What do you think?
Rate this book


688 pages, Paperback
First published October 10, 2011
Torna-se um pouco complicado falar da imensidão desta obra e da complexidade desta grande Senhora, são poucas as palavras que lhe conseguem fazer justiça.
Apesar de ao longo do livro ter-me custado ligar à personagem Marquesa de Alorna, idealizada pela autora, devo dizer que fiquei profundamente admirada pela sua experiência de vida resumida no seguinte parágrafo:
“(…)Tinha atravessado quatro reinados, viajara por toda a Europa, fora dama da Rainha D. Carlota Joaquina (…). Vira o Império do Brasil tornar-se formalmente independente de Portugal. Vira as pretensões de D. Pedro, Imperador do Brasil, em herdar duas coroas: a imperial e a real. Vira estalar grandes convulsões políticas. Vira famílias nobres, como a sua, divididas ao meio. Vira crepitar o ódio e a descrença numa guerra civil desumana, causada por uma disputa fratricida. Vira os netos a combater pelo liberalismo e pela Carta Constitucional, vira-se também refém da causa, escondendo combatentes liberais por baixo da cama e dentro de armários, e vira Paris e londres rendidas às ideias liberais. (…)”
In Marquesa de Alorna,
Maria Lopo CarvalhoForam poucas as mulheres que, neste tempo, tiveram a coragem de elevar a voz e demonstrar que, na realidade, não só os homens como também as mulheres tinham poder suficiente para poderem governar, o que acabou por lhe provocar o exílio umas quantas vezes.
Assim, foi com agrado que percorri estas mui, mui, mui longas 688 páginas às quais, na minha modesta opinião, se poderiam retirar umas 150-200 páginas acabando, por tornar uma leitura bastante densa e um pouco cansativa, um aspeto negativo que muitas vezes acompanha este género de literatura.
Ainda assim, dou os meus parabéns à autora, pelo excelente trabalho de investigação que se notou bastante, algo que me agradou bastante na obra. Quem disse que aprender história não dá prazer?
Concluindo, recomendo (para além dos fãs incondicionais do romance histórico que tenho a certeza que irão adorar) todos os portugueses pois é sempre importante ficarmos a conhecer estas pessoas que marcaram a nossa história e que ficaram, utilizando uma expressão muito utilizada pela Leonor no livro, “para a posterioridade”.