Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos.
Os que chegam a uma certa idade e têm pais a envelhecer, creio que sentem inevitavelmente, em menor ou maior grau consoante a independência deles, que os papéis se invertem e se tornam uma espécie de pais dos seus pais. Nem sempre é fácil a convivência segundo esse novo estatuto, sobretudo devido à resistência de alguns pais que teimam em ver os filhos ainda como miúdos, apesar das entradas ou das longas melenas grisalhas. Não é, no entanto, o caso de Valter Hugo Mãe, cuja mãe parece aceitar docilmente todos os cuidados deste filho atento e extremoso.
Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à minha mãe: chocolates e pérolas redondas, carrinhos telecomandados e cavalos-marinhos, morangos, vasos de plantas bonitas e sapatilhas douradas, livros, quadros e estadias em hotéis com varandas para o largo da paisagem.
Este texto, que começou por ser uma crónica e foi adaptado a livro ilustrado, conta com o traço delicado de Evelina Oliveira, que fez dos lenços garridos da mãe o pormenor mais encantador desta obra.