Não é novidade que por um período ecoou gritos ensurdecedores de uma turba raivosa pelo longo do século passado e também no atual; se travestindo de um nacionalismo reacionário, com emblemas de manutenção de uma ideia de família, eles voltam, sempre voltam; dentre tudo o que se deve fazer para combatê-los, a arte, que é algo abominável a eles, e a literatura, mormente são antídotos, é, pois onde se encaixa o breve thriller de Samir Machado.
Com uma narrativa ágil, o escritor nos leva dentro de um Graf Zeppelin para acompanhar a reminiscência do período nazista e daqueles que dele fizeram parte, em um crime a ser solucionado a bordo do dirigível. Com uma construção de personagens que terrivelmente se assemelham a figuras atuais, Otto Klein, Bruno Brückner, William Hay e tantos mais são pontos em comum de um passado que ainda é presente, reafirmando a constante necessidade da vigilância em tempos de ascensão dos totalitários. Ao final, como parece ser marca do escritor, há reviravoltas, caos, mortes e claro, romantismo, tudo isso, com um paralelo com o passado (que pode ser 1930-1945 ou 2018-2022), a convir.