Em VIDAS TRANS, quatro pessoas trans ? Amara Moira, João W. Nery, Márcia Rocha e Tarso Brant ? relatam aos leitores o momento no qual percebem que havia algo diferente, sobre o sentimento de inadequação perante os padrões exigidos, sobre os preconceitos e dores vividos dentro e fora da família, sobre o momento de transição e, enfim, da liberdade sentida por esta decisão. Em quatro relatos individuais, cada um conta sua história de vida, luta e militância ? constante e diariamente ?, em reafirmar o direito ao nome, ao corpo e à existência plena.
Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp e autora dos livros "E se eu fosse puta" (n-1 edições, 2023) e "Neca: romance em bajubá" (Companhia das Letras, 2024). Além disso, ela traduziu o livro de contos "Chuva dourada sobre mim" (Diadorim editora, 2024), da travesti argentina Naty Menstrual, e foi coordenadora do Museu da Diversidade Sexual em São Paulo, onde atualmente reside.
Os depoimentos de Amara Moira, João Nery e Márcia Rocha são excelentes e lançam uma luz sobre as dificuldades sociais e jurídicas da transição, já o depoimento de T. Brant destoa pela superficialidade do que tem a dizer. Livro indispensável para a compreensão da realidade trans, embora peque por se limitar a depoimentos de trans da classe média e alta, quando a realidade trans das classes mais baixas é ainda mais propensa à transfobia.
Esse livro é muito importante tanto para os Cis quanto para os trans, que sempre estiveram com conflito interno com sua imagem exterior. As vivências mencionadas neste livro foi uma porta de entrada para parar e pensar em que mundo infelizmente vivemos com preconceitos enraizados e que legado devemos deixar para diversas pessoas. Respeito deve ser um principio inicial de tudo. Ai enfim recomendo muito caso queira mudar a mentalidade e ler mais sobre o assunto, como foram 4 vivências de transsexuais pecou um pouco no aprofundamento das histórias.
"Vidas Trans: a coragem de existir" é um livro de biografias curtas e reúne depoimentos de quatro pessoas transgênero brasileiras, que contam suas próprias histórias. A ideia é que essa comunidade - a mais frágil e mais discriminada entre as pessoas LGBT - seja ouvida, especialmente pelas pessoas cis (que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído). Os quatro autores desse livro tiveram trajetórias, condições de vida e formas diferentes de se perceber trans e travestis. Nos relatos de cada um, percebemos os impactos maiores ou menores da falta de informação sobre pessoas transgênero, do preconceito, da exclusão do mercado de trabalho, dos sentimentos de solidão e inadequação, do eventual apoio de amigos ou familiares e do - raro - privilégio financeiro. Eu já conhecia a história de João W. Nery por meio de seu livro "Viagem solitária", e embora o relato presente neste livro seja o mesmo, também o atualiza, trazendo a repercussão da publicação do livro e mostrando como João se tornou uma figura pública importante para incontáveis outras pessoas, que se viram na mesma situação que ele. Sua "viagem solitária" se tornou solidária. O depoimento que mais me impressionou foi o de Márcia Rocha, advogada e ativista, fundadora do site transempregos, que faz a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho. Sua história sintetiza como o acesso a dinheiro, escolhas e informação protegem uma pessoa - e ela reconhece isso e sabiamente usa seus privilégios para dar oportunidades a outras pessoas. As histórias de T. Brant e Amara Moira são bastante dolorosas, e refletem muito a LGBTfobia, a exclusão e a dificuldade de autoconhecimento. Considero esse livro uma leitura essencial, importante tanto para pessoas trans que buscam se ver em personalidades da comunidade T, quanto para pessoas cis em busca de desconstruir seus preconceitos. As informações presentes nos relatos são indispensáveis para isso.
Um livro com relatos interessantíssimos sobre a vida de 4 pessoas trans no Brasil. As histórias de Amara Moira, de João W. Nery e Márcia Rocha são impressionantes e dão uma ideia de como é a luta de pessoas trans, homens ou mulheres, nesse país ainda tão atrasado com relação aos direitos humanos e ao preconceito. O livro só não mereceu 5 estrelas por conta do último relato; a prosa e o estilo do autor me pareceram vazios, resultando em um relato um tanto autocentrado e pueril, em determinados momentos até esquivo sobre a causa de que se trata a obra. Independente, ainda recomendo a leitura!
Este é um livro que poderia ser analisado de várias maneiras. Das maneiras como foi composto e pela estética dos textos de cada "pessoa trans". A capa coloca uma oposição de cores masculinas, femininas e neutras e além disso aplica um filtro de Photoshop que além de borrar os rostos dos escritores também borra sua identidade de gênero. A escrita de Amara Moira comparada com as demais é a mais dramática, a com menos esmero de escrita e ao mesmo tempo a que revela mais nuances. A escrita de João W. Nery, no alto dos seus 67 anos revela a experiência e a segurança na escrita e nas vivências de alguém com essa idade e poder de análise e síntese. O texto de Márcia Rocha é um caso interessante: começa falando de si na terceira pessoa e no masculino, enquanto ainda era um homem, depois da transição, ela passa a tratar a si mesma em primeira pessoa e no feminino. Por fim, o texto de T. Brant lembra cartinhas adolescentes, e bilhetinhos de escola, bem como tem muito da influência dos textos internéticos de blogs e chats de bate-papo, mas próximos à sua geração. O engraçado é que os quatro encontraram na escrita, de um jeito ou de outro, uma válvula de escape para suas frustrações com a identidade de gênero que perseguiam. Todos eles e elas apresentam, em algum momento, poemas sobre a sua condição e, ao seu modo, expõem seus sentimentos e estados através dele. Um livro bem interessantes, com diversos pontos de vista, mostrando que nem toda "vida trans" e "trajetória trans" é igual.
Os dois primeiros relatos, escritos por Amara Moira e João W. Nery são emocionantes, muito bem escritos e um ótimo retrato da experiência trans e de suas experiências individuais
O relato que se segue, da advogada Márcia Rocha, é uma leitura breve sobre sua vida como travesti de classe alta usando dos seus meios para o ativismo, que como leitor também foi um texto bastante apreciado
O problema que encontrei com a obra foi no quarto e último relato (que não consegui ler por completo por causa da escrita) mas ainda assim posso respeitar sua contribuição e narrativa.
É difícil julgar a maneira como as pessoas contam suas histórias, né? Mas a nota que proponho vem do ponto de vista literário mesmo. Os relatos de Amara Moira e João Nery são bem comoventes e cadenciados. Infelizmente uma quebra acontece depois, especialmente no último relato. Me preocupa o determinismo social que ainda prevalece em alguns momentos dessa investigação de si, mas acho que são parte de uma pressão cisgênera sobre a forma de contar essas histórias. Recomendo a leitura, de todo modo.
Difícil julgar o relato de pessoas sobre as próprias vidas. Mas achei que seria melhor elaborado. Um relato é superficial, outro parece a Wikipedia da pessoa, outro LinkedIn. Não sei se houve um problema de edição... só sei que esperava mais.
Um ótimo livro, a leitura é fluida, tocante, reflexiva quando deve e descontraída quando pode! Ótimo para todos aqueles que querem aprender mais sobre transexualidade ouvindo diretamente pessoas trans. O relato da Amara foi tocante, gosto muito da figura dela, os dilemas de "Devo ou não devo" ou "Começo a transição agora ou depois de me estabilizar profissionalmente?" são duas questões que perpassam a sua história que eu, como pessoa trans que tem noção da minha condição desde o início da puberdade, muito me identifico, mesmo tendo me assumido logo (pois não conseguiria viver se não assim) o pensamento de "Deveria construir minha carreira antes de passar pela transição" passou e passa na minha cabeça desde sempre. O relato do João foi forte, imponente, repleto de dor, tanto dele quanto de outros que ele ajudou durante sua trajetória como ativista, não conhecia ele, mas depois dessa leitura passo a admira-lo, me identifiquei com muitas partes de sua história por ser um transmasc também. Márcia trouxe questões importantíssimas sobre a maternidade/paternidade trans, sobre a sexualidade ser completamente diferente de identidade de gênero, mostrou suas dores e suas alegrias como travesti, uma história linda! Não gostei nada do Relato do T-brant, achei raso, senti que ele tentava se fazer profundo quando visivelmente não era, achei o texto machista pra ser honesto, mesmo que ele diga que mudou, não senti isso, não vi ativismo pela causa, nem uma descrição tocante sobre suas vivências, vi problemas como a relação conturbada da família, mas achei que faltou vivência. O texto dele, em contraste com as experiências profundas de Amara, João e Márcia, se fez ainda mais raso, talvez se fosse uma autobiografia isolada não tivesse me importado com a futilidade de algumas partes. Tive que ler as últimas páginas com muito esforço para suportar a superficialidade do texto. Sem isso o livro seria 5 estrelas.
Quatro pessoas trans elaboram e colocam no papel suas histórias de vida. Aí está o mais interessante do livro: são quatro trajetórias diferentes relatadas de quatro formas diferentes, evidenciando a pluralidade das vivências trans. Há pessoas trans ricas e pobres, heterossexuais ou não, precoces ou tardias na transição, e por aí vai. Como ocorre em muitas coletâneas com vários autores, nem todos os textos causam igual interesse. O texto que mais ficou na minha memória – li o livro faz uns seis meses – foi o de Márcia Rocha, devido um recurso narrativo interessante usado pela autora para destacar a mudança na sua vida após a transição.
o último relato é tão ruim que nem consegui acabar de ler. creio que tenha sido colocado só pq o autor é (aparentemente) famoso, mas não vale a leitura. por outro lado, os três primeiros, impecáveis. pessoas de uma intelectualidade indescritível, experiências ricas, tanta coisa pra dizer que cada relato podia ter o triplo de páginas e seria tão interessante quanto (mas são super curtinhos e dá pra ler muito rápido). recomendo demais!
Ao comprar esse livro em um feira, certamente não imagina o impacto positivo que teria na minha vida. Logo no início ao me deparar com a história de Amara fui levada a repensar a forma como eu, uma mulher trans me relacionava com as pessoas, me fez questionar em vários níveis a questão do afeto, assim como auto aceitação, e o preconceito em si, Amara é simplesmente pura. No decorrer do livro, conhecemos outras pessoas incríveis que nos contam um pouco mais sobre suas trajetórias e o seu processo indivual de cada um. Alguns foram basicamente os primeiros a realizar as tão sonhadas "cirurgias", outros foram os primeiros a terem seu nome social reconhecido, independente das conquistas e vida individual de cada um o livro é extremamente informativo e até acolhedor de certa forma, simplesmente é um dos meus novos favoritos, existem partes extremamente marcantes das quais selecionei para sempre me lembrar de coisas das quais eu não posso simplesmente esquecer.
Bem esclarecedor, cada história explica os conceitos que vai introduzindo para garantir que qualquer leitor possa acompanhar bem os textos. Traz diversas vivências diferentes para entendermos também a pluralidade dentro do assunto
é um prazer ler sobre pessoas trans brasileiras, consegui me ver em partes dos relatos, publicar e disponibilizar essas histórias é bem importante. dito isso: a segunda metade do livro não é tão bem escrita quanto a primeira.