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136 pages, Paperback
First published November 16, 2022
Que lugar elas ocupavam na vida dele? Onde as mulheres de Jasmim habitavam nele? No entremeio do corpo dele? No entremeio dele todo como pessoa, como homem?
Foi preciso que esse homem, que se julgava perfeito, encontrasse com Eleonora Distinta de Sá, para que ele se atentasse para as próprias dores e para as que existem no mundo.
Juventina parece ter construído esses sentimentos sozinha. Amou e se apaixonou sozinha. Nunca soube, nunca experimentou a ressonância desses sentimentos, nunca viveu o retorno de uma paixão de Fio Jasmim para ela. Fez da vida só um tempo de amor só. Amou sozinha. Amou só. Só o amor dela para Fio Jasmim e nunca experimentou o de Fio Jasmim para com ela. Nuna buscou o mais profundo de Fio Jasmim. Nunca pediu nada a ele. Nem a presença. Seu corpo, seu amor, sua vida foram oferendas para o Fio Jasmim durante anos e anos.
Da mãe, sempre escutara que homem era o bicho mais perigoso, principalmente se fosse muito bonito. E completava a fala dizendo que eles não passavam de meninos grandes, que viviam agarrados às saias das mulheres em busca de proteção ou de brinquedo. Brinquedo esse em que, se a mulher não cuidasse, não desconfiasse ela mesma, o corpo dela poderia se transformar em joguinho nas mãos deles.
Que pai inventar para as filhas? Que mãe ser para as filhas? Ela não era invenção, era concreta, era palpável na vida das meninas. Como ser então? Como ser então? O pai nunca seria, como nunca foi o pai dela, vítima da brutalidade do avô Belizário. E o pai das meninas? Não era por quê? As meninas não terem pai, a culpa era dela por essa falta, essa ausência na vida de suas filhas.