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Por que você não acredita em mim

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"O que te faz acreditar em alguém? E quanto a desacreditar?
Em Por que você não acredita em mim, Winnie Bueno, uma das vozes antirracistas mais atuantes da modernidade, apresenta fatos reais, ocorridos com ela e com conhecidos, estudos e reflexões para mostrar como pessoas negras em geral, e especialmente mulheres negras, são descredibilizadas pela sociedade.

O resultado é um texto potente, que é ao mesmo tempo um desabafo, um grito por mudança e um abraço em uma população que há séculos têm seus corpos e mentes atravessados por violências em todas as esferas da nas atividades cotidianas, na educação, no trabalho, na mídia… Em todo lugar, o tempo todo, de forma exaustiva, até mesmo por quem se diz antirracista."

212 pages, Kindle Edition

Published April 15, 2023

4 people want to read

About the author

Winnie Bueno

8 books1 follower
IYALORIXÁ. BACHAREL EM DIREITO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL/RS). MESTRE EM DIREITO PELA UNIVERSIDADE DO VALE RIO DOS SINOS (UNISINOS/RS) NA LINHA DE PESQUISA SOCIEDADE, NOVOS DIREITOS E TRANSNACIONALIZAÇÃO. DOUTORANDA EM SOCIOLOGIA PELO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA DA UFRGS. DISCUTE TEMAS VOLTADOS ÀS QUESTÕES RACIAIS, GÊNERO E SEXUALIDADES, DIREITOS HUMANOS, INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E PENSAMENTO FEMINISTA NEGRO.

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Profile Image for luisa woidaleski.
257 reviews12 followers
July 27, 2024
também é bem provável que você não se considere racista. mas o fato de você acreditar que a escravização foi uma atrocidade não significa que você não seja racista. o fato de você acreditar que as violências promovidas por grupos supremacistas brancos são absolutamente repudiáveis não significa que você não seja racista. E o fato de você acreditar nos discursos antirracistas, sendo capaz inclusive de reproduzi-los, sinto muito, não significa que você não seja racista.

tem duas coisas que eu gosto muito: ganhar livro de presente e aprender a ser uma pessoa melhor. tem leituras que nos engrandecem, que são desconfortáveis às vezes, mas não deixam de ensinar. este livro foi ambas as coisas. ganhei de presente de aniversário de minha amiga caroline (e de seu marido e enteados, nominalmente, mas sei que a curadoria foi dela) e li sempre com a lapiseira na mão, anotando, riscando, sublinhando e prestando atenção, buscando fazer uma leitura ativa.

e não tem outra resposta ao título do livro. você não acredita em winnie ou em qualquer mulher racializada porque é racista. e sim, eu também estou incluída no problema, ainda que esteja sempre prestando mais atenção, sempre tentando desconstruir o que trinta e um anos vivendo como mulher branca numa sociedade racista construiu. é trabalhoso, sim, mas necessário.

eu já usei argumentos como ter crescido em bairro periférico ou ter estudado a vida toda em escolas públicas como forma de relativizar, não tenho orgulho, mas é aquela coisa, quando você começa a entrar em contato com pessoas que apontam seus privilégios, a primeira reação é discordar, porque é claro que tem gente mais privilegiada que eu. só que assim como eu já esqueci, sei que você, pessoa branca, também já esqueceu que tem muita, mas muita gente menos privilegiada que você apenas por causa da cor da pele.

então, winnie bueno me entregou aqui lições sobre o quão privilegiada eu sou desde que nasci. se eu achar dinheiro na rua, ninguém vai desconfiar que eu roubei. se eu chorar, ninguém vai desmerecer ou agir como se eu estivesse errada por sentir. céus! eu já forcei choro pra abonar falta na faculdade e nenhum professor se opôs ou duvidou de qualquer motivo que eu inventei. se eu olhar para literalmente qualquer mídia, posso me encontrar representada ali, sempre pude, desde que era um bebezinho de olhos grandes azuis que segue estampando produtos infantis até princesas da disney brancas e loiras desde sempre, bonecas barbie ou susi, polly pocket, capas de livros, personagens principais em filmes, séries, novelas, eu nunca senti que não pertencia ou tive crise com a minha aparência por querer ser literalmente outra pessoa.

é desconfortável estar diante de tantas coisas que aconteceram com winnie ou com pessoas próximas a ela e perceber que eu poderia estar e provavelmente já estive do lado opressor, racista. é desconfortável perceber que, sim, o racismo é estrutural, mas a atitude racista é individual. e é desconfortável saber que é preciso se esforçar ativamente para que a estrutura racista que permeia nossa história não invada o âmbito pessoal, é preciso se esforçar, de verdade, para ser antirracista, porque não é suficiente você não ser racista, mas esperar que pessoas não brancas te ensinem como tratá-las. não é responsabilidade deles, é você, pessoa branca, que tem que ir atrás. e winnie dá até uma colher de chá, pois ao final de seu livro você encontra diversas leituras que pode fazer para acreditar um pouco mais nela ― e em todas as pessoas racializadas que você possa conhecer.

é desconfortável, sim, mas necessário e enriquecedor.
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