Como o título indica, o livro trata de dois temas diversos. Na primeira parte, o crítico Northrop Frye aborda a Bíblia, enquanto na segunda parte Jay MacPherson trata dos mitos gregos.
Li a primeira parte porque é aquele que me interessa no momento, ou seja, só li a parte referente à Bíblia.
Frye foi um dos grandes críticos literários do século XX. Aqui, originalmente um curso universitário, ele oferece uma leitura literária da Bíblia. Sendo a transcrição de algo exposto em sala de aula existe a vantagem do didatismo.
Os capítulos que mais me interessaram foram os dois primeiros. Possivelmente porque responderam a algumas das dúvidas que tinha em relação às origens, organização, seleção e tradução dos textos que vieram a formar a Bíblia.
Também nesses dois primeiros capítulos, Frye oferece uma ideia da Bíblia como uma narrativa que tem uma unidade. A ideia é complexa, já que a Bíblia, como o próprio nome indica, é uma coleção de livros. Ele, porém, sugere que há uma unidade narrativa, com um começo e um fim, da criação até o apocalipse. Essa unidade se dá também pelo uso de imagens recorrentes. São imagens que são reiteradamente usadas e que simbolizam algo. Além disso, ele sugere que o Antigo Testamento tem uma unidade no que diz respeito à mensagem: tem a estrutura da comédia, ou seja, as coisas começam bem, tudo piora, os hebreus abandonam Deus, são punidos, se arrependem e as coisas voltam a normalidade.
A partir do capítulo três ele parte para a análise de alguns livros da Bíblia, seja do Antigo Testamento, seja do Novo. Essa parte também merece uma leitura atenta.
Uma boa leitura e pretendo no futuro reler os 2 primeiros capítulos.