A vida não é moleza por si só, com trabalho, contas para pagar e crises existenciais.
Imagina agora ainda ter que viver junto com um punhado de fantasmas!
Essa relação ambígua entre uma pessoa absolutamente comum (ou talvez só um pouquinho maluca) e os três fantasmas barulhentos, teimosos e sentimentais que a acompanham é retratada nesse livro com bom humor e em forma de tiras.
A história vai mostrar como é possível se livrar desses fantasmas... ou abraçá-los!
Dando sequencia a abordagem que iniciou no volume anterior, Lark retoma sua exposição a seus fantasmas com a mesma leveza, animosidade e pitadas de comédia. Aqui devo dizer que temos mais exposição na profundidade da jornada da autora, que mostra com uma narrativa mais forte sua trajetória para adotar a carreira de ilustradora, viver do que gosta e enfrentar os desafios que esse objetivo lhe apresentou.
É interessante ver o destaque em Victor, que à primeira vista pode ter sido marcado apenas como um sonhador imaginativo, principalmente considerando o volume anterior, e acompanhar como ele está intrinsecamente ligado à identidade criativa e essência da personagem e de quem ela quer vir a ser. É possível notar facetas mais evidentes em Leon também que casam perfeitamente com a personalidade atribuída a ele desde o volume anterior.
Enquanto a edição anterior remetia a focar na apresentação de um cotidiano vivendo com os paradigmas emocionais e que orientava na busca pela normalização da existência desses, essa edição, que ainda apresenta tirinhas situacionais mescladas com uma história linear ganha maior evidencia a partir dos dois capítulos finais, levanta reflexão na aceitação do que esses paradigmas podem dizer sobre propósitos e sonhos, e sobre como enfrentar questionamentos que podem intimidar a busca por eles.
Lark segue apresentando genialidade de forma sutil, leve e descontraída.