Jump to ratings and reviews
Rate this book

Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil

Rate this book
Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

Num momento em que nosso país depara com temas polêmicos, como o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas em universidades, a Coleção Consciência em Debate pretende discutir assuntos prementes que interessam não somente aos movimentos negros como a todos os brasileiros.
Fundamental para educadores, pesquisadores, militantes e estudantes de todos os níveis de ensino. Coordenação de Vera Lúcia Benedito.

192 pages, Paperback

First published January 1, 2011

20 people are currently reading
398 people want to read

About the author

Sueli Carneiro

9 books40 followers
Sueli é uma das mais expressivas filósofas, ativistas e autoras do feminismo negro no Brasil e seus artigos abordam temáticas imprescindíveis para refletir sobre a sociedade e moldar o pensamento. Sueli fala sobre gênero, raça e ascensão social, o poder feminino no culto aos orixás, tempo feminino, expectativas de ação das empresas para superar a discriminação racial, novos e velhos desafios do movimento negro no Brasil, além de outros temas fundamentais para a compreensão histórica e política da luta das mulheres negras brasileiras.

Filósofa, escritora e ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. Sueli Carneiro é fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil. Possui doutorado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP).

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
53 (47%)
4 stars
49 (43%)
3 stars
10 (8%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Iara Massari.
24 reviews1 follower
March 15, 2021
4,5 ✨

Tive que ler pra fazer fichamento do meu futuro TCC e me deparei com a importância de quase 7 anos de artigos que são completamente atuais. Em vários momentos eu me peguei pensando o quanto Sueli foi revolucionária para a sua época. Da pra imaginar publicar abertamente sobre colorismo, racismo, violência policial em 2000?

Só não dou 5 estrelas completas, porque em alguns momentos fiquei um pouco perdida com a quantidade de dados. Mas no geral, é uma obra sensacional, importante e vai me ajudar muito no meu trabalho 🧡
Profile Image for Carolina.
83 reviews20 followers
June 13, 2017
Coletânea de artigos escritos ao "Correio Braziliense". Sueli Carneiro debate inúmeros temas, sempre destacando os recortes de raça, classe e gênero. Suas palavras devem ser lidas com muita atenção.

"Vem dos tempos da escravidão a manipulação da identidade do negro de pele clara como paradigma de um estágio mais avançado de ideal estético humano; acreditava-se que todo negro de pele escura deveria perseguir diferentes mecanismos de embranquecimento. Aqui, aprendemos a não saber o que somos e, sobretudo, o que devemos querer ser. Temos sido ensinados a usar a miscigenação ou a mestiçagem como carta de alforria do estigma da negritude: um tom de pele mais claro, cabelos mais lisos ou um par de olhos verdes herdados de um ancestral europeu são suficientes para fazer alguém que descenda de negros se sentir pardo ou branco, ser 'promovido' socialmente a essas categorias. E o acordo tácito é que todos façam de conta que acreditam.
A língua denuncia o falante. No termo 'pardo' 'cabem os mulatos, os caboclos e todos os que não se consideram brancos, negros, amarelos ou indígenas encontram uma zona cinzenta onde possam se abrigar, se esconder e se esquecer de uma origem renegada" (p. 64).
Profile Image for Camila.
137 reviews2 followers
February 11, 2021
Imagino que ler esses artigos assim que eram publicados nos jornais fosse uma experiência reveladora pra muita gente. Mas, lendo essa coletânea 10 anos depois de sua publicação e quase 20 anos depois da publicação de grande maioria dos textos, sinto que o impacto foi maior e mais chocante. É bem duro ver como a realidade racista e violenta denunciada nesses artigos permanecem vivas, e muitas vezes inalteradas, no Brasil atual.

Em muitas passagens, Sueli avisa sobre a “reação conservadora” à conquista de direitos pelas minorias no país. Não sei se mesmo ela seria capaz de prever o cenário político dos últimos meses.

Esse livro nos relembra de onde viemos e, principalmente, para onde devemos ir como país.
Profile Image for Roseane Corrêa.
49 reviews7 followers
May 3, 2020
O livro é um acervo de textos escritos ao longo de 7 anos, período que a Drª Sueli Carneiro foi colunista do Correio Brasiliense. O debate público sobre racismo tem sido sistematicamente desencorajado no Brasil. É de se orgulhar o que filosofa fez pela nossa sociedade ao usar o seu espaço de visibilidade para debater e expor questões raciais que sedimentam a desigualdade existente.

O racismo científico no Brasil teve como um dos seus expoentes Nina Rodrigues. O psiquiatra defendia que as condições de raça imprimiriam à responsabilidade penal. Para o mesmo havia raças superiores e inferiores o que levou a concepções altamente discriminatórias que se alonga até os dias de hoje. De certo que se os negros eram considerados sub-humanos, seria a eles destinados “sub direitos”. Historicamente a desigualdade de direitos foi forçosamente naturalizada.

A criminalização do corpo negro, brutalidade policial, controle de natalidade dos negros são ações de ideologia eugenista onde o estado opera o poder de “fazer viver e deixar morrer” como disse Michel Foucalt.

Um ex governador do Rio de Janeiro sugeriu o aborto como medida de prevenção a violência, de que mulheres estaria ele falando?

Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente da história a declarar em seu discurso de posse que há um problema racial no Brasil e que ele precisa ser combatido. É de fundamental importância falar que a autora destaca o governo de esquerda como o que mais deu oportunidade para pessoas negras ocuparem cargos de primeiro escalão.

Aproveito para fazer um desabafo pessoal. Muito me entristece o comportamento paternalista e o medo de dividir espaço de poder com verdadeiras representantes das mazelas sociais da comunidade negra. Intelectual orgânica e conhecedora a fundo do que nós precisamos. Estamos em 2020 e a esquerda branca ainda não entendeu que Agora é Ela!

Não há mais espaço para negar o racismo institucional o momento é de implementar medidas antirracista. Sueli discorre sobre a importância das cotas raciais expõe algumas declarações dos que se posicionaram contra. Em sua argumentação ela cita que desde 1948 medidas especiais para promoção de grupos “desfavorecidos” existem no Brasil.

Em uma rápida pesquisa me deparo com um documento intitulado Problemas de base no Brasil onde no capítulo Valorização do Homem Rural o governo identifica que a educação e saúde são primordiais para o crescimento do país e que a população rural não deve ser deslocada do seu habitat, mas, também não pode continuar abandonada.

A proposta era criar Colônia-Escolas nas fazendas com um vantajoso contrato de trabalho (repito: vantajoso contrato de trabalho) em troca de se aceitar uma disciplina social, sanitária e educativa. Não me aprofundei sobre os resultados, mas é conveniente recorda que a população negra na área rural não tinha direito a propriedade, não acumulou bens materiais pois o sistema econômico anterior era a escravidão e ele era ferramenta de trabalho.

Não acredito que a população negra tenha sido incluída proporcionalmente a essa ação do estado. No ano de 2018 o IBGE publicada que 20,7 % das pessoas pretas e pardas acima de 15 anos em área rural são analfabetas em comparação aos brancos que correspondem a 11% de seu grupo.

É imperioso que se tenha delegacia de crimes raciais uma vez que no Brasil se queima indígena em ponto de ônibus e se espanca negros ate a morte em via pública casos lembrados pela autora.

No ano em que a autora escreveu um dos artigos o IDH da população negra brasileira estava 5 posições abaixo a África do Sul que mal havia saído do regime do apartheid. Isso só comprova que o mito da democracia racial é uma tecnologia tão poderosa que determina o lugar de preto sem necessidade de legislação. Parafraseando Kabenguele Munanga Racismo no Brasil é o crime perfeito.

No ano 200 o Brasil ocupava 74º posição no ranking de IDH porém se fossem analisadas as informações apenas da população negra o IDH nacional despencaria para 108º posição.
A falácia do mito da democracia racial e o branqueamento foram os pilares para a ausência de identidade racial ou confusão racial. A miscigenação, fruto do estupro colonial de mulheres negras e indígenas, ocupou um lugar central na hierarquia cromática e de fenótipos.

O branqueamento instrumentalizou o auto ódio de tal forma nos faz rejeitar o que somos. Cabelos, lábios, bunda, tom de pele, cor da gengiva, cor do bico dos seios, formato do nariz e por aí vai. Qualquer um é capaz de detalhar o que esta “errado” no seu corpo. Desarranjos psíquicos, descontrole financeiro na tentativa de “corrigir” o corpo várias são algumas das sequelas deixadas.

Tudo começa muito cedo. A educação infantil por exemplo, para muitos foi o primeiro espaço coletivo de segregação. Relação com professores e outros alunos ainda hoje deixam crianças negras fragilizadas, hostilizadas e catatônicas como foi referido em um dos textos. Nossos heróis como Zumbi de Palmares, nossas lutas de resistência são pouco exploradas no ambiente escolar enquanto são enaltecidas os heróis e batalhas europeias.

Levantamento estatístico como o censo, é uma oportunidade de se identificar as características dos habitantes de uma nação oportunizando assim a criar políticas focalizando no que deva ser corrigido. O Brasil tem sido sistematicamente omisso no comprometimento com políticas raciais. A autora debate que pobreza não é resultado da falta de recursos, mas fruto de um alto grau de desigualdade e persistência em fortalecer políticas universais que não tem capacidade de corrigi-la.

O acesso ao emprego e ao trabalho foi falado como condição primordial para reprodução da vida. O racismo institucional e a baixa escolarização são fatores de exclusão que devem contar com políticas afirmativas. Segundo a agência Brasil o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017. Resultados positivos, mas que devem ser ampliados pois ainda estamos muito longe da realidade ideal. O IBGE publicou que em 2018 64,2% dos desempregados eram negros, somando a isso 32,9% dos negros estão na faixa da pobreza e 8,8% na extrema pobreza. Não é justo.

A mulher negra no Brasil é submetida a um sufocamento social que atinge todas as dimensões de sua vida de uma forma negativa. Fernando Henrique Cardoso em 1995 ao receber a marcha de Zumbi de Palmares em Brasília afirmou que o ápice da exclusão social do Brasil poderia ser retratado por uma mulher negra, chefe de família da região do Norte ou Nordeste do país.

A leitura e o debate desse livro se fazem necessário. Textos com em média 20 anos que devem servir de base e reflexão e também como um marcador onde podemos comprar os nossos avanços ou retrocesso/estagnação. Discutir novos caminhos para a luta, fortalecer estratégias já construídas e que deram certo como as cotas raciais é primordial.

O livro não nos deixa esquecer que ainda temos muita estrada, mas não desistiremos.
Profile Image for Marina Tommasi.
166 reviews5 followers
March 19, 2021
Um compilado de artigos do começo dos anos 2000 que são muitissimo atuais. Apesar de ser difícil de ler algumas vezes te deixa perplexo e enche de informação e dados sobre o racismo no Brasil. Queria ter conhecido seus textos antes, sucintos e potentes.
Profile Image for Eduardo Peretto Scapini.
202 reviews4 followers
March 14, 2025
Coletânea de ensaios fundamental para entender o zeitgeist dos movimentos negro e feminista no segundo governo Lula. Legal pensar que conseguimos avançar tanto nesses últimos 15 anos.
Profile Image for Manuela Andrade.
57 reviews
February 17, 2023
Um livro bem fluido, com uma língua tranquila, com debates extremamente importantes e que nos chama a atenção para situações cotidianas que precisam ser repensadas e principalmente, que precisam parar de ser perpetuadas!

Alguns destaques:

“Alia-se a esse processo de banimento social a exclusão das oportunidades educacionais, o principal ativo para a mobilidade social no país. Nessa dinâmica, o aparelho educacional tem se constituído, de forma quase absoluta, para os racialmente inferiorizados, como fonte de múltiplos processos de aniquilamento da capacidade cognitiva e da confiança intelectual.” (A desreforma do novo ensino médio vem para potencializar essas desigualdades no âmbito educacional)

“De volta à relação professor-aluno, a pesquisa mostra que as crianças brancas recebem mais oportunidades de se sentir aceitas e queridas que as demais; elas são consideradas
"boas", os elogios são feitos a elas como pessoas - são inte-ligentes, espertas, bonitas etc. No caso das crianças negras, são feitos elogios às tarefas que estão benfeitas, mas não a elas como seres humanos dignos de admiração e incentivo.
O trabalho de Eliane atinge seu objetivo: constitui-se caldo de cultura fecundo para gerar estratégias que elevem a autoestima de pessoas pertencentes a grupos discriminados, potencializando, dessa forma, a convivência positiva entre as pessoas na escola, pautada pelos princípios da igualdade.” (Lembrei da experiência triste que tive no meu estágio em uma EMEI em que vi uma situação parecida com essa…)
Profile Image for Pedro.
79 reviews
January 7, 2022
O livro é bastante informativo, e o formato de artigos de jornal funciona como uma espécie de diário dos acontecimentos que a autora julgava mais marcantes, nos momentos em que escreveu. Os conteúdos abordados vão de estatísticas (quem dera os artigos mais para o fim tivessem mais números!) a constatações de (possíveis) alterações na sociedade ocasionada pelas lutas do movimento negro. A autora não tem medo de fazer críticas pesadas ao sistema e seus problemas. Além disso, os artigos foram escritos na medida: são sucintos e, ao mesmo tempo, recheados de informações que podem ser rapidamente comprovadas. Vale a leitura.
Profile Image for Séfora Oliveira.
32 reviews47 followers
June 26, 2020
Esse livro traz uma coletânea de artigos escritos ao Correio Braziliense , onde são pautados de forma visceral racismo, sexismo e desigualdades.
Aquele que ler esse livro vai ser guiado com maestria por uma das maiores intelectuais negras da atualidade.
"Sobrevivemos à escravidão, temos sobrevivido à exclusão, sobreviveremos aos periódicos genocídios. Somos "uma pretalhada inextinguível", como disse, Monteiro Lobato.Viveremos!"
Profile Image for Dandara Lima.
14 reviews3 followers
January 30, 2019
Comecei a ler esse livro de forma protocolar e me surpreendi de forma avassaladora. Já tinha lido artigos soltos de Sueli Carneiro, mas nunca antes havia tomado consciência da dimensão de sua clareza sobre o mito da democracia racial e de todos os desafios que precisamos enfrentar, individualmente e enquanto Nação, para superar essa marca perversa do racismo institucionalizado.
Profile Image for honey.
146 reviews10 followers
February 4, 2021
Esse livro é NECESSÁRIO! Não sei como demorei tanto pra comprar e, finalmente, ler. Recomendo à todos. A genialidade de Sueli Carneiro é incrível, a forma sucinta e direta, mas sem deixar de lado a magnitude do problema, com que ela aborda os temas faz a gente trazer pra uma realidade tão atual de lutas em 2020/21.

Com certeza, 5 estrelas.
Profile Image for juh.
152 reviews8 followers
April 29, 2023
Leitura feita para um trabalho de universidade, mas que certamente não me arrependo. Gostei bastante, mas por se tratar de um compilado de artigos de jornal que a autora escreveu entre 2001 e 2010, as vezes a leitura se tornou um pouco repetitiva. Porém, por tratar de temas super importantes, e da autora ser um ícone do movimento negro feminista brasileiro, super recomendo a leitura!
Profile Image for Mabel.
17 reviews
February 3, 2023
Um livro importante, com contribuições significativas ao pensamento e trazendo luz a questões discutidas a muitos anos no Brasil. Sueli é muito boa de entrelaçar os temas e fazer pensar sobre a sociedade (mesmo 12 anos após o lançamento do livro).
Profile Image for Jorge Schumacher.
Author 1 book32 followers
May 29, 2020
Coletânea de crônicas, ensaios e artigos da autora publicados no jornal Correio Brasiliense entre 2000 e 2010.
Profile Image for Yan.
18 reviews1 follower
October 4, 2024
Sueli, como sempre, dando um grande papo reto neste compilado de textos.
Displaying 1 - 15 of 15 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.