Se desconoce el momento exacto en el que Emily Dickinson conoció a Susan Huntington Gilbert, pero hay constancia de su primera carta, enviada en 1850, que dio lugar a una intensa relación epistolar que se mantuvo durante cuatro décadas, hasta la muerte de Emily en 1886. Este volumen recoge una selección de aquellos textos, que trascendieron el mero intercambio de cartas y refuerzan la imagen de una mujer fascinante y adelantada a su época. Bajo la aparente banalidad de las cuestiones cotidianas, subyace la fuerza de una prosa inspirada por un amor incondicional y duradero, tanto que fue Susie quien cuidó de Emily en sus últimos días e hizo de custodia de su inestimable legado literario.
Emily Dickinson was an American poet who, despite the fact that less than a dozen of her nearly eighteen hundred poems were published during her lifetime, is widely considered one of the most original and influential poets of the 19th century.
Dickinson was born to a successful family with strong community ties, she lived a mostly introverted and reclusive life. After she studied at the Amherst Academy for seven years in her youth, she spent a short time at Mount Holyoke Female Seminary before returning to her family's house in Amherst. Thought of as an eccentric by the locals, she became known for her penchant for white clothing and her reluctance to greet guests or, later in life, even leave her room. Most of her friendships were therefore carried out by correspondence.
Although Dickinson was a prolific private poet, fewer than a dozen of her nearly eighteen hundred poems were published during her lifetime.The work that was published during her lifetime was usually altered significantly by the publishers to fit the conventional poetic rules of the time. Dickinson's poems are unique for the era in which she wrote; they contain short lines, typically lack titles, and often use slant rhyme as well as unconventional capitalization and punctuation.Many of her poems deal with themes of death and immortality, two recurring topics in letters to her friends.
Although most of her acquaintances were probably aware of Dickinson's writing, it was not until after her death in 1886—when Lavinia, Emily's younger sister, discovered her cache of poems—that the breadth of Dickinson's work became apparent. Her first collection of poetry was published in 1890 by personal acquaintances Thomas Wentworth Higginson and Mabel Loomis Todd, both of whom heavily edited the content.
A complete and mostly unaltered collection of her poetry became available for the first time in 1955 when The Poems of Emily Dickinson was published by scholar Thomas H. Johnson. Despite unfavorable reviews and skepticism of her literary prowess during the late 19th and early 20th century, critics now consider Dickinson to be a major American poet.
Não deixarei nunca de me espantar com a coincidência das nossas vozes quando estamos perante momentos-chave da nossa vida: em bebés, ensaiamos os mesmos vocábulos; quando crianças, esfolamos os mesmos joelhos; já adultos, sofremos os mesmos desgostos; e ao envelhecermos, não temos as mesmas cãs, mas antecipamos uma mesma urgência. E quando falamos daqueles que morrem demasiado cedo, e vivem intensamente, essa urgência parece tanto mais desesperada. É dessa forma que Emily Dickinson vive a sua amizade com Susan: numa urgência de afeto, de experiência, de retorno e da segurança que pressente não ter. A sua relação, no entanto — sejam pacientes que isto vai dar a algum lado, ainda que não onde possam esperar —, não me parece objeto que se possa escudar numa época e num contexto específicos. E se raramente defendo a leitura anacrónica, não consigo deixar de traçar aqui um paralelo que talvez (de certeza) revele mais sobre mim do que sobre Emily (claro) ou mesmo sobre a experiência desta leitura. Mas, para isso, talvez não seja de todo irrelevante lembrar que Emily conheceu Susan Gilbert poucas semanas antes de fazer 20 anos. E, dentro em breve, Susan viria a casar com Austin Dickinson, unindo-se, assim, de forma permanente, ao clã de Emily. Todavia, o seu casamento espiritual e intelectual dar-se-ia, efetivamente, com a poetisa:
Os sinos soam, Susie, a norte e a leste, a sul, e o sino do teu próprio povo, e as pessoas que amam a Deus esperam o reencontro; não vás, Susie, não te unas a elas, mas vem comigo esta manhã para a igreja que está nos nossos corações, onde os sinos sempre tocam e cujo pregador, que tem por nome Amor, intercederá por nós.
Pegando nas circunstâncias que separam e unem as duas mulheres, esta coletânea intitulada O resto é prosa — uma tradução das linhas que Emily dirige a Susan, a 9 de outubro de 1851: We are the only poets and everyone else is prose/ [somos as] únicas poetisas, e (...) o resto do mundo é prosa — oferece uma seleção tendenciosa da correspondência assinada por Dickinson (unilateral, logo relativamente inócua, até aqui não há como discutir), mas o que podemos retirar dela é o que me interessa sobremaneira, já que permite acompanhar a progressão de uma relação sentimental que borbulha de entusiasmo nos primeiros momentos (Então, quando chegar aquele momento que tanto desejamos, não nos separaremos. Nem a morte, nem mesmo o túmulo, poderá separar-nos, e assim só teremos amor!); que sofre altos e baixos, e atravessa zonas turbulentas (Sei que a minha querida Susie está ocupada, se não, não esqueceria da sua solitária Emily, que lhe escreveu assim que chegou a Manchester e que esperou com tanta paciência até que não aguentou mais, e o seu crédulo e pequeno coração, carinhoso, embora desamparado, terá pegado na sua caneta preta e longa e terá dito mais uma vez o quanto a estima); e desagua depois numa aceitação das diferentes forças que disputam o amor:
Ter uma Susan para mim é em si uma Felicidade. Se em qualquer reino me possa perder, Possas, Senhor, manter-me neste!
A partir daqui, quem defende que a relação de Emily e Susan é qualquer coisa que ultrapassa uma simples amizade, tende a reforçar as expressões sigilosas mantidas entre ambas e o caráter muitas vezes críptico dos subentendidos da sua correspondência. Não me vejo capaz de avaliar a extensão dos seus sentimentos (Emily Dickinson não me é assim tão familiar), todavia, não posso deixar de evocar a transcendência das suas palavras — Que os nossos corações sejam sempre puros, sempre tão limpos e belos, que nunca tenhamos vergonha) — e perguntar: será o amor físico/terreno compatível com essa dimensão de sublime? Onde quis chegar com tudo isto foi aqui: em inícios de 1870, Emily escreve uma carta que termina com as palavras: Sentes um pouco a minha falta, querida? Não sempre, mas pensa em mim de vez em quando. À sua leitura, e já que soavam tão familiares, comecei a perguntar-me se o meu dicionário afetivo era capaz deste exercício... Não era. E foi então que regressei ao início. Quem seria capaz desta intensidade? Onde a teria sentido anteriormente? A resposta ao déjà vu chegou tão prontamente como chegara a pergunta: «Pensa em mim de vez em quando, meu velho amigo», haviam sido as últimas palavras de John Lennon para Paul McCartney. Ora, e tenham um pouco mais de paciência, Emily e Susan nasceram com dias de diferença, a pouco mais de 20 km de distância e, durante várias décadas, habitaram a escassos metros; John e Paul, nasceram com dois anos de diferença, a cerca de uma hora a pé de distância, e cresceram a 15 minutos um do outro. Emily e Susan corresponderam-se durante três décadas, através de centenas de cartas; John e Paul contaram com uma parceria de poucos anos, mas juntos criaram um repertório de centenas de originais. A sua amizade, em ambos os casos mediada pela escrita, é interpretada como um vínculo espiritual, intelectual, amoroso e erótico; as suas palavras são escrutinadas, pesadas, ampliadas e disseminadas como fruto de um amor físico frustrado que viria a transparecer na poética dos pares: enquanto Emily e Susan se correspondiam com os termos «amiga», «irmã» e «querida», as músicas de McCartney-Lennon dialogavam com termos como «amigo» e «irmão». Mutuamente influenciadas, estas duplas precisavam da outra metade como a faísca criativa que os levava ao encontro de si mesmos; emocionalmente, viviam uma co-dependência afetiva tornada possível apesar dos riscos; profissionalmente, criavam uma estética que se auto-alimentava da ambivalência da sua expressão: Emily contou com Susan para tornar pública a sua correspondência e a dupla McCartney-Lennon criou uma simbiose autoral que, de forma equitativa, assumia a carga plástica das composições de um e outro. Perante isto, perguntei-me se, enquanto humanidade gregária, alguma vez seremos verdadeiramente capazes de acreditar no conceito de amizade, ou se é dessa dificuldade que surge a necessidade humana de erotizar ligações intensas? E, neste particular, virá a erotização cultural da forma como qualquer destes artistas escolheram negociar a sua amizade publicamente? Façamos uma última digressão: do latim, amicitia ou amīcitiāte, a amizade, segundo Cícero, nasce da aliança, entre justos e virtuosos, e tem a capacidade de se perpetuar para lá da morte. Baseada na aceitação do cumprimento de necessidades e prazeres mútuos, ela acontece entre semelhantes, dependendo de valores como a lealdade e a honestidade, e pode corresponder a diferentes graus. Aristóteles dividia estes graus, dos mais superficiais e vulgares aos mais sofisticados, entre amizade por utilidade, por prazer e, finalmente, por virtude — esta última reunindo utilidade, prazer e intimidade. Nas trocas entre Dickinson-Gilbert, e Lennon-McCartney, estas características estão lá: cada um é igualmente útil, agradável e íntimo do outro. Uma relação assim seria objetivamente lida como correspondente dos critérios filosóficos de amicitia clássica. 2000 anos depois, se já o cânone admite a intensidade e transcendência desta amizade, será ainda preciso adjetivar?
Eu não poderia beber, Sue, até que tivesses provado, embora mais fria que a água seja a sensação de sede.
mi novio me dice te amo pero emily le escribió a susan:
Sabes bien que tengo que escribirte desde abajo, abajo, en el mundo terrenal. Aquí no hay puesta de sol, no hay estrellas, ni siquiera un pedazo de crepúsculo que pueda poetizar y enviarte. Y, aun así, Susie, habrá poesía en el recorrido que hará la carta hasta llegar a ti: piensa en las colinas y en los valles, en los ríos que atravesará, en los cocheros y conductores que se apresurarán por llegar a ti. ¿No creará eso un poema que nunca podrá ser escrito?
Emily, escribes tan bonito, tan bien, tan profundo. Que belleza de librito, de cartas, de sentimientos.
Sara me dijo: “¿las cartas están muriendo?” Su “ojalá que no” tenía cierta duda, cierto miedo, cierta ansiedad al terminar con algo tan delicado y dulce.
Nunca, nunca podremos saber dónde terminará nuestra correspondencia. ¿Donde terminarán mis cartas? Sara y Carla: correspondencia neurodivergente, o tierna correspondencia, o correspondencia de unas amigas que se querrían ver más.
el hecho de que una poeta (¡y qué poeta!) escriba que no le salen las palabras para expresar lo mucho que quiere al amor de su vida me parece lo más bonito y tierno que se puede llegar a escribir jamás.
Un recopilatorio corto -cortísimo, por desgracia-, precioso y honesto, donde se ve claramente la intensidad y pureza con la que Emily sentía, y la maña y estilo que tenía para expresarlo.
También se ve, por supuesto, lo enamoradísima que estaba de Susan. No se sabe exactamente qué tipo de relación llegaron a tener, pero yo elijo creer.
Wow. Mi primera vez leyendo algo de Emily Dickinson y ya es mi favorita. Disfruté y sufrí cada página de este cortitito libro, ciertamente varias frases se quedaran conmigo para toda la vida. Gracias Emily por hacerme llorar en público mientras te leía, gracias porque al leerte sentí el abrazo que necesitaba.
"Tienes que dejarme marchar primero, Sue, porque habito en un mar constante y conozco el camino.
Me hubiese ahogado dos veces para salvarte del naufragio, querida. Si tan solo hubiera podido cubrir tus ojos para que no vieran el agua."
"Querida Susie, ya que nos complacemos con la idea de ser las únicas poetas, y que el resto del mundo es prosa."
Esta es una selección increíblemente concisa, tomando en consideración la cantidad de cartas que han sido editadas y que pueden ser revisadas en los archivos correspondientes. Por ello, me genera curiosidad el proceso de selección que hubo detrás de esta edición, tanto en la presentación de cada carta como en el contexto pertinente que se decide agregar y el que queda fuera. Eso no significa que no cumpla con un objetivo que creo que es fundamental en cuanto a leer las cartas que Emily enviaba a Susan Gilbert, y es el alejarla, al menos en una primera instancia, de aquella imagen que los primeros editores de sus obras decidieron imponerle para así hacer de su figura algo más "comprensible" y "comerciable".
Esta prosa epistolar, plagada de la misma lírica que sus poemas, nos da un vistazo algo más personal a las pasiones y anhelos personales de Dickinson, un deseo honesto y vívido por Susan Gilbert, expresado en palabras que desbordaban a ratos una clara vulnerabilidad que es distinta a lo que podría leerse en otros diálogos epistolares que compartió con sus otros cercanos. Es bastante peculiar.
Por todo lo anterior, la brevedad de esta colección se lee casi como un suspiro y tal vez se habría beneficiado de agregar un par de cartas más para hacer la transición entre ciertos periodos algo más suave, pero como acercamiento a este grupo de cartas, funciona.
Tercera vez leyendo una obra de Dickinson y puedo comprobar que es una poetisa que arrasa con los sentimientos que la atraviesan. Esa capacidad de transmitir con la fuerza de sus palabras tantas emociones que vivían junto a ella, algunas veces con un destello de tormento, otras con una alegría reveladora, y otras con la melancolía que oprimen el alma. Las cartas del inicio me fascinaron, Emily tenía sin dudas una perspicacia como pocas! No logró entender aún si es el ritmo que me transmitía a mí, pero la leí un tanto acelerada n.n con una intensidad de sentimientos pero también con una ansiedad para querer transmitir tantas palabras en poco tiempo. No sé si la personalidad de Emily habrá sido más bien sosegada y tranquila o por el contrario, nerviosa y ansiosa, pero lo que sí puedo afirmar sin ninguna duda, es que toda esa esencia de Emily supo ser una fuente de creación absoluta!
No suelo leer mucha poesía, algo de lo que en cierta manera me arrepiento… creo que de cierta manera aún convivo con ese rechazo que le tenía a los poemas en mi primera adolescencia. Siento que en esa edad no me supieron encauzar en este arte, y de haber leído a Emily y conociendo su historia, todo hubiese sido distinto🩶
En fin, una lectura avasalladora y que disfruté de principio a fin!!!
«Echarte de menos, Sue, es poder. El estímulo de la pérdida hace que las posesiones cobren significado. Vivir dura por siempre, pero amar es más sólido que vivir. Solo los corazones rotos han ido más allá de la inmortalidad».
«Escoge flores que no tengan colmillos, querida».
«Querida Sue: Con la excepción de Shakespeare, tú me has enseñado más que cualquier ser viviente».
«Sabes bien que tengo que escribirte desde abajo, abajo, en el mundo terrenal. Aquí no hay puesta de sol, no hay estrellas, ni siquiera un pedazo de crepúsculo que pueda poetizar y enviarte. Y, aun así, Susie, habrá poesía en el recorrido que hará la carta hasta llegar a ti: piensa en las colinas y en los valles, en los ríos que atravesará, en los cocheros y conductores que se apresurarán por llegar a ti. ¿No creará eso un poema que nunca podrá ser escrito?».
«Nos complacemos con la idea de ser las únicas poetas, y que el resto del mundo es prosa».
yo la amo a mi emily, igual de loquita enamorada que yo
“Echarte de menos, Sue, es poder. El estímulo de la pérdida hace que las posesiones cobren significado. Vivir dura por siempre, pero amar es más sólido que vivir. Solo los corazones rotos han ido más allá de la inmortalidad”.
“Querida Sue: Con la excepción de Shakespeare, tú me has enseñado más que cualquier ser viviente”
“Sabes bien que tengo que escribirte desde abajo, abajo, en el mundo terrenal. Aquí no hay puesta de sol, no hay estrellas, ni siquiera un pedazo de crepúsculo que pueda poetizar y enviarte. Y, aun así, Susie, habrá poesía en el recorrido que hará la carta hasta llegar a ti: piensa en las colinas y en los valles, en los ríos que atravesará, en los cocheros y conductores que se apresurarán por llegar a ti. ¿No creará eso un poema que nunca podrá ser escrito?”.
“Nos complacemos con la idea de ser las únicas poetas, y que el resto del mundo es prosa”.
to sue… 💌🏹 ay emily me has hecho sentir tanto pero tanto con tus cartas, haberme leído “el resto en prosa” me hizo reflexionar tanto sobre el amor incondicional, sobre el amor hacia otra mujer, sobre lo que es el sentir mismo, que daría por tomar una taza de café contigo, escribir una tarde y compartir nuestras historias nostálgicas mientras sacamos ideas para un nuevo texto, emily gracias por darme un refugio en tus letras.
No soy objetiva porque Emily para mí lo es t o d o pero esto es precioso 🥹 No puedo saber si Susan y Emily fueron amantes o amigas (o las dos) y tampoco estoy segura de que se haya alcanzado un acuerdo al respecto, pero la manera en la que Emily y eventualmente Sue se dirigen la una a la otra es precioso, un amor muy puro y desinteresado, y una elección de palabras de lo más poética (incluso en la prosa) ❤️🩹
Pequeña joya (tal vez demasiado pequeña) que me ha ayudado a ver a una Emily Dickinson más humana, menos cliché. ¿Por qué sus biógrafos insisten en decir que fue una mujer que no salió de su casa jamás, como si fuera una flor disecada? Estas cartas reflejan a un ser vivo de carne y hueso, poesía en movimiento, y no la estatua que decían.
Amor en estado puro. Honesto y bello. Las cartas nos invitan a inmiscuirnos, como observadores silenciosos conteniendo la respiración, en una intimidad profundamente humana, amorosa y luminosa, donde cada palabra es un acto de presencia y cada línea, una confesión sin artificio. Tan íntimo como sentarme a tu lado y conversar...
"Llevarse a nuestra Sue deja un mundo inferior, su cualidad es nuestro cielo más familiar. No es naturalezs, querida, sino lo que la naturaleza representa. El pájaro sería una criatura muda sin intérprete. Vuelve a casa y cuida del clima. [...]"