Melhores trechos: "...Nossa subjetividade, ou seja, aquilo que é particular e individual da gente, é ocultada pelo que devemos ser, por como devemos nos portar e até mesmo em que devemos pensar... Quando você termina e começa a compartilhar essas situações com outras pessoas, percebe como isso é comum. Mas o amor não vai fazer você duvidar de si mesmo, em momento algum; ele não vai te fazer ficar para baixo em momento algum... Quem discutia sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos anos 1970? Por isso, ninguém nunca olhou para as peculiaridades do Fábio com um olhar humano. Nem mesmo na escola, onde o garoto tinha muitas dificuldades em matemática, por exemplo – o que mais tarde ele entendeu ser discalculia, muito comum em pessoas autistas. Aliás, a falta de informação e conhecimento sobre autismo é o principal motivo pelo qual a condição ainda é vista com muito preconceito e por haver muitas pessoas adultas recebendo diagnósticos tardios, assim como o Fábio. É legal conviver com pessoas iguais a você e ver que não precisamos de uma solução, porque somos perfeitos... Podemos ficar tristes, deprimidas, mas não podemos perder tempo com isso. É besteira! Temos vida pela frente... A mudança nem sempre significa negar o passado, mas, sim, aceitar que a vida é feita de movimento. O importante nisso tudo é se permitir fluir em sua identidade. Perceber que, enquanto estamos vivos, passamos por transformações e mudanças. Nem sempre teremos os mesmos objetivos, gostos e propósitos, e isso não é estar perdido, apesar dos julgamentos e dedos apontados por todo lado. Enquanto estivermos vivos, vamos nos transformar em uma versão atualizada de mesmos... É necessário aceitar o inevitável, por mais turbulento que seja, e aprender com ele que as transformações chegarão. Afinal, a vida é feita de mudanças... A vida é legal quando tem compartilhamento e convivência. A partir do momento que não tem mais, cada um segue o seu caminho... Cada pequena mudança é um parágrafo novo que se inicia; cada grande mudança, um novo capítulo. Por mais que as coisas possam mudar, quem continua escrevendo somos nós mesmos!... Em momentos em que a mudança não é uma possibilidade, a compreensão pode vir a ser um caminho. Diferente de mudar, compreender não é aceitar; é interpretar, entender. Entretanto, muito do que a gente aprende sobre compreensão está ancorado no sentido de sermos complacentes e tolerantes, porque está diretamente ligado (a nosso ver, de forma errônea) à generosidade. Por exemplo, conseguimos compreender a dor, a raiva, a frustração, mas isso não necessariamente quer dizer que devemos ser tolerantes com quem nos causou esses sentimentos, em especial quando falamos de acontecimentos que nos machucam física ou psicologicamente. A compreensão da qual falamos é a capacidade de entender que na vida há situações nas quais não temos para onde correr. A morte é um exemplo perfeito. Não cabe a nós decidir quando acontecerá, mas compreender a sua chegada..."