Amor e amizade inspiraram Clarice Lispector dezenas de vezes. Prova disso são as quatro dezenas de textos selecionadas pelo editor Pedro Karp Vasquez para a coletânea De amor e amizade – crônicas para jovens, primeiro de uma coleção que reunirá crônicas, escolhidas por temas, de Clarice Lispector.
Sem prender-se a significados prosaicos, a escritora criou durante anos histórias que remetem a amizades daquelas sem tamanho, a amores para o resto da vida, a relacionamentos baseados na superficialidade e até mesmo ao episódio daquele amor destruído por causa de um bule de bico rachado. Passadas mais de três décadas da morte de Clarice Lispector, os textos confirmam que esses sentimentos permeiam relações e gerações.
Os textos escolhidos apresentam-se impregnados pela forma incomum com que a escritora transporta para o papel seu jeito de ver o mundo e de lidar com o amor e a amizade. Linha após linha, Clarice conduz seus leitores pela “mistura de observações das miudezas do cotidiano com vastos voos do espírito”, como define o editor no prefácio. Leitores de Clarice Lispector não tem idade, mas desta vez a seleção foi pensada para provocar uma experiência inspiradora em jovens leitores, aqueles que “estão começando a descobrir os mistérios e os prazeres do amor e da amizade”.
Histórias fictícias intercalam-se com relatos pessoais, nos quais Clarice parece prestar uma homenagem a amigos queridos. Aparecem nesses momentos, companheiros de episódios de alguma fase da vida da autora, como é o caso do matemático Leopoldo Nachbin. Clarice e Leopoldo encontraram-se no primeiro dia de aula do Grupo Escolar João Barbalho, em Recife. Durante alguns anos, os dois foram os mais impossíveis da turma, com boas notas em todas as disciplinas, exceto em comportamento.
Clarice escreve ainda sobre outro tipo de amor/amizade, aquele com toques genuínos de admiração, algo próximo ao sentimento que levou a leitora anônima a fazer um suéter especialmente para a escritora. A resposta, em tom de agradecimento, foi escrita com a delicadeza que Clarice costumava dedicar aos leitores – a quem chegava a responder cartas e a escrever crônicas baseadas em suas sugestões e seus questionamentos: “E eis-me dona de repente do suéter mais bonito que os homens da terra já criaram.”
De amor e de amizade – crônicas para jovens não se restringe, porém, somente àqueles que encontram-se com Clarice pela primeira vez, mas serve também como um “sopro de renovação e reflexão para os leitores mais maduros”, aqueles que há muito já descobriram que a vida não foi feita para ser vivida automaticamente e que tanto a amizade quanto o amor devem ser experimentados até a última gota – “sem nenhum medo”, como ressalta em determinado momento a escritora.
Clarice Lispector was a Brazilian writer. Acclaimed internationally for her innovative novels and short stories, she was also a journalist. Born to a Jewish family in Podolia in Western Ukraine, she was brought to Brazil as an infant, amidst the disasters engulfing her native land following the First World War.
She grew up in northeastern Brazil, where her mother died when she was nine. The family moved to Rio de Janeiro when she was in her teens. While in law school in Rio she began publishing her first journalistic work and short stories, catapulting to fame at age 23 with the publication of her first novel, 'Near to the Wild Heart' (Perto do Coração Selvagem), written as an interior monologue in a style and language that was considered revolutionary in Brazil.
She left Brazil in 1944, following her marriage to a Brazilian diplomat, and spent the next decade and a half in Europe and the United States. Upon return to Rio de Janeiro in 1959, she began producing her most famous works, including the stories of Family Ties (Laços de Família), the great mystic novel The Passion According to G.H. (A Paixão Segundo G.H.), and the novel many consider to be her masterpiece, Água Viva. Injured in an accident in 1966, she spent the last decade of her life in frequent pain, steadily writing and publishing novels and stories until her premature death in 1977.
She has been the subject of numerous books and references to her, and her works are common in Brazilian literature and music. Several of her works have been turned into films, one being 'Hour of the Star' and she was the subject of a recent biography, Why This World, by Benjamin Moser.
“Mas estilhaçar o silêncio em palavras é um dos meus modos desajeitados de amar o silêncio. E é quebrando o silêncio que muitas vezes tenho matado o que compreendo. Se bem que -glória a Deus- sei mais silêncio que palavras.”
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." 💖
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amei ler sobre a Clarice, pensava que sua escrita era ainda mais rebuscada, nao sei se foi pelo fato de serem crônicas para jovens. aprendi muitas coisas com essas crônicas, algumas me afetaram mais que outras, mas é algo muito pessoal. quero ler mais sobre, só que nesse momento tenho que ler os de vestibular. comecei a dar mais valor às obras brasileiras, amaria bater um papo com Clarice, mas no momento faço isso lendo seus livros.
"de amor e amizade" foi meu primeiro contato com Clarice Lispector, e foi bem espontâneo - acabei escolhendo esse livro na biblioteca de minha escola pois minha amiga havia pegado um livro dela (não o mesmo, e sim um outro que não me recordo o nome). as experiências pessoais de Clarice relatadas no livro são carregadas pelo sentimento que a autora sentiu quando passou por elas; desde a maior alegria até a dor carregada pela angústia e melancolia (este que muitos dizem ser a maior característica dela). é um livro que convida o leitor a refletir sobre suas relações, o que ele faz para desenvolver estes laços (fraternais, românticos, platônicos etc...) e a perda delas. conforme vc vai lendo, você acaba criando empatia às relações interpessoais e até se identifica com certas cenas (num modo bem ruim). a leitura não é difícil, porém é bastante reflexiva e -pelo menos pra mim- não é o tipo de leitura pra se ter ao relaxar após um dia difícil. falo isso pois o livro me fez pensar muito (devido à identificação), mas por um lado, a leitura me cativou muito e só não terminei em 3 ou 4 horas devido ao baque. portanto, é um bom livro e possui uma otima escrita!! espero ler mais obras da Clarice daqui pra frente
"quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais."
Clarice sempre consegue ser muito sincera em tudo que escreve e vemos através de seus olhos suas angústias, muito embora a coletânea de crônicas desse livro tem o aspecto voltado para amor e amizade, muitas dessas relações acabam por despertar certo incômodo perceptível na autora, incômodos de pessoas de verdade que sentem de verdade. E ver a autora se mostrando completamente sem se importar com o que vão dizer é impressionante, me senti muito próximo de Clarice lendo esse livro como se a tivesse conhecido tomando café numa padaria em um dia nublado no Rio de Janeiro, algumas das passagens faziam total e completo sentido para com algumas de minhas vivências e esse foi um dos pontos chave para que eu gostasse demais dessa leitura.
O conjunto de fragmentos da alma de Clarice Lispector que mais me tocou, mais pelos pequenos trechos em que ela fala sobre os sentimentos de saudade, tristeza, desilusão e amor (de forma frustrada e frustrante). Em resumo, gostei dos mais melancólicos nos quais eu me identifiquei. A última crônica veio a calhar e, depois de certa reflexão sobre o tema e as palavras de Clarice nesse texto, senti um turbilhão de emoções. A maioria das "Crônicas" é entediante de mais, mas talvez esses só sejam como são para mim por eu ser muito nova e não compreender tamanha complexidade presente nas obras da "Clarita".
Eu amei!!! É tudo o que posso dizer. Estava para ler esse livro há um bom tempo, mas sempre deixava de lado (pura preguiça).
Parece uma conversa de amigas durante um cafezinho às 15h no centro do Rio!!!!!! É incrível como Clarice consegue se fazer tão próxima do leitor!
Todo mundo, com certeza, vai se identificar mais com um texto ou outro, mas vai se identificar com alguma coisa.
Recomendo a todos!!! Principalmente para começar a ler Clarice Lispector.
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
"sabe, ontem acordei colorida. Assim porque vi uma porção de coisas sempre vistas e nunca vistas, amei o movimento da vida, sabe como é, um dia que a gente tem olhos para ver" - O grito, pag 107
Meu primeiro contato com Clarice veio por meio dessa leitura. Extremamente marcante e apaixonante, tenho trechos do livro marcados para sempre na memória.
Gostei, apesar de ter desgostado de alguns capítulos (justificados – ao meu ver, Clarice mesma insinua que nem tudo que ela escreve vai ser bom ou suprir expectativas).
Alguns capítulos me fizeram me enxergar em Clarice (talvez porque ela tinha momentos tristes e eu também tenho, assim como todo mundo).
curiosa coleçao de clarice, nem sempre perfeito mas sempre muito pungente
alguns textos são maravilhosos, outros nem tanto, alguns são só algumas pílulas
impressiona a capacidade de clarice em mistificar e desarmar a vida - uma compreensão da realidade muito sensível e que sensibiliza aquele que se mostra sensível a sentir
Esse foi livro foi uma surpresa muito agradável. Me ajudou a ressignificar a vida no momento em que estava lendo (e vivendo). Clarice traz o amor e a amizade com poesia e seu olhar profundo, ainda com um toque de humor do que se diz trivial mas que com ela se torna sublime. O passeíto me pegou! Existe um eu antes e depois de entrar em contato com Clarice. Minha crônica preferida foi "por não estarem distraídos".
my first clarice lispector, and i liked it so much!! i love chronicles, it is literally the best genre, and the way clarice writes is just espetacular!
Fiquei com receio de ler algo de Clarice, pois achei que não entenderia. Me surpreendi ao ler estas crônicas, pois muitas delas conversaram comigo. Tem muita interpretação poética, com certeza. E vi um pouco da história da Clarice, pude sentir um pouco de sua alma. Foi uma leitura fácil e rápidas, pois além de crônicas curtinhas, as palavras utilizadas são simples e profundas em muitos momentos.
Minhas crônicas favoritas: - Por não estarem distraídos; - Amor imorredouro; - O primeiro beijo; - Comunicação muda; - Dar-se enfim; - Por causa de bule de bico rachado; - Dies irae.
Clarice tinha o dom de escrever sua própria alma. Aqui encontramos delicadas (porém bem datadas) crônicas sobre sentimentos e como lidamos com eles; sobre pessoas que nos deixaram e as que permaneceram; sobre ser humano e, melhor ainda, sobre ser. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ "Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque eles não estavam mais bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que já eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."