Ndalu de Almeida (born 1977) is a writer from Angola, writing under the pen name Ondjaki. He lives in Luanda, the capital of the country, and has written poetry, children's books, short stories, novels, drama and film scripts.
Ondjaki studied sociology at the University of Lisbon, and wrote his graduation paper about Angolan writer Luandino Vieira. His literary debut came in 2002 with the novella O Assobiador (The Whistler), which was followed up with the childhood memoir Bom dia camaradas (Good Morning, Comrades) in 2003. To date (2010) he has published four novels, three collections of short stories, two collections of poetry and three children's books. His books have been translated to French, Spanish, Italian, German, English, Chinese and Swedish
Ondjaki was born in Luanda in 1977. He completed his degree in Sociology in Lisbon in 2002 with a study on the great Angolan writer Luandino Vieira. A versatile young talent and a most promising writer of the Portuguese language in Africa, he has already had paintings exhibited, given public performances as an actor, as well as published his own poems and novels. Ondjaki has been awarded the Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2008 by the Portuguese Writers' Association for his novel Os da Minha Rua. In 2008 he was distinguished with the Grinzane for Africa award, in the category of young writer, and recently, Ondjaki has won the prestigious Jabuti Prize 2010 with his juvenile book AvóDezanove e o Segredo do Soviético.
Ondjaki brinca com os nossos sentidos, pergunta pela impossibilidade e desaparece sem deixar resposta, todos os contos parecem inacabados não havendo uma ligação entre a realidade e o mundo imaginário do autor. Achei curioso que todos os contos estejam acompanhados de uma espécie de dedicatória, o meu preferido o "Candeeiros" é descrito pelo autor como sendo "palavras para Antoine Saint-Exupéry e para o Principezinho". Reparem na genialidade:
"Eu é que ponho luz nas noites, meto medo na escuridão, invento pirilampos na cidade (...) julgo ter sido poeta das luzes, escrevedor das velas, conhecedor das ceras escorridas, quer dizer, artífice das minúsculas luzes amarelas (...) e eu, quem me acendeu sempre, enquanto acendi estrelas aqui na terra? (...) todos os dias me despeço dos últimos candeeiros que ainda me acendem o coração."
Cruzei-me pela primeira vez com o Ondjaki há dois anos e meio quando li o livro "Avó Dezanove e o segredo do soviético". Rapidamente se transformou num favorito do ano. Desde aí, vinha esperando pela oportunidade de voltar a ler um autor que me conquistou com tanta facilidade. Por isso mesmo, a expectativa ao iniciar a leitura de "E se amanhã o medo" era elevadíssima. E é com muita pena que essa expectativa saiu furada...
A qualidade indubitável da escrita de Ondjaki continua lá. Para este autor escrever de forma soberba deve ser tão fácil como respirar. Já os contos, sim porque este é um livro de contos, ficaram aquém. Alguns são ligeiramente interessantes, ao passo que outros se tornam um pouco confusos até. Por vezes tive mesmo dificuldade em perceber se aquilo que eu tinha concluído naquela história era realmente aquilo que o autor pretendia transmitir.
Contudo, não desisto deste autor e vou já partir para outra leitura, um romance desta vez, para perceber em que pé fico relativamente a Ondjaki.
Soy aficionado a las literaturas africanas en lengua portuguesa, pero este librito del angoleño Onjaki me ha decepcionado un poco. Se supone que se trata de relatos breves (alguno de ellos no ocupaba una página entera) pero yo también los clasificaría de poemas en prosa. Con frecuencia he sentido al leerlos que, estando bien escritos, a mí me dejaban indiferente.
No obstante, en ellos latía un espíritu africano que también encuentro en mi admirado Mia Couto. Sólo que en Couto, el realismo mágico es una locura coherente consigo misma y hay un sentido de humor que faltaba en Ondjaki. En este último, lo que escribe son como retazos de sensaciones.
Mi cuento favorito ha sido Amarela (Amarilla). Tal vez por él le doy las tres estrellas al libro. El cuento, separado, tendría cuatro.
Este livro, como todos os livros de Ondjaki que li até agora, está muito bem escrito. Mas de alguma forma não foi tão empolgante como todos os que li antes. Penso que isso talvez se deva ao facto de não ser aqui a voz fresca e ingénua de crianças a flar, mas algo mais escuro e profundo. De certa forma, é como se o livro até fosse mais "literário", mas o preço a pagar fosse menos leveza e frescura e cor e sentido de humor.
No entanto, quero fazer uma ressalva: este autor é magnífico e vale sempre a pena lê-lo!!!!
Pequenos contos, alguns muito curtos, que não dão para cobrir uma página. A língua viva do autor é muito imaginativa. A título de exemplo, foi a primeira vez que li 'objecta' como feminino de 'objecto', referindo-se a uma gaiola. Todos os contos roçam o onírico, como se de um sonho se tratasse, ou como se de um sonho se observasse a realidade, por entre as névoas da semi-consciência apenas. Há muita poesia ao longo dos textos. E não dei o meu tempo por perdido.
Como pessoa que tem lido as obras juvenis do Ondjaki e que gosta de ler livros sabendo o menos possível sobre eles isto foi uma surpresa muito agradável
É definitivamente diferente daquilo a que me habituei, mas a essência que me fascina está toda lá de uma forma um pouco mais pesada, intensa
São histórias sobre as diferentes formas que o medo pode assumir. Talvez esteja a ficar mal acostumada, a verdade é que dos livros que li do autor, este foi o que menos me impressionou. Prefiro o que escreve sobre a infância, ou a poesia, este registo é mais distante, mas no entanto, lê-se muito bem, simplesmente não me assustou. Talvez amanhã...
Alguém falou que os contos não eram bem contos, mas poemas em prosa. Talvez eu concorde. E não há nada de errado em sê-los: Ondjaki soube aqui, como quase ninguém, dar poesia fantástica às palavras reais, e palavras fantásticas à poesia do real, do cotidiano, por assim dizer. Infelizmente, não sem falhas. Alguns contos-ou-poemas-em-prosa decepcionam, e a sensação de ter lido algo inacabado é maior, nesses casos, do que a de ter lido algo com qualidade, ausente. Recurso interessante que se faz uso aqui é o de não mencionar idades nem anos, fazendo com que a obra fique como parada no tempo, imortal e sempre nova (ou velha: "Faz hoje precisamente [...] anos que a velha deixou de envelhecer. Iniciou este estado de intacta decomposição e nunca mais evoluiu em direção à morte, ao passamento: chegou ao estado e à idade em que os dias lhe não tingem nem atingem." [início do assustador conto "a velha"]). Ondjaki é um ótimo escritor, como fica visível a cada virada de página.
Um livro lindíssimo, de silêncio, de pausas, da beleza do dia a dia. O primeiro livro que leio do Ondjaki, a vontade de muitos mais. Um livro que se lê no silêncio e traz paz, um livro muito bonito e que respira através das palavras. Para ler devagar, na esperança que não acabe...
Ondjaki oferece-nos uma colectânea de contos poéticos e inquietantes, onde o absurdo e a ternura caminham lado a lado. “E Se Amanhã o Medo” é uma leitura breve, mas profunda, que desafia o leitor a sentir mais do que compreender. Um livro para quem aprecia o poder evocativo das palavras.
A maioria dos autores prefere escrever contos um pouco maiores, onde conseguem deixar tudo em pratos limpos. Este autor, pelo contrário, não tem medo de manter as coisas simples e curtas, com muito espaço para divagações.
Ainda assim, preferi os contos que demonstravam uma certa progressão narrativa em vez daqueles que funcionavam à base de sentimentos.