Para a Polícia, a morte violenta de um sem-abrigo cuja identidade é quase impossível de determinar não é uma ocorrência a que se possa dedicar muito tempo. Mas a situação altera-se na manhã seguinte: aparecem mortos, da mesma maneira, mais dois sem-abrigo na Baixa de Lisboa. E, dois dias depois, são três os sem-abrigo atacados. O serial killer começa, porém, a deixar pistas - e estas apontam para um culto satânico, mas também para a maçonaria. Com o medo a instalar-se em Lisboa, onde o assassino vai multiplicando os seus actos de violência, e enquanto Joel Franco começa a descobrir as origens desta vaga de crimes, o presidente da Câmara de Lisboa e um seu discreto aliado na própria PJ percebem quem é o autor das mortes: o homem que quiseram transformar em bode expiatório quando começou a correr mal o comércio ilícito de terrenos na zona do projectado aeroporto da Ota. No qual pontificara o presidente da Câmara quando ainda era ministro do Ambiente… E em breve vão estar frente a frente dois homens que, à sua maneira, procuram justiça: o assassino propriamente dito e Joel Franco, que tenta vingar a morte de um amigo de infância em cada homicida que persegue. É bem provável que ambos desafiem a antiquíssima norma que regula a sociedade humana: «Não matarás.»
Muito bom, este policial, passado na nossa capital. Joel um inspector da PJ, é chamado a investigar assassinatos de sem abrigo, mas ao longo do livro descobre que os assassinatos estão ligados a negócios corruptos. E num último folego, alia-se ao assassino para desmascarar o seu chefe e o presidente da câmara. Uma escrita muito visual, também pelo facto de ter conhecido os locais onde decorre a acção do livro, que nos envolve e nos leva a querer ver como Joel consegue desmascarar e apanhar os criminosos.
»»» A aquisição: Um policial, de autor português, a um preço muito em conta (muito mesmo, ao ponto de eu pensar, erroneamente, que o autor poderia ser alguém a braços com a justiça ou caído em desgraça por algum episódio moralmente reprovável!) – claro que é para comprar. Veio este livro e veio outro do mesmo autor (e depois de ler este fui comprar o volume desta série que tinha deixado de fora).
»»» A aventura: Ao mesmo tempo que o bem sucedido e ambicioso Presidente da Câmara Municipal de Lisboa procura fazer história na cidade implementando um arrojado plano de circulação e acesso à cidade, aparece um sem-abrigo morto de forma violenta. Quando outros se sucedem, indiciando a existência de um “serial killer” e gerando pânico na sociedade, é colocando em perigo a imagem que o Presidente pretende para si e para a cidade, colocando a equipa de investigação dos homicídios sobre intenso escrutínio. A investigação está a cargo da polícia judiciária e é um dos seus, o diligente, intuitivo e persistente Joel Franco, que começa a ver para lá dos símbolos maçónicos e das coincidências dos locais e rituais que cunham os homicídios. Porém, o que vê para lá das pistas deixadas pelo próprio assassino coloca-o em sentido, ao descobrir que o potencial suspeito tem ligações a um antigo crime de corrupção centrado num esquema fraudulento do suspeito que tinha como sócios o próprio Presidente da Câmara Municipal e um dos chefes da polícia judiciária. Contra todas as pressões e ordens, o sentido de justiça do agente Joel impele-o a resolver o mistério, mas quanto mais perto de antigos segredos, mais se torna um alvo a abater por todos os envolvidos.
»»» Sentimento final: Muito bom. Da escrita escorreita, ao realismo dado a pessoas e locais, este livro lê-se num ápice. Não leva a 5.ª estrela apenas porque não há muito mistério quanto ao próprio assassino, que nos é dado a conhecer relativamente cedo, mas só o facto de, mesmo assim, nos deixar com imensa vontade de continuar a ler até ao fim e ainda ter algumas surpresas é fantástico. O facto de lidarmos com locais que existem e de os aspetos obscuros a que estão ligados os envolvidos serem reminiscentes de casos verdadeiros ou de situações reais de suspeita de corrupção é ainda mais empolgante.
»»» Nota final (Capa e outras considerações): --- [Capa] – Capa fabulosa, muito bem composta, com a imagem da Basílica da Estrela trabalhada para um ambiente negro e tipo um “negativo/raio-x” (o que não se vê a olho nu/ à primeira vista) - muito bom. As letras em relevo são um bónus. --- [Saldos] – Não percebo como é que os livros desta série de Pedro Garcia Rosado ficaram a um preço tão convidativo nuns saldos de livraria online, mas claramente a valência deste livro está bem acima do preço que paguei. --- [Policial português] – Não me recordo de ter lido outros policiais portugueses, talvez porque nunca nenhum livro puxou o suficiente por mim numa prateleira ou na sinopse para pagar o que hoje custa um livro, mas fico contente por ter lido uma obra que não se arrasta, que entusiasma e que nos dá um personagem principal com moral e com apreço por ser feita justiça.
Porque é que o género policial é tão apreciado? E tão menosprezado ao mesmo tempo? Esperamos crimes e maldade mas não esperamos palavras bonitas. Esperamos personagens com intricada complexidade mas não começamos a ler o livro com os post-it na mão à espera de passagens memoráveis. E é pena. É pena porque por um lado o género policial não é um género menor (tal como não o é a fantasia ou a ficção científica). E é pena porque neste livro bem senti a falta dos meus post-its para poder, com rapidez, voltar atrás nas páginas que lia compulsivamente e recordar (ou confirmar) certas passagens. Levei muito tempo a ler este livro mas por pura falta de tempo. Aproveitei os momentos que pude para ler mas não lhe fiz justiça. Este é um livro para se ler de fio a pavio e é isso que vou fazer com o segundo volume desta série “Não matarás”: vou escolher um dia em que possa ler o livro inteirinho de uma assentada. Porque é isso que gosto de fazer com os policiais. Começo já por fazer uma crítica e uma sugestão. A crítica é a sinopse: demasiada informação para um policial. A sério: nós leitores não queremos saber. Queremos saber tudo mas apenas durante a leitura. A sugestão é simples: era giro ter um mapa de Lisboa a acompanhar a leitura. Se era imprescindível? Não, claro que não. Mas era girooooo. Quanto ao conteúdo não posso falar muito (querem saber? Vão ler a sinopse ou melhor leiam o livro) para não estragar mas fiquem a saber que o importante não é saber quem é o assassino. O importante são os porquês, os meandros da política, a corrupção, os interesses, as amizades. Um livro onde a ficção e a realidade se misturam e nos deixam ainda mais preocupados com a nossa realidade. Gostei imenso e ainda bem que acabei por ler este livro. Tão bom ler-se um policial nosso.
Com capítulos curtos, o que ajuda à leitura do livro e com um protagonista um pouco diferente de Gabriel Ponte que não mantém qualquer relação com a sua família. Franco tem namorada e uma cadela e todos parecem bastante felizes no relacionamento. A vantagem de Franco é que não mantém qualquer relação com o jornalista do canal TVN, que apresenta uma rubrica sobre crimes :)
Um livro que muito além do policial é também uma grande reflexão acerca do que se vai passando no nosso país. Excelente. (...) http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...
O meu primeiro policial escrito por um autor português. Não criando grande interesse no início e o final ser demasiado previsível, ficou a curiosidade para os restantes livros visto que ainda temos um homicídio por desvendar da infância do inspetor Franco.
Mais um livro a mostrar a qualidade e a grandeza dos nossos autores, prova de que o que é nacional também é muito bom! ✨
Fiquei bastante surpreendida com a força desta obra, a história é cativante e a escrita de Rosado, que li pela primeira vez, revelou-se fluída e envolvente.
Com capítulos curtos, acompanhamos a investigação da PJ no lindíssimo cenário lisboeta. Adoro quando os thrillers se passam em solo português, e Lisboa mostra-se sempre um palco perfeito para um policial cheio de suspense e segredos.
Tudo começa com o assassinato de um sem-abrigo, um caso quase esquecido pela indiferença da sociedade e das autoridades. Mas rapidamente a cidade desperta quando outros corpos aparecem, todos vítimas do mesmo padrão de violência brutal. O medo instala-se e a investigação ganha contornos cada vez mais obscuros.
Acompanhamos então Joel Franco, inspetor da secção de homicídios, um homem marcado pelo trauma da infância que o levou a enveredar pela carreira policial na tentativa de encontrar justiça e silenciar os seus próprios tormentos.
Cada capítulo representa um dia de investigação, mostrando a sucessão de crimes e a forma como a PJ reage ao rasto de sangue que vai sendo deixado pela cidade.
Rosado não tem receio de mergulhar em temáticas atuais e controversas, dando destaque à realidade dura dos sem-abrigo e à corrupção entranhada no sistema político. Tudo isto entrelaçado numa trama intensa que prende do início ao fim.
Pedro Garcia Rosado é a prova de que se faz excelente ficção policial em Portugal. Um thriller bem escrito, intenso e atual!
Um romance policial passado em Lisboa que creio que me diria mais se conhecesse melhor a cidade. Não me senti muito atraída pelo enredo, talvez por não ser muito fã de policiais, daí não tencionar ler os restantes dois livros que descobri pertencerem a uma trilogia.
Fiquei desiludida ao descobrir que nem num livro português, passado em Portugal, consegui terminar uma história sem intervenção estrangeira. Pode ter sido uma crítica do próprio autor (não sei dizer), ou até posso a estar a dar demasiada importância a isso, mas confesso que não me caiu bem.
Dito isto, creio que tem algumas visões interessantes sobre franjas marginais da sociedade, principalmente sem abrigo. As descrições cruas de como é viver nessa situação e a indiferença da sociedade perante essas pessoas - que segundo a obra, deixam de ser consideradas pessoas - é fascinante. Atrevo a dizer-me que esses comentários, para mim, são dignos das raras 5*. E é por isso que hesito em dar-lhe apenas duas.
Em nota final, penso que fãs de policiais irão gostar d'A Cidade do Medo.
Penso que é o primeiro policial português que leio e a estreia não poderia ser melhor. Felizmente já comprei os dois livros seguintes da trilogia e estou ansiosa por os ler.
Com capítulos curtos e uma linguagem simples é um livro muito fácil de ler e de seguir as linhas de pensamento das personagens. Recomendo vivamente.
Gostei Muito. Este Livro conseguiu despertar o meu interesse e me manter sempre curiosa., apesar da maioria dos Dados nos serem fornecidos ficamos sempre com vontade de saber mais e de ver como é que tudo vai acabar. Excelente retrato do Modus Operandi da PJ e de quem verdadeiramente Manda nas Coisas em Portugal.
A pleasant surprise! A book that goes far beyond the police, is also a great reflection on what is happening in our country. Excellent police officer of a Portuguese writer.
Recomendo! Uma escrita simples mas cuidada. Na minha opinião, um livro bastante interessante e viciante. O inspector Joel Franco é o protagonista desta história, mas, não é o único. William Alenquer também apresenta a sua versão e justificação.
Gostei muito deste "thriller económico" escrito por um autor nacional. A ação passa-se em Lisboa e é supostamente ficcionada mas esta trama económica poderia muito bem ser real, embora algumas situações sejam um pouco forçadas (na minha opinião). Muito bom. 4.5
Escrita escorreita e sempre interessante revisitar recantos de Lisboa à luz da Londres do Jack, o Estripador. O contexto da trama revela-se absurdamente atual, apesar de tudo, não querendo desvendar demasiado
Um thiller policial onde um jovem inspetor da PJ tem pela frente um serial killer e uma investigação que se cruza com o passado de várias figuras de topo da política e suas atitudes corruptivas. Muito bom.
Já não sei muito bem como é que os livros de Pedro Garcia Rosado entraram no meu radar, mas ainda bem que entraram. "A Cidade do Medo" inicia a trilogia "Não Matarás", que inclui ainda "Vermelho da Cor do Sangue" e "Triângulo". "A Cidade do Medo" é um policial em português passado em Portugal e é bastante bom! E porque é que estou surpreendida? Bem de acordo com recente formação, todos nós somos enviesados e este era definitivamente um caso de enviesamento. Posso estar enganada, uma vez que o género não abunda nas minhas estantes, mas a verdade é que não abundam escritores portugueses de policiais. Não me recordo de alguma vez ter lido um livro do género de um escritor português.
Por se tratar de um policial, para os quais convém partir sem grande informação, tenho sempre algum receio de dizer demais e estragar as surpresas do livro, por isso não me vou alongar. "A Cidade do Medo" é uma história de corrupção, de alienamento social, de vingança e é, também um retrato interessante deste nosso país à beira mar plantado. Não precisam de saber mais do que já é dito na sinopse e acho que basta dizer-vos que o livro está muito bem escrito, a história prende-nos, as personagens são interessantes e a leitura flui com muita naturalidade.
Recomendo sem quaisquer hesitações. E já tenho os outros dois livros que completam a trilogia na minha nova biblioteca digital. :)
Lembram-se de uma série policial, com argumento de Francisco Moita Flores e Luís Filipe Costa, chamada "Polícias", que passava na RTP na década de 90?... Pois é, eu era fã... E lembrei-me desta série, porque ao ler "A Cidade do Medo", tive a sensação de estár a ver um episódio novinho em folha...
O livro em geral é bastante bom, no entanto como não é o meu género literário favorito não consegui adorá-lo. Mas para quem é fã de policiais recomendo vivamente.