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La Prophétie de Dali

Balla voit son monde s'effondrer lorsque son père abandonne subitement la concession familiale. Jusqu’alors, lui et ses amis jouaient, insouciants, dans la brousse de l’Ouest malien. Souhaitant garantir un avenir à ses enfants, sa mère quitte le village et emmène sa progéniture de Kayes à Bamako et de Bamako à Paris. Arrivé dans une France froide et inhospitalière, Balla ne connaît rien des codes de ce nouveau pays et devient, à six ans, la risée de son école et bientôt de toute sa famille. Squattant chez les uns chez les autres, l’enfant nomade se plonge dans le mutisme et rêve secrètement de revoir son père. Dali, une griotte qui pratique l’art de la divination, prédit un avenir radieux à l'élève parqué dans une classe destinée “aux enfants arriérés". Depuis, le petit garçon est obsédé par l’intelligence et l’acquisition de la connaissance. Mettra-t-il fin au désespoir de sa mère qui l’emmène de force dans ses cours d’alphabétisation pour essayer de le sortir d'affaire ? Parviendra-t-il à se faire une place dans sa fratrie qui ne croit pas en lui ? La prophétie de Dali se révélera bien plus qu’une simple chimère…

Dans une langue aussi imagée qu’enjouée, Balla Fofana nous livre un très beau premier roman, largement inspiré de sa propre histoire. Il y raconte l’exil à hauteur d’enfant, la violence sourde qu’il engendre, mais surtout la force d’une femme, sa mère, à laquelle il rend un magnifique hommage.

216 pages, Paperback

First published May 3, 2023

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Balla Fofana

3 books2 followers

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9 reviews
September 20, 2026
Esse livro foi uma boa surpresa. Relata a vida dura, de preconceitos e adaptações dos maleses na França dos anos 90/2000. Mais que um livro de “denúncia” e “panfletário” - afinal não é novidade para ninguém as dificuldades e os preconceitos vivenciados pela diáspora africana na Europa, o livro traz a figura de Dali, uma bruxa/vidente/prestigiadora que profetiza que a vida do protagonista Balla reserva um futuro mais próspero na pátria onde a família decidiu se estabilizar. Em um trecho de diálogo entre os dois, Dali diz “listar aquilo que nos falta sem nunca olhar para o que a vida nos oferece é um beco sem saída e cruel” e “… procure se lembrar que s ingratidão atrai reprovações, enquanto a gratidão nos enche de novos benefícios”.
1,518 reviews58 followers
October 2, 2023
J’ai aimé suivre Balla, le narrateur, depuis son départ avec sa mère et ses frères du Mali pour la France.

J’ai aimé son optimisme devant les changements : un ciel gris, les incessants changements de logements, les différents emplois de la mère.

J’ai aimé son regard sur les immigrés africains qu’il appelle Charlot pour les hommes (comme Charlie Chaplin dans Les Temps Modernes) et Atlas pour les femmes (car elles portent le monde sur leur dos).

J’ai aimé qu’il ne les appelle pas des immigrés mais des aventuriers, partis découvrir une nouvelle terre dans la jungle urbaine.

J’ai aimé qu’il demande à son auditoire de lui dire bàro, bàro, bàro avant qu’il ne commence, comme cela se fait au Mali.

J’ai découvert les « perfs », les élèves en classe de perfectionnement dont fait partie Balla, car il a du retard dans ses apprentissages.

J’ai aimé la joie qui règne dans la famille, même si rien n’est évident et facile.

Un roman qui mêle habilement l’enfant perdu devant une culture nouvelle et l’enfant qui réfléchit sur les us et coutumes de ce nouveau pays.

Quelques citations :

Elles parlent de « Premier » RER, « Premier » bus, « Premier » métro, comme si elles avaient un rang à tenir. Comme si elles avaient un métier de première classe. (p.56)

Ils disent « construire la France ». Leur femme disent « nettoyer la France ». (p.60)

L’image que je retiendrai :

Celle de Dali, l’amie de la mère, qui lit dans les cauris et rassure ainsi Balla.

https://alexmotamots.fr/la-prophetie-...
Profile Image for Dulcinea Silva.
298 reviews
October 7, 2026
A Profecia de Dali, de Balla Fofana, foi o livro enviado pela TAG para o mês de outubro e chega agora ao Brasil em sua primeira edição brasileira. Publicado originalmente na França em 2023, o romance, inspirado em grande medida na história do próprio autor, acompanha Balla desde a infância no Mali até sua vida na França e transforma uma história de migração em uma reflexão sobre identidade, pertencimento, educação e linguagem.


Depois que o pai abandona a família, Na decide partir com os cinco filhos para a França em busca de um futuro melhor. Balla tem apenas seis anos quando chega a um país cuja língua e códigos sociais desconhece. Na escola, sua dificuldade com o francês e seus problemas de fala são interpretados como sinais de incapacidade intelectual, e ele é encaminhado para uma classe de perfectionnement. O menino que ainda não consegue se expressar é rapidamente transformado, aos olhos da instituição, em alguém que não seria capaz de aprender.


É justamente aí que o romance apresenta uma de suas questões mais interessantes: quem tem o poder de definir a inteligência de uma criança? Balla passa a se enxergar através do olhar daqueles que o consideram menos capaz, até encontrar professores que conseguem perceber o que aquela classificação não enxergava. A educação, que inicialmente funciona como mecanismo de exclusão, aos poucos se transforma em uma possibilidade de abertura.


Essa trajetória ganha uma dimensão ainda mais interessante por causa de Dali, uma griotte ligada à tradição oral da África Ocidental. Guardiã da memória e da transmissão de histórias, ela profetiza que Balla terá um futuro extraordinário. Sua presença impede que o Mali apareça apenas como o lugar que a família deixou para trás: Dali representa uma tradição de conhecimento que acompanha Balla para além da fronteira. Existe uma bela ironia nisso, porque o menino que recebe da tradição oral a previsão de um futuro grandioso acabará encontrando na escrita a maneira de realizar essa profecia.


Outro aspecto que me chamou atenção foi a inversão do olhar. Estamos acostumados a narrativas de imigração em que o personagem chega a uma sociedade estrangeira e precisa aprender seus códigos. Aqui, Balla também observa a França e estranha aquilo que vê. Seus hábitos, sua família, sua alimentação, sua escola e suas referências malianas fazem com que aquilo que parece absolutamente normal para os franceses também possa parecer estranho para ele. O estrangeiro não é apenas aquele que precisa ser compreendido; é também aquele que olha, compara e devolve o olhar.


Essa perspectiva se relaciona com a expressão “Nutella-baguete e leite-Kellogg’s”, usada para falar de uma geração de filhos de imigrantes que cresce na França e que, na tentativa de se integrar, pode acabar se afastando das próprias raízes. Balla ocupa uma posição diferente: chega à França ainda profundamente ligado ao Mali e precisa aprender a viver em um país que não escolheu, sem que isso apague aquilo que trouxe consigo. Sua identidade não nasce de uma escolha entre dois mundos, mas da experiência de ser atravessado pelos dois.


Por isso, a educação e, principalmente, a literatura ganham tanto peso. “Quem não é instruído vive na escuridão” é uma das ideias que atravessam o livro. Aprender significa adquirir instrumentos para compreender o mundo; escrever significa conquistar o direito de dizer quem se é. Depois de uma infância em que os outros insistem em defini-lo, Balla encontra na literatura uma maneira de recuperar a própria voz.


“Escrevo contra a vida infame e as mesquinharias. Retribuo com as minhas únicas armas à disposição: a paciência e a poesia.”


A frase sintetiza bem o movimento do romance. A resposta de Balla às pequenas violências da vida não é apagar o passado ou rejeitar suas origens, mas transformar a experiência em narrativa. A profecia de Dali se realiza, afinal, não simplesmente porque Balla alcança um futuro extraordinário, mas porque ele encontra nas palavras uma maneira de compreender o mundo e de construir a si mesmo.


A Profecia de Dali de Balla Fofana; tradução Bernardo Alzenberg. Porto Alegre: Tag Experiências Literárias, 2026. 144p. Leitura de Outubro 2026.


Se você gosta de análises literárias e reflexões sobre livros, culturas e ideias, publico versões mais extensas deste e de outros textos em meu blog https://mundafora.wordpress.com. Também compartilho ensaios e leituras no meu Substack: https://substack.com/@soudulce
Profile Image for Lays Pinotti.
37 reviews
October 4, 2026
“Ler é deixar entrar no seu coração personagens que não têm nada a ver com você, mas que acabam por ser você, por mudá-lo, por fazê-lo crescer. Ler é sofrer através de outras pessoas para nunca esquecer que nenhuma dor é órfã. Não sei se a profissão existe, mas quando eu for grande, quero ser leitor”


“A profecia de Dali” é mais do que um livro: é uma lição sobre o nosso papel em um mundo que nos julga pelo exterior antes mesmo de abrirmos a boca. Por meio da perspectiva de Balla, um garoto de seis anos que acaba de se mudar do Mali para a França, conhecemos uma realidade distante da nossa, que confronta muito do que nos é apresentado como “normal” pela visão ocidental.

O olhar de uma criança que cresce ao longo da história, conforme a narrativa se desenvolve, apresenta-nos uma realidade percebida com ingenuidade, que diverge daquilo a que estamos acostumados. Ao acompanharmos seus questionamentos sobre modos de falar, de se portar e até mesmo de pensar, somos levados a refletir se o errado é realmente o outro ou se o problema está na forma como fomos educados a enxergá-lo.

A escrita e, principalmente, a leitura e o conhecimento desempenham um papel crucial na narrativa. Esses elementos são apresentados não apenas como virtudes, mas como ferramentas necessárias para encontrarmos nossa própria voz em um mundo que tende a nos fazer falar em uníssono.
Profile Image for Lo.
39 reviews
September 30, 2026
coisa linda demais esse livrinho ;) e meio que tudo gira em torno de linguagem e sua capacidade de mudar a forma como a gente se relaciona com esse mundo. desde o começo em que aprender francês vira uma questão de se inserir socialmente e ser aceito, e ao mesmo tempo apagar tudo o que veio da sua origem porque carregar elas demonstra "fraqueza" e "atraso". e ele lutando contra tudo isso da forma mais bela através da educação que não aprisiona ele, porque quando ele lê a carta pra mãe no fim traduzindo sua língua pro francês, mas com cuidado e navegando entre as duas línguas sem dar poder e nem tirar delas
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Tony.
12 reviews2 followers
June 10, 2025
Une jolie histoire « coming of age » au sujet d’un jeune garçon immigré du Mali, Balla, accompagné de sa mère et de ses frères, et découvrant la France, à travers l’école, ses camarades de classe et sa famille.

J’ai beaucoup aimé l’emploi des mots en kagoro (étant passionné de langues étrangères, et curieux de langues africaines en particulier), mais aussi l’utilisation (ou plutôt la réinterprétation) de mots français que Balla, petit, ne sait pas prononcer. Cela m’a rendu le récit encore plus réaliste, pour moi qui ai vécu et ressenti les mêmes choses que Balla. J’ai pu m’identifier à beaucoup d’éléments relatés dans le livre, notamment l’importance de l’éducation et de l’enseignement pour la griotte Dali, le rapport de Balla avec sa famille, avec les adultes de son entourage, avec son père, éloigné, ainsi qu’à la lecture et à l’écrit. L’ « énergie féminine » qui émane de Balla, telle que la décrit Dali, est aussi quelque chose qui me parle.

Le personnage qui m’a le plus marqué est celui de la charismatique et éloquente griotte, Dali. Sans entrer dans les détails, elle change profondément la vie de Balla, en commençant par son estime de lui-même. J’ai beaucoup aimé les nombreux conseils qu’elle distille à Balla, d’un sens très profond, et je n’ai pas pu m’empêcher de me les réapproprier. Si je ne devais retenir que deux messages transmis par Dali à Balla, ce serait ceux-là :

« Oh n’den, puisse Allah nous protéger de l’ingratitude du cœur. A force de ne regarder la vie que du côté où le bât blesse, l’ingrat finit par faire corps et âme avec son strabisme. L’ingratitude est le tombeau de l’humanité. Ceux qui s’y vautrent sont condamnés à voir le monde à travers un nuancier terne et limité. Ils ont renoncé au souvenir des bienfaits reçus ; Ils empruntent alors le chemin tortueux qui débouche sur l’impatience, l’injustice, l’intolérance, la convoitise, et fatalement la trahison. Ils ont fait une croix sur le bonheur. Tâche de te souvenir que l’ingratitude attire les reproches, comme la reconnaissance nous comble de nouveaux bienfaits. Balla, le jour s’en va, la nuit d’en vient ; mais ne laisse jamais le soleil se coucher sur tes tourments ».

« Certains te classeront dans la caste des « pauvres », la caste des « Noirs », la caste des « enfants d’immigrés » (…). Ces castes arbitraires qui te sont imposées, si tu ne les combats pas, elles effaceront ton histoire, ton intimité, ta manière d’interagir avec l’univers (…). Car cette définition étriquée de toi-même portera les preuves irréfutables de ton aliénation. Les statistiques te proposent un destin collectif, tout en niant ton unicité. (…) Marre-toi car cette prophétie ne t’est pas destinée »

Ces paroles ne sont-elles pas d’excellents principes de vie ? Pour ma part, elles sonnent comme un rappel bienvenu et à transmettre à tous. A tous !

Malgré un style quelques fois un peu lourd et des tournures un peu ampoulées, la lecture est très agréable, et j’ai pris plaisir à suivre les aventures de Balla tout au long du livre.

J’adorerais suivre Balla dans ses pérégrinations et en particulier dans la suite de ses études !
Profile Image for Léa.
31 reviews5 followers
Read
January 22, 2024
"Lire c'est faire entrer dans ton cœur des personnages qui n'ont rien à voir avec toi, mais qui finissent pas être toi, par te changer, te faire grandir. Lire c'est souffrir à travers d'autres personnes pour ne jamais oublier qu'aucune peine n'est orpheline. Je ne sais pas si le métier existe mais quand je serai grand, je veux être liseur."
(p.173)
Profile Image for France Gagnon.
8 reviews1 follower
October 1, 2023
Suite à cette lecture, j'ai la curiosité de lire La rage de vivre, que l'auteur à co-écrit.
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