 2021 são já mais de um milhão o n° de pessoas nessa situação. Este, é um retrato desse viver só mas também uma reflexão sobre a diferença entre viver sozinho e estar só porque essa experiência é individual e muito diferenciada - para uns é uma infelicidade, para outros uma descoberta e para alguns, ainda, uma necessidade. Belíssimo livro que vai buscar histórias reais, relatos de quem vive o estar só e de quem acompanha essa solidão.
Um ensaio que explora os diferentes tipos de solidão, fazendo referência a obras de arte e símbolos nacionais. Também explora a ideia de que estar só é diferente de estar sozinho. Na solidão emerge a criatividade. 💡 "O cérebro tem dez milhões de células em contacto umas com as outras e dez triliões de conexões. Tanta conexão. E tanta solidão." 🧠💭
Livro extraordinário. Além de informativo porque se trata de um dos belos ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos, continua a ter uma componente humanizadora. E para isso adoro que tenha sido escolhida uma romancista para a tarefa de escrever o livro. Como amante de meta-literatura, gostei que fossem citados livros e personagens de livros sobre solidão. Barato e curto, recomendo a toda a gente para nos lembrarmos de que há várias solidões e não só um tipo.
Cumpre o objetivo a que se propõe. Vários capítulos, curtos e de fácil leitura, que entre factos e relatos nos vão afirmando a solidão como um estado interior e de grande impacto nos indivíduos: "Viver só pode ser um privilégio, uma questão de liberdade irrenunciável ou uma dor profunda e irreversível."
Fraco. O tema é muito interessante mas o livro é fraco. Talvez o melhor seja quando cita outros autores (extensivamente e talvez até por demais), nomeadamente Noreena Hertz. Recomendo a leitura desse livro, The Lonely Century. E de outros retratos da fundação. Este, nem por isso.
Apesar de abordar um tema importante e interessante a construção do livro podia ser melhor. Fica a sensação de vários pequenos artigos. Falta alguma unidade.