Um dos livros mais interessantes que já li, porém com vários pequenos detalhes que estragaram um pouco da leitura, pra mim.
O autor pesquisa extensivamente a vida do diretor, da infância aos acontecimentos mais recentes, e a narrativa tem uma boa escrita, embora, na minha opinião, pudesse ter sido melhor organizada. Também apreciei cuidado do autor em se ater aos fatos o máximo possível, mesmo tendo que, em alguns casos, contradizer o próprio Polanski em sua autobiografia ou em suas aparições na impressa.
A carreira cinematográfica é ampla e cronologicamente relatada, e interessante do começo ao fim; mesmo não me considerando fã do diretor (que me chamou a atenção basicamente por ter dirigido um dos meus filmes preferidos, "O Pianista"), me vi subitamente curiosa por alguns de seus outros trabalhos.
O relato sobre Sharon Tate foi absolutamente respeitoso, na minha opinião, e o autor não poupou críticas ao circo da mídia ao redor da tragédia, que vemos frequentemente até nos dias atuais. Ao retratar o inferno pelo qual Polanski teve que atravessar, em um dos piores momentos da sua vida pessoal, é impossível não se solidarizar com o diretor.
Os problemas, porém, começam quando os relatos de abuso começam. Senti que em vários momentos, Sandford meio que justifica, usando até mesmo as palavras de Polanski, os abusos cometidos, às vezes culpando a vítima, e até sugerindo que a "mentalidade puritana" seria a culpada pela punição esperada, já que na Europa isso "jamais aconteceria". Não sei mais quando ou que tem que acontecer para que entre na percepção de todos, de uma vez por todas, de que Não é Não e que sexo com menores de idade é, sim, estupro, não importa se há dinheiro ou fama ou carreira profissional na história.
Dito isso, não poderia em sã consciência recomendar essa leitura.