Jump to ratings and reviews
Rate this book

Quando a Lua Desce à Terra

Rate this book
Uma colecção de poemas traduzidos por Jorge Sousa Braga.

176 pages, Paperback

Published January 1, 2023

2 people are currently reading
20 people want to read

About the author

Various

455k books1,341 followers
Various is the correct author for any book with multiple unknown authors, and is acceptable for books with multiple known authors, especially if not all are known or the list is very long (over 50).

If an editor is known, however, Various is not necessary. List the name of the editor as the primary author (with role "editor"). Contributing authors' names follow it.

Note: WorldCat is an excellent resource for finding author information and contents of anthologies.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
7 (46%)
4 stars
5 (33%)
3 stars
2 (13%)
2 stars
1 (6%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,668 reviews567 followers
April 5, 2023
POEMA
Um animal no inverno,
uma planta na primavera,
um insecto no verão,
um pássaro no outono,
o resto do tempo sou uma mulher.

-Vera Pavlova, Rússia

Para uma compilação de poemas escritos por mulheres sobre coisas de mulheres, nenhuma capa poderia ser mais apropriada do que uma pintura de Artemisia Gentileschi que tanto sofreu física e intelectualmente por ser do sexo feminino.
“Quando a Lua Desce à Terra” apresenta poemas de autoras célebres como Sylvia Plath e Louise Glück, mas também de inúmeras que me eram desconhecidas e que adorei, como Anne Stevenson.

A VITÓRIA
Pensei que eras a minha vitória
embora me tivesses cortado como uma faca
quando te expulsei do meu corpo
para a tua vida.
Pequeno antagonista, sangrento,
azul como um hematoma. As manchas
da tua nuvem de glória
sangraram das minhas veias.
Como te atreves, coisa cega,
olhos vazios de insecto?
Tu feres o ar. Perfuras os ouvidos
com os seus gritos cortantes.
Caracol! Assustador nó de desejos!
Rosnar de fome! Pequeno filho.
Por que tenho de te amar?
Como me conseguiste vencer?

-Anne Stevenson, Inglaterra

Alegra-me também a diversidade geográfica e racial, com poetisas negras e sul-americanas (incluindo uma azteca!), a primeira poeta laureada pertencente a uma tribo nativa dos EUA e também de proveniências como Nova Zelândia, Israel, Japão, Índia e Líbano.
Aqui podemos encontrar títulos tão sugestivos como “Ode ao Tampão”, “Ode ao Clitóris”, “O Meu Triângulo Preto, “Mamas”, “Tomates” e um que me lê os pensamentos: “O que Penso Quando Alguém Usa ‘Conas’ como Sinónimo de ‘Fraco’”.
Nem todos os poemas, porém, são descarados ou provocadores. Composições como “Mastectomia”, “Placenta”, “Poema do Bebé que não Chegou a Ser” e “Pós-Parto” são bastante intimistas e pungentes.

POEMA AO MEU ÚTERO
tu útero
foste paciente
como uma peúga
enquanto albergaste
os meus filhos mortos e vivos
agora
querem remover-te
como uma meia de que não precisarei mais
para onde vou
para onde estou a ir
velha rapariga
sem ti
útero
minha pegada sangrenta
minha cozinha de estrogénios
meu saco preto do desejo
onde posso ir
descalça
sem ti
onde podes tu ir
sem mim

-Lucille Clifton, EUA

Já antes elogiei Jorge Sousa Braga pelo seu gosto eclético e irrepreensível, por dar a conhecer em Portugal poetas de que nunca ouvi falar, mas nesta colectânea nem sempre concordei com as suas opções de tradução e parece-me que um par de olhos feminino poderia para limar arestas, mesmo estando a transposição para português a cargo de um obstetra. Por exemplo, tive de procurar a definição do termo “fogachos”, porque para mim “hot flashes” sempre foram “afrontamentos”, e se uma mulher puxasse (push) durante um parto, creio que a espécie humana estaria em vias de extinção.
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
April 3, 2023
"Li outros livros, claro. Recentemente aprendi como as árvores comunicam entre elas
a maneira como enviam açúcar através das suas raízes para as árvores que estão doentes.
Elas não usam palavras, mas pode-se dizer que se amam."

Excerto de "Epistemologia", Catherine Barnett

***

"A soma das tuas partes é o meu maior e mais bonito
mapa das constelações — o teu peito esquerdo
na minha boca de novo. Tu sabes que terás de ser
da tua idade. Enquanto estou deitada a teu lado cobre-me
como uma nuvem de oiro, as mãos em todos os lugares, por último
dentro de mim, onde eu confio em ti, então a tua língua
onde eu preciso de ti. Quero que me faças vir."

Excerto de um poema sem título, de Marilyn Hacker

***

"acaricio-te
adoro-te
com as pontas dos meus dedos... com as palmas...
o teu caralho cresce e lateja nas minhas mãos
uma revelação / como Afrodite sabia
houve um tempo em que os deuses eram mais puros
/ lembro-me de noites entre as madressilvas
os nossos sucos mais doces que o mel
/ éramos o templo e o deus todo /"

Excerto de "Poema de Deus/ Amor", Lenore Kandel

***

"O sangue menstrual é a única fonte de sangue
que não é provocada por um traumatismo.
No entanto, na sociedade moderna, este é
o sangue escondido, aquele de que raramente se fala
e que nunca é exibido,
exceto em privado pelas mulheres, que se fecham
em pequenos quartos rapidamente e talvez com desgosto
para trocarem os pensos e os tampões,
embrulhando o algodão ensanguentado para que não seja visto
por outros, enrugando os rostos com o odor,
lavando ou escondendo a evidência."

Excerto do poema "Todo o sangue é sangue menstrual", Judy Grahn

***

Este livro reúne poemas da autoria de mulheres que revelam alguns elementos idiossincráticos do corpo feminino: desde o desejo sexual à menstruação, passando pela maternidade, a selecção e as traduções de Jorge Sousa Braga colocam-nos em contacto com um universo que durante milénios se manteve privado. E há ainda um (largo) caminho a percorrer e a descodificar: há ainda que esclarecer o prazer feminino e a liberdade sexual, a menopausa ou a naturalidade do sangue menstrual (o poema de Judy Grahn é excelente a explorar esta questão)... Talvez alguns destes poemas sejam poemas que podem mudar o mundo.
Profile Image for Rita Tomás.
124 reviews9 followers
December 30, 2023
“Tinha um poema em mim a uivar à vida real, mas nenhuma linguagem para o escrever. O nevoeiro veio espesso, batendo ao redor dos meus pés como cobertores, desenrolando-se. Fiquei com medo de ter uma filha.”
Profile Image for Esforçonulo.
138 reviews5 followers
February 19, 2025
bué slay, peridote e outras cenas, este foi mm para as girlies!!!

a maior parte são escolhas sólidas, com traduções justas, a larga maioria do inglês. uma ou outra questionável, assim como umas quantaas brilhantes. curti.
Profile Image for beatriz brito.
71 reviews4 followers
January 17, 2024
o preferido:

um animal no inverno,
uma planta na primavera,
um insecto no verão,
um pássaro no outono,
o resto do tempo sou uma mulher.

//
simples assim.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.