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Agora, Agora e Mais Agora: Seis Memórias do Último Milénio #1

O Prospeto e Memória Primeira: Do Fanatismo

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O agora, agora e mais agora de vários passados sucessivos talvez ajude a iluminar melhor o presente (e o futuro?) do que saturarmo‑nos de tudo aquilo que nos acontece hoje. Esta colecção de livros, que foi também um podcast, recupera seis memórias do último milénio — uma história alternativa da modernidade, e dos conceitos que confluíram na noção de dignidade e direitos humanos, através dos agoras dos nossos antepassados.

Antes do ano 1000, um jovem músico parte da Ásia Central e faz aquilo a que chamamos Rota da Seda para estudar grego e filosofia em Bagdade, onde muçulmanos, cristãos e judeus representam apenas algumas das religiões de um território antes dominado por zoroastrianos. O seu nome é Al Farabi, que deu origem à palavra portuguesa «alfarrábio»; os seus admiradores chamaram‑lhe «o segundo professor», depois de Aristóteles. A sua missão foi tentar resgatar a possibilidade do conhecimento filosófico numa era de crescente pensamento único da verdade revelada religiosa. Saber se o conseguiu ou não só se decidirá do outro lado do continente, na Península Ibérica.

Esta é a memória primeira de Agora, Agora e mais Agora: Seis memórias do último milénio. O seu tema é o fanatismo.

112 pages, Paperback

First published February 16, 2023

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About the author

Rui Tavares

49 books493 followers

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Beatriz Baptista.
171 reviews84 followers
June 25, 2025
4/5 ⭐️

“Como é bem sabido, aquilo a que costumamos chamar Ocidente bebeu as fontes do seu pensamento em grande medida no Oriente.”


obrigada rui tavares por existires e partilhares a tua cultura e sabedoria com o mundo, de uma forma tão simples e acessível.

neste prospeto & memória primeira temos, segundo o próprio autor, um “resumo de intenções por detrás da edição de uma obra literária, na tentativa de conseguir angariar suficientes assinantes e interessados”.

partindo de alguns factos e peripécias relacionados com a sua família — que justificam o nome desta coleção —, rui tavares reúne nestas 6 memórias “histórias de outros momentos”, nos quais também se colocaram “questões centrais do nosso tempo”, relacionadas com religião, filosofia, política e o “colapso na confiança cívica”.

esta primeira memória foca-se no fanatismo , o seu protagonista é um filósofo muçulmano medieval chamado Al Farabi, de cujo nome se formou a palavra portuguesa «alfarrábio» e lidamos com o iluminismo perdido da ásia central, da mesopotâmia e do mediterrâneo oriental, até ao fim do primeiro milénio da era cristã. a segunda será sobre polarização , a terceira sobre globalização , a quarta sobre emancipação , a quinta sobre ódio , a sexta não tem uma palavra definida, sendo-lhe atribuída pergunta e por último, um sétimo volume, o epílogo .

gostei muito de refletir sobre o mundo, mais ou menos 500 anos antes do nascimento de cristo, através de aristóteles, platão e sócrates; a riqueza e diversidade que existia no médio oriente de Al Farabi — no ano de 900 d.C. mas que devido às diferentes crenças naquela região, correspondia a uma data completamente diferente, noutros calendários religiosos; o zoroastrianismo, uma religião muito mais antiga que o cristianismo, o islão e judaísmo, com o seu profeta Zaratustra (sim, o mesmo de Nietzsche); e por fim, as ideias de Al Farabi, com alguma influência (a favor ou contra) de aristóteles:

Partindo de Aristóteles, Al Farabi vai definir os seres humanos como os «membros daquela espécie que não consegue alcançar aquilo de que necessita sem viver junta, em muitas associações ou num único lar».

(…) os humanos têm de viver juntos. Como cada um dos seres humanos nunca é autossuficiente, como cada um de nós faz apenas uma parte das coisas de que necessita e precisa dos outros para obter as restantes coisas de que precisa todos os dias, os humanos têm de viver em associação (…).

(…)a humanidade inteira (…) é também uma comunidade política. E essa comunidade política terá de ser multirreligiosa(…).

(…) ao contrário dos filósofos gregos, Al Farabi é otimista em relação à democracia. Aristóteles tinha dito que a democracia redundava sempre em «tirania da maioria».

E, portanto, estas três chaves de pensamento — a humanidade é sempre uma comunidade política, independentemente das suas várias fronteiras; o objeto da política e o objeto da filosofia são a conquista da felicidade, não na eternidade mas sim nas nossas vidas, à qual se chega através da sabedoria; a possibilidade de, através da democracia, chegar à cidade virtuosa —fazem de Al Farabi um filósofo que dialoga muito bem não só com a filosofia antiga, (…) e surpreendentemente, com a nossa própria época, que tanto precisa dessas três ideias.


uma quarta ideia de Al Farabi, tem que ver com um elemento do discurso político a que aristóteles chama paresia ou parésia: falar com sinceridade, com franqueza, não dizendo nada de menos nem nada de mais:

Este «falar franco» de Aristóteles opõe-se a dois defeitos do discurso que são hoje característicos do discurso político: os defeitos do eiron, ou ironista; e os defeitos do alazon, ou fanfarrão.

O político que diz menos do que deveria dizer padece do pecado de insinceridade, Portanto, a ironia, entendida como característica do discurso que não diz tudo o que há para dizer, torna-se um defeito político, e de facto hoje os líderes políticos não dizem tudo aquilo que deveriam dizer. Não dizem toda a verdade acerca das coisas que os rodeiam. Quando isso acontece durante demasiado tempo, podemos ir parar ao outro extremo.

O outro extremo é o (…) fanfarrão, aquele que exagera, que diz sempre mais do que aquilo que deveria dizer, é aquele que perante a realidade nos dá sempre uma leitura extremada, caricatural, grotesca. O alazon é um político potencialmente muito eficaz porque, cansadas de ouvir políticos insinceros, as pessoas começam a aproximar-se dos políticos fanfarrões, gabarolas, exagerados, demagogos. As pessoas sabem que esses políticos também mentem - não por omissão, mas por exagero - porém algo no fanfarrão nos sugere que, ao mentir, ele é autêntico. Toda a gente sabe que ele é mentiroso - claro que ele mente! —, mas é um mentiroso autêntico, sincero na sua mentira, desbragado na sua fanfarronice e, portanto, de certa forma sedutor.

Aristóteles e Al Farabi consideram que a única maneira de ultrapassar este dilema é através da parésia, ou seja, do falar francamente e através da sinceridade.


recomendo a qualquer pessoa que tenha interesse em história, política, religião e filosofia, mesmo aqueles que, como eu, seguiram áreas científicas e podem achar que não têm as bases necessárias para apreciar esta leitura.

✧˖°˖ boas leituras ! ─────── ☾•
Profile Image for Manuel Pinto.
149 reviews6 followers
March 25, 2023
Não é qualquer um que escreve sobre os seus antepassados, sobre Filosofia, sobre História e Religião e Política, tudo ao mesmo tempo mas de forma clara.

"Make Aristotle great again, tem haver com um elemento do discurso político a que Aristóteles chama parecia ou parésia: falar com sinceridade, com franqueza, não dizendo nada de menos nem nada de mais."
Profile Image for Carolina Bento.
117 reviews7 followers
January 18, 2024
Um livro que começa e acaba com um filósofo (quase) esquecido e pelo meio nos leva numa viagem pela (in)tolerância religiosa.
Profile Image for R.B..
Author 1 book6 followers
August 12, 2023
Tendo já ouvido o podcast que dá origem a esta série mais de uma dúzia de vezes, foi com grande expectativa que aguardei pela publicação dos livros. A expectativa poderia ser talvez grande demais, porque no fim fico com a satisfação que sempre me dá regressar ao Agora, agora e mais agora, mas neste caso com a desilusão de esta versão em papel acrescentar pouco para lá da bibliografia.

Para princípio de conversa, o nível da edição merece algumas palavras. O índice de imagens, com a respectiva legenda, em capítulo autónomo não é prático. Chegado à segunda conversa já nem me lembro de que imagens estar à espera, e reverter constantemente para outro capítulo lembra mais uma Aventura Fantástica, só que aqui com quebras evidentes no ritmo de leitura. A obra final, um pouco contrário ao que a Tinta da China nos habituou ainda tem várias gralhas. Diria que pelo menos uma por conversa, o que se para outras editoras seria bom, neste caso é uma queda de controlo editorial.

Passando ao texto propriamente dito, acaba por haver alguma desilusão. Mormente a correcção de alguns lapsos próprios da oralidade de um podcast, o texto em si desilude por acrescentar pouco ao que é o podcast. Pode ser uma questão de expectativa, mas esperava mais desenvolvimento do tema do fanatismo, nomeadamente na conversa final ( Make Aristotle Great Again ).

A memória em si é riquíssima em curiosidades e lê-se, passado um milénio sobre os factos, um pouco como o poema Ozymandias (de Percy Shelley), mas neste caso aplicado a uma Ásia Central que nos é longínqua e portanto desconhecida.

A conversa sobre calendários é uma brilhante descrição da expressão o tempo é relativo; a incursão pelo zoroastrianismo é feita de uma forma nada subtil de explanar como ele pode estar na base das religiões abraâmicas como as conhecemos, apesar das ressalvas de que tudo é especulação histórica. E o capítulo final acaba por ser algo desapontante porque, tal como no poema de Percy, ficamos sem saber como se perdeu esse iluminismo.

Temos então al-Farabi numa Bagdad multicultural, a conviver com a manta de retalhos religiosos da região e saltamos para al-Ghazali e ao seu Tahafut al-Falasifa como sinal do fanatismo emergente, e daí até à lenda de como al-Farabi terá morrido na mesma estrada de Damasco onde Saulo de Tarso terá visto luzes, apenas para a ressalva de como Averróis vai resgatar anos mais tarde al-Farabi, e "fim".
856 reviews
March 28, 2023
Faz lembrar, no título e no conteúdo, propositadamente, os textos do século XVIII, o que muito me agradou. Viaja-se no tempo com Rui Tavares e no espaço e conhecemos um músico e filósofo persa do século X surpreendentemente moderno e actual. Al-Farabi é esse filósofo, e do seu nome vem o substantivo alfarrábio, quase caído em desuso. Estou curiosa com os seguintes volumes.
Profile Image for ALF.
7 reviews
February 18, 2025
Esse livro é tão bom que agora minhas expectativas estão altas demais para todos os outros livros. É incrível com o Rui Tavares consegue apresentar tanto conteúdo e fatos históricos de um jeito tão divertido. Não dá para parar de ler.
Profile Image for Francisca.
23 reviews2 followers
June 12, 2025
A very well written and encompassing first approach to the life and work of philosopher Al Farabi, with a subtle hint of connection to the 21st century's changing attitudes towards religion, community, and diversity.
Profile Image for Nery Neto.
26 reviews
August 25, 2025
Aprendi muito com o livro, e tenho curiosidade de ler os demais. Porém não ficou claro pra mim por que esse livro se refere a fanatismo. E a edição não é das melhores, as páginas do índice de figura estão erradas.
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