7/10 “Ifigênia” de Francisco Dias Gomes é um treino de resistência mental e força cerebral completos para qualquer leitor. A escrita homérica se distancia de tudo oque se aproxima da facilidade ou de ser de rápida absorção. O intuito que Francisco quis ao elaborar a obra seria criticar o processo pessoal e público sobre a ideia do fanatismo, até que ponto louvar os Deuses seria legítimo? Cada Deus deve ser louvado de forma igual ou podemos rezar mais para um do que para outro? Qual a dinâmica entre a idolatria e ser humano? Porque a religião é tão importante? Usando personagens gregos em um peça de teatro para explanar e se aprofundar nas variáveis que a teologia cria no subconsciente. Vale a pena como um desafio ou se for você for muito nerd/obcecado pelo autor português do século XVIII e pelos personagens como Aquiles e Ifigênia. Penso que em grego o nível da dramaturgia deva ser superior.
A base dessa peça é a historia e o fanatismo religioso e nos podemos observar as reações os personagens. Sarcasticamente Ifigênia é a que nos temos menos falas e presença na historia, aparecendo no inicio e no final. Foi bem curta e interessante e tive mais uma vez uma boa experiência com os livros extras do clube de literatura clássica.
Editado pelo Clube de Literatura Clássica, acompanha o box do original de Eurípedes.
Por ser um texto escrito de princípio em português é de leitura bem mais fácil do que ler a Ifigênia de Eurípedes. O texto tem inclusive certo ritmo agradável.
A trama é completamente diferente do original. Enquanto o original colocava os deuses gregos como figuras presentes de modo substancial na história, aqui a figura dos deuses é mais distante e é também adulterada. O autor faz uma mistura entre as mitologias gregas e cristãs, vestindo os deuses gregos com características e comentários próprios do cristianismo. É como se a história não se passasse em si na Grécia, mas em uma Europa medieval disfarçada de Grécia antiga.
É interessante acompanhar a deturpação da mensagem original de aceitação e certa resignação que vemos em Ifigênia de Eurípides. Isto se transforma sob o olhar de Francisco Dias Gomes em ignorância e fanatismo religioso.
Um detalhe extra, que não sei se era a intenção original do autor, mas ele pareceu-me ridicularizar o próprio conceito original do cristianismo. Isto é, a ideia de que Jesus morreu na cruz para salvar os humanos dos pecados. Meu pensamento aqui é o seguinte: