O agora, agora e mais agora de vários passados sucessivos talvez ajude a iluminar melhor o presente (e o futuro?) do que saturarmo‑nos de tudo aquilo que nos acontece hoje. Esta coleção de livros, que foi também um podcast, recupera seis memórias do último milénio — uma história alternativa da modernidade, e dos conceitos que confluíram na noção de dignidade e direitos humanos, através dos agoras dos nossos antepassados.
Talvez nós, humanos, devêssemos cultivar agora, todos os dias, nos lugares onde nos podemos exprimir como nunca antes, a propensão para gostarmos de ouvir histórias dos outros. Damos opiniões, por vezes taxativas; opomo‑nos como os guelfos e os gibelinos; polarizamo‑nos, por vezes ao ponto de sentir que conceder qualquer ponto ao outro lado seria uma desonra ou uma traição. E muitas vezes bloqueamos com o entrecruzamento de opiniões. Mas as histórias não são opiniões. Elas carregam factos que existiram mesmo e com os quais podemos fazer uma tecelagem, não pondo de lado mas assumindo o peso das nossas opiniões. É esse o papel do historiador. Contar as nossas histórias é uma boa maneira de superar bloqueios: ao invés de impormos uma opinião a alguém, sugerimos uma de várias formas de responder aos nossos agoras, agoras e mais agoras.
Este é o sétimo volume de Agora, Agora e mais Agora: Seis memórias do último milénio, que contém o epílogo sobre o filósofo Bento Espinosa. O seu título é Figos e filosofia.
gostei tanto mas tanto desta coleção. é engraçado como o lado b da história do último milénio nos pode dizer tanto. o rui tavares nunca me desilude fr fr
Epílogo, com Espinosa a finalizar uma viagem por um rio que atravessa vários séculos e que tem em comum a existência de várias ideias partilhadas, mesmo sem que os seus autores saibam dessas relações, em várias geografias e tempos. Conclusão deliciosa.
O último desta espetacular coleção do Rui Tavares. “Contar histórias é talvez uma boa maneira de superar os nossos bloqueios, porque quando contamos uma história, ao invés de impormos uma opinião a alguém, estamos a sugerir uma de várias formas aos nossos agoras, agoras e mais agoras.”