Entre o romance histórico e as narrativas de horror, Predestinados desenha uma Itália renascentista envolta pelas brumas do sobrenatural e as sombras do gótico
Na Itália do século XVII, os Manfredi são uma das famílias mais influentes de toda a Europa. Décadas fornecendo exércitos imbatíveis a reis e imperadores os tornaram donos de riquezas abundantes e respeitados por todos os cantos, seja no Vaticano ou no além. No entanto, a verdadeira fonte do poder deste clã é um segredo trancado a sete alguns membros da família são capazes não só de se comunicar com os mortos, mas também de fazer com que hordas de espíritos se curvem às suas vontades.
Quando o filho caçula do patriarca da família cumpre uma velha profecia e revela-se um necromante com um dom jamais visto, parece não haver limite para onde os Manfredi podem chegar. Em seu livro de estreia, Amanda Orlando nos apresenta um cenário tão complexo quanto fascinante, com rituais aterrorizantes, batalhas memoráveis, intrigas e paixões arrebatadoras.
Eu adorei a escrita, por mais que seja um livro longo, com capítulos e parágrafos enormes, a leitura flui muito bem por conta da escrita maravilhosa e claro, por causa da história que prende.
Todos os personagens fazem coisas horríveis, mas você torce pela família e quer ver até onde todas essas artimanhas vão dar. Estou louca para uma continuação.
São todos uns canalhas ambiciosos, mas você se compadece mesmo deles, chega até a torcer em alguns pontos. A tristeza da constatação dos seus papéis à seguir, da sua vida predestinada desde o nascimento, sem poder algum de escolha.
Também gostei muito dos capítulos com personagens secundárias narrando, inclusive conhecendo mais dos inimigos e suas motivações.
Em que pese todo o arcabouço histórico utilizado na trama, o enredo padece de erros incontornáveis que o torna tão bobo quanto os filmes da Marvel, por exemplo. A narrativa sofre grandes lapsos temporais, lembrando o estilo de um conto de fadas, em que se passam meses e anos em um parágrafo. Outra característica é a aparente conclusão fraca, que reforça a ideia de corte temporal, como uma crônica de um período, mais que de um romance fechado.
Uma narrativa muito assustadora, que mistura personagens históricos com seres fictícios capazes de atingirem uma quase imortalidade. Tenso, com muita violência, muito sangue, e muita misoginia.