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POEMA Um animal no inverno, uma planta na primavera, um insecto no verão, um pássaro no outono, o resto do tempo sou uma mulher. -Vera Pavlova, Rússia
Para uma compilação de poemas escritos por mulheres sobre coisas de mulheres, nenhuma capa poderia ser mais apropriada do que uma pintura de Artemisia Gentileschi que tanto sofreu física e intelectualmente por ser do sexo feminino. “Quando a Lua Desce à Terra” apresenta poemas de autoras célebres como Sylvia Plath e Louise Glück, mas também de inúmeras que me eram desconhecidas e que adorei, como Anne Stevenson.
A VITÓRIA Pensei que eras a minha vitória embora me tivesses cortado como uma faca quando te expulsei do meu corpo para a tua vida. Pequeno antagonista, sangrento, azul como um hematoma. As manchas da tua nuvem de glória sangraram das minhas veias. Como te atreves, coisa cega, olhos vazios de insecto? Tu feres o ar. Perfuras os ouvidos com os seus gritos cortantes. Caracol! Assustador nó de desejos! Rosnar de fome! Pequeno filho. Por que tenho de te amar? Como me conseguiste vencer? -Anne Stevenson, Inglaterra
Alegra-me também a diversidade geográfica e racial, com poetisas negras e sul-americanas (incluindo uma azteca!), a primeira poeta laureada pertencente a uma tribo nativa dos EUA e também de proveniências como Nova Zelândia, Israel, Japão, Índia e Líbano. Aqui podemos encontrar títulos tão sugestivos como “Ode ao Tampão”, “Ode ao Clitóris”, “O Meu Triângulo Preto, “Mamas”, “Tomates” e um que me lê os pensamentos: “O que Penso Quando Alguém Usa ‘Conas’ como Sinónimo de ‘Fraco’”. Nem todos os poemas, porém, são descarados ou provocadores. Composições como “Mastectomia”, “Placenta”, “Poema do Bebé que não Chegou a Ser” e “Pós-Parto” são bastante intimistas e pungentes.
POEMA AO MEU ÚTERO tu útero foste paciente como uma peúga enquanto albergaste os meus filhos mortos e vivos agora querem remover-te como uma meia de que não precisarei mais para onde vou para onde estou a ir velha rapariga sem ti útero minha pegada sangrenta minha cozinha de estrogénios meu saco preto do desejo onde posso ir descalça sem ti onde podes tu ir sem mim -Lucille Clifton, EUA
Já antes elogiei Jorge Sousa Braga pelo seu gosto eclético e irrepreensível, por dar a conhecer em Portugal poetas de que nunca ouvi falar, mas nesta colectânea nem sempre concordei com as suas opções de tradução e parece-me que um par de olhos feminino poderia para limar arestas, mesmo estando a transposição para português a cargo de um obstetra. Por exemplo, tive de procurar a definição do termo “fogachos”, porque para mim “hot flashes” sempre foram “afrontamentos”, e se uma mulher puxasse (push) durante um parto, creio que a espécie humana estaria em vias de extinção.
"Li outros livros, claro. Recentemente aprendi como as árvores comunicam entre elas a maneira como enviam açúcar através das suas raízes para as árvores que estão doentes. Elas não usam palavras, mas pode-se dizer que se amam."
Excerto de "Epistemologia", Catherine Barnett
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"A soma das tuas partes é o meu maior e mais bonito mapa das constelações — o teu peito esquerdo na minha boca de novo. Tu sabes que terás de ser da tua idade. Enquanto estou deitada a teu lado cobre-me como uma nuvem de oiro, as mãos em todos os lugares, por último dentro de mim, onde eu confio em ti, então a tua língua onde eu preciso de ti. Quero que me faças vir."
Excerto de um poema sem título, de Marilyn Hacker
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"acaricio-te adoro-te com as pontas dos meus dedos... com as palmas... o teu caralho cresce e lateja nas minhas mãos uma revelação / como Afrodite sabia houve um tempo em que os deuses eram mais puros / lembro-me de noites entre as madressilvas os nossos sucos mais doces que o mel / éramos o templo e o deus todo /"
Excerto de "Poema de Deus/ Amor", Lenore Kandel
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"O sangue menstrual é a única fonte de sangue que não é provocada por um traumatismo. No entanto, na sociedade moderna, este é o sangue escondido, aquele de que raramente se fala e que nunca é exibido, exceto em privado pelas mulheres, que se fecham em pequenos quartos rapidamente e talvez com desgosto para trocarem os pensos e os tampões, embrulhando o algodão ensanguentado para que não seja visto por outros, enrugando os rostos com o odor, lavando ou escondendo a evidência."
Excerto do poema "Todo o sangue é sangue menstrual", Judy Grahn
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Este livro reúne poemas da autoria de mulheres que revelam alguns elementos idiossincráticos do corpo feminino: desde o desejo sexual à menstruação, passando pela maternidade, a selecção e as traduções de Jorge Sousa Braga colocam-nos em contacto com um universo que durante milénios se manteve privado. E há ainda um (largo) caminho a percorrer e a descodificar: há ainda que esclarecer o prazer feminino e a liberdade sexual, a menopausa ou a naturalidade do sangue menstrual (o poema de Judy Grahn é excelente a explorar esta questão)... Talvez alguns destes poemas sejam poemas que podem mudar o mundo.
“Tinha um poema em mim a uivar à vida real, mas nenhuma linguagem para o escrever. O nevoeiro veio espesso, batendo ao redor dos meus pés como cobertores, desenrolando-se. Fiquei com medo de ter uma filha.”
bué slay, peridote e outras cenas, este foi mm para as girlies!!!
a maior parte são escolhas sólidas, com traduções justas, a larga maioria do inglês. uma ou outra questionável, assim como umas quantaas brilhantes. curti.