Jump to ratings and reviews
Rate this book

Estrela da Vida Inteira

Rate this book
A presente publicação contém a reunião das poesias completas de Manuel Bandeira (1886-1968), um dos poetas mais importantes da literatura contemporânea brasileira, compila as obras A cinza das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã, Lira dos cinquentanos, Belo belo, Opus 10, Estrela da tarde, Mafuá do malungo e Poemas traduzidos. Bandeira inspirou o movimento modernista, criando versos livres que fugiam das amarras tradicionais, inovando na poesia brasileira, sem abandonar os estilos clássicos. Seus poemas, sempre atuais, são líricos e ao mesmo tempo bem humorados, com um estilo que consegue ser singelo e sarcástico.

447 pages

First published January 1, 1966

12 people are currently reading
287 people want to read

About the author

Manuel Bandeira

85 books94 followers
Manuel Bandeira (April 19, 1886 – October 13, 1968) was a Brazilian poet, literary critic, and translator, who wrote over 20 books of poetry and prose.
~
Manuel Bandeira foi desenganado pelos médicos por causa de uma tuberculose, aos dezenove anos de idade. O que provou ser um engano: ele viveu até os 82. Toda a sua poesia tem esse sentimento, em suas palavras, de "Toda uma vida que poderia ter sido e não foi".

Ele foi um dos poetas nacionais mais admirados, inspirando, até hoje, desde novos escritores a compositores. Aliás, o "ritmo bandeiriano" merece estudos aprofundados de ensaístas. Por vezes inspira escritores não só em razão de sua temática, mas também devido ao estilo sóbrio de escrever.

Manuel Bandeira possui um estilo simples e direto, embora não compartilhe da dureza de poetas como João Cabral de Melo Neto, também pernambucano. Aliás, numa análise entre as obras de Bandeira e João Cabral, vê-se que este, ao contrário daquele, visa a purgar de sua obra o lirismo. Bandeira foi o mais lírico dos poetas. Aborda temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estréia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.

É comum criar poemas (como o Poética, parte de Libertinagem) que se transforma quase que em um manifesto da poesia moderna. No entanto, suas origens estão na poesia parnasiana. Foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento.

Uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver. Doente dos pulmões, Bandeira sofria de tuberculose e sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra.

A imagem de bom homem, terno e em parte amistoso que Bandeira aceitou adotar no final de sua vida tende a produzir enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Carnaval, que virá logo após, abre com o imprevisível: a evocação báquica e, em alguns momentos, satânica do carnaval, mas termina em plena melancolia. Essa hesitação entre o júbilo e a dor articular-se-á nas mais diversas dimensões figurativas. Se em Ritmo Dissoluto, seu terceiro livro, a felicidade aparece em poemas como "Vou embora para Pasárgada", onde é questão a evocação sonhadora de um país imaginário, o pays de cocagne, onde todo desejo, principalmente erótico, é satisfeito, não se trata senão de um alhures intangível, de um locus amenus espiritual. Em Bandeira, o objeto de anseio restará envolto em névoas e fora do alcance. Lançando mão do tropo português da “saudade”, poemas como Pasárgada e tantos outros encontram um símile na nostálgica rememoração bandeiriana da infância, da vida de rua, do mundo cotidiano das provincianas cidades brasileiras do início do século. O inapreensível é também o feminino e o erótico. Dividido entre uma idealidade simpática às uniões diáfanas e platônicas e uma carnalidade voluptuosa, Manuel Bandeira é, em muitos de seus poemas, um poeta da culpa. O prazer não se encontra ali na satisfação do desejo, mas na excitação da algolagnia do abandono e da perda. Em Ritmo Dissoluto, o erotismo, tão mórbido nos dois primeiros livros, torna-se anseio maravilhado de dissolução no elemento líquido marítimo, como

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
223 (63%)
4 stars
75 (21%)
3 stars
37 (10%)
2 stars
11 (3%)
1 star
5 (1%)
Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Kirti Upreti.
232 reviews139 followers
July 19, 2020
I got introduced to Bandeira just last night while reading 'Open Veins of Latin America'. His poetry, by any yardstick, is way distant from the conventional understanding of poems and songs. They're even mind bending to some extent.

My only qualm is my own ineptitude at Spanish. A poem is an expression straight from the heart. Translations rarely do justice to it.
Profile Image for Heider Broisler.
Author 13 books18 followers
October 29, 2018
Um escritor completo; orgulho para o Brasil e para a língua portuguesa.
Profile Image for Lucas Mucelini.
34 reviews2 followers
November 8, 2020
Não tenho capacidade nenhuma pra fazer crítica de poesia (de nada, na verdade).
Mas achei um saco, eu achei.
Profile Image for Mariana Costa.
19 reviews11 followers
May 25, 2018
Deparar-se com a pequenez das coisas, e saber ver nela a beleza. Perceber a efemeridade, e saber fazer dela a graça. Lidar com o fim, e saber fazer dele a vida. Enfim, ler Manuel Bandeira é lição, é aprender a encontrar a poesia cotidiana, palpável. Exercício para ver a poesia da vida.

"Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres."
Profile Image for Um mar de fogueirinhas.
2,199 reviews22 followers
July 2, 2017
Poeta completo, com poesia concreta, traduções mil, lirismo, depressão, erotismo, musicalidade. E Pasargada!
Profile Image for Caroline.
175 reviews4 followers
May 17, 2019
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundíce do pátio
Catando comida entra os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era cão,
Não era gato,
Não era um rato.

O bicho, meu D'us, era um homem.

This entire review has been hidden because of spoilers.
12 reviews
December 25, 2021
Uma ótima coleção de poemas. Poemas com crítica social sem perder aquela estética e criatividade de todo grande escritor.
Profile Image for Caio Silva.
38 reviews1 follower
December 24, 2018
A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não,
A única coisa a fazer é tocar um tango angerntino.

Vou-me embora p'ra Pasárgada!
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo:
- A dor de ser homem…
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.

Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei…
Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Quero descansar.
Morrer
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.)

Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Profile Image for Claudia.
335 reviews34 followers
June 27, 2016
Esse livro e a coleção completa da Obra poética de Manuel Bandeira. Absolutamente incrível, inspirador e fabuloso! Eu fico feliz de falar Português porque pude ler esse livro no original. Tal pequeno e lindo livro de poesias que contem a beleza Brasileira que nos todos amamos. Um livro sem igual que ficara comigo pra sempre porque eu sempre vou lembrar da mamãe dizendo em minha infância: "Vou me embora pra Pasárgada, la sou amigo do rei!" Evoé Baco!
Displaying 1 - 12 of 12 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.