Esse livro traz dois tipos de contos diferentes. Alguns são reais, contam a história por trás de cada escravizado, cutucam a desumanização que passaram e que a gente perpetua quando os transforma em uma nação, um grande número, um capítulo do livro de História. Outros trazem um quê de fantasia, transforma dor em lenda, em magia, homenageia e vinga outra cultura.
Sobre o primeiro tipo, no começo achei o livro... fraco. Não é porque são contos que precisam ser superficiais. Fiquei pensando que foi raso demais, quase preguiçoso, tocar na possível história e força de escravizados dessa forma. Não precisa ser um grande livro como Kindred ou Defeito de Cor (nota mil pra ambos) pra explorar bem cada possível realidade que o colonizador apagou. E através de contos de Jarrid Arraes e da Cida Bento, por exemplo, sabemos que é possível se aprofundar em 4 páginas sim.
Poréééém foi só ao terminar que descobri que a autora (e os contos) são de Cuba. Aí tive que refletir e repensar tudo. Acho que minha sensação de superficialidade pode ser fruto de não ser a minha terra, meu povo e minha história, e portanto eu precisaria de mais contexto pra pegar tanto, pra sentir que aprofundou.
No fim, dou nota 3,5 (arredondada pra 4 estrelas), porque não deixa de ser bem bom o livro. Só não é tão incrível (quanto poderia ser) e impactante.