Esse não é um livro para ser lido de forma apressada. Cometi esse erro e quase me custou o entendimento e a oportunidade de experimentar os diferentes níveis de complexidade, lirismo e camadas de significado da obra.
Li o livro às pressas para uma discussão e tinha ficado com a impressão de que algo puramente maçante, arrastado. Me forcei ao longo de algumas horas para terminá-lo. Durante a conversa, porém, fui digerindo o que tinha lido. Várias passagens ressurgiram e ganharam peso. Percebi que havia muito ali que me escapara em uma leitura inicial. Um retrato de uma paisagem que, ironicamente, é desfocada, borrada demais para ser capturada numa fotografia, mas, ainda sim, no com uma presença que deixa a sua marca.
É um livro denso, sobre vivências sobrepostas de vários tempos, lugares e emoções que, por si só , é esparsa, pouco definida. Alguém descreveu a obra como uma“bruma”, e acho que essa é realmente a melhor definição: uma bruma densa, carregada de ecos.
Por conta disso, é um livro que deve ser lido aos poucos, com pausas para refletir e se perder nas memórias da narradora. Isso faz toda a diferença.