Existem duas maneiras de abordar o fenômeno linguístico - uma se preocupa somente em analisar internamente a linguagem, estudando os fatos linguísticos; outra despreza as particularidades da linguagem e busca traçar uma ponte entre os fatos linguísticos e a estrutura social. Este livro defende que a linguagem pode, ao mesmo tempo, gozar de certa autonomia em relação às formações sociais e sofrer as determinações da ideologia. O autor procura apresentar que níveis e dimensões são autônomos e determinados.
Denso e instigante, este pequeno livro de 87 páginas elucida parte das relações linguísticas com a realidade, ainda que extremamente direcionado ideologicamente.
Apesar de curto, o livro é uma ótima introdução ao estudo entre a linguagem e a ideologia. O autor expõe as diversas correntes de pensamento sobre o tema ao longo da história, mostrando suas inconsistências, e demonstra como atualmente se entende essa relação. De maneira equilibrada, Fiorin demonstra que a linguagem não deve ser considerada apenas por seus mecanismos internos, mas também deve ser estudada como um instrumento ideológico.