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Marquesa de Alorna

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Leonor, Alcipe, condessa d’Oeynhausen, marquesa de Alorna - nomes de uma mulher única e invulgarmente plural. Chamei-lhe Senhora do Mundo. Poderia ter-lhe chamado senhora dos mundos. Dos muitos mundos de que se fez senhora. Inconfundível entre as elites europeias pela sua personalidade forte e enorme devoção à cultura, desconcertou e deslumbrou o Portugal do séc. XVIII e XIX, onde ser mãe de oito filhos, católica, poetisa, política, instruída, inteligente e sedutora era uma absoluta raridade.
Viveu uma vida intensa e dramática, mas jamais sucumbiu. Privou com reis e imperadores, filósofos e poetas, influenciou políticas, conheceu paixões ardentes, experimentou a opulência e a pobreza, a veneração e o exílio. Viu Lisboa e a infância desmoronarem-se no terramoto de 1755, passou dezoito anos atrás das grades de um convento por ordem do Marquês de Pombal e repartiu a vida, a curiosidade e os afectos por Lisboa, Porto, Paris, Viena, Avinhão, Marselha, Madrid e Londres.
Marquesa de Alorna, Senhora do Mundo é uma história de amor à Liberdade e de amor a Portugal. A história de uma mulher apaixonada, rebelde, determinada e sonhadora que nunca desistiu de tentar ganhar asas em céus improváveis, como a estrela que, em pequena, via cruzar a noite.

688 pages, Paperback

First published October 10, 2011

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About the author

Maria João Lopo de Carvalho

54 books63 followers
Maria João Lopo de Carvalho nasceu em 1962 e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Professora de Português e de Inglês no ensino público e privado, representante em Portugal dos colégios ingleses Pilgrims, fundou e dirigiu a Know How, Sociedade de Ensino de Línguas e a Know How, Edições Produções e Publicidade destinada à tradução e à criação de livros personalizados para crianças e à conceção anual do Guia da Criança.
Publicou o primeiro romance, o best-seller Virada do Avesso, em 2000 e Acidentes de Percurso, em 2001.
Divorciada, mãe de dois filhos, fala e escreve pelos cotovelos e tem sempre tempo para tudo, sobretudo para os amigos.

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1 star
7 (1%)
Displaying 1 - 30 of 50 reviews
Profile Image for Carla.
184 reviews25 followers
January 7, 2017
Este romance histórico sobre a vida da Marquesa de Alorna ou Alcipe, como era conhecida a poetisa nos meios literários, começou desde logo por cativar o meu interesse, porque ao descrever-nos a sua vida e a das pessoas com que se relacionou, permite-nos passear no tempo e no espaço, desde meados do século XVIII até quase à primeira metade do século XIX.

Pelo que, percorremos a Lisboa Pombalina, durante e após o terramoto de 1755, as reformas e o autoritarismo do Marquês de Pombal, os reinados de D. Maria I e de seu filho D. João VI, as invasões francesas de Napoleão Bonaparte, a fuga da família real para o Brasil, a independência deste território, as lutas liberais entre D. Pedro e D. Miguel, e o início do reinado de D. Maria II, porque longa foi a vida da Marquesa de Alorna para a época (89 anos).

E, além de alguns factos sobre a História de Portugal, é-nos também dado a conhecer um pouco da história da Europa, nomeadamente, da Áustria, da França, da Espanha e da Inglaterra, pois a Marquesa de Alorna também viveu em Viena, Paris, Avinhão, Marselha, Madrid e Londres, tendo sido uma mulher cosmopolita em relação às mulheres portuguesas da época.

Deste modo, assistimos à discussão e combate de correntes políticas contrárias, como o absolutismo e o iluminismo, a monarquia absoluta e a monarquia constitucional e a própria monarquia em confronto com a República, protagonizadas por personagens reais, o que tornou o livro bastante interessante.

A Marquesa de Alorna, mulher culta e poetisa de talento, que estudou história, política, literatura e música desde muito pequena, sobretudo entre os 8 e os 26 anos, período em que esteve presa no Convento de Chelas, juntamente com a sua mãe e irmã, por ordem do Marquês de Pombal, dado que era neta dos Távoras, família perseguida por este último, conheceu e conviveu com músicos e escritores de várias nacionalidades, como Mozart, Bocage, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Lord Byron, entre muitos outros, pelo que assistimos aos momentos passados nas óperas, nos teatros, na corte e nos salões literários e musicais da nobreza.

E é motivante percorremos os movimentos culturais dos séculos XVIII e XIX, como o neoclassicismo e o romantismo.

Mas além da história, a vida pessoal e familiar da Marquesa de Alorca é muito intensa, porque esta trata-se de uma mulher muito diferente das mulheres desse tempo, pois é independente, casa por amor contra a vontade do pai, não se coíbe de em privado e de em público defender os seus ideais liberais, mesmo correndo riscos, não se submete à vontade dos homens, escreve poesia, organiza e apoia grupos clandestinos em oposição a Napoleão Bonaparte, participa em saraus e tertúlias, apesar de se ocupar também da educação de oito filhos, de netos e de uma bisneta.

Por fim, quero também dizer que a forma como está escrito o livro, com muitos diálogos intercalados por pensamentos da personagem principal e por algumas descrições da autora, torna a leitura fluída e cativante.

É, de facto, uma obra que, apesar de não ser brilhante, vale a pena ser lida.

Profile Image for J8J8.
95 reviews25 followers
November 26, 2013

Torna-se um pouco complicado falar da imensidão desta obra e da complexidade desta grande Senhora, são poucas as palavras que lhe conseguem fazer justiça.

Apesar de ao longo do livro ter-me custado ligar à personagem Marquesa de Alorna, idealizada pela autora, devo dizer que fiquei profundamente admirada pela sua experiência de vida resumida no seguinte parágrafo:

(…)Tinha atravessado quatro reinados, viajara por toda a Europa, fora dama da Rainha D. Carlota Joaquina (…). Vira o Império do Brasil tornar-se formalmente independente de Portugal. Vira as pretensões de D. Pedro, Imperador do Brasil, em herdar duas coroas: a imperial e a real. Vira estalar grandes convulsões políticas. Vira famílias nobres, como a sua, divididas ao meio. Vira crepitar o ódio e a descrença numa guerra civil desumana, causada por uma disputa fratricida. Vira os netos a combater pelo liberalismo e pela Carta Constitucional, vira-se também refém da causa, escondendo combatentes liberais por baixo da cama e dentro de armários, e vira Paris e londres rendidas às ideias liberais. (…)”

In Marquesa de Alorna,

Maria Lopo Carvalho

Foram poucas as mulheres que, neste tempo, tiveram a coragem de elevar a voz e demonstrar que, na realidade, não só os homens como também as mulheres tinham poder suficiente para poderem governar, o que acabou por lhe provocar o exílio umas quantas vezes.

Assim, foi com agrado que percorri estas mui, mui, mui longas 688 páginas às quais, na minha modesta opinião, se poderiam retirar umas 150-200 páginas acabando, por tornar uma leitura bastante densa e um pouco cansativa, um aspeto negativo que muitas vezes acompanha este género de literatura.

Ainda assim, dou os meus parabéns à autora, pelo excelente trabalho de investigação que se notou bastante, algo que me agradou bastante na obra. Quem disse que aprender história não dá prazer?

Concluindo, recomendo (para além dos fãs incondicionais do romance histórico que tenho a certeza que irão adorar) todos os portugueses pois é sempre importante ficarmos a conhecer estas pessoas que marcaram a nossa história e que ficaram, utilizando uma expressão muito utilizada pela Leonor no livro, “para a posterioridade”.


Profile Image for José Luís  Fernandes.
87 reviews47 followers
November 15, 2015
This is a very nice work of historical fiction on D. Leonor de Almeida Portugal, 4th Marquise of Alorna and 8th Countess of Assumar, a brilliant Portuguese noblewoman, poet and intellectual of the Enlightenment known throughout the European courts (among many of which she travelled during her life) and intellectual circles for the quality of her writings.

Despite some inaccuracies mainly as a result of overgeneralizations, the book depicts vivdly the times and life of this wonderful woman, from her childhood and youth passed in a nunnery for political reasons (her family was involved in the famous trial against the Távora for an attempt of murdering the king Joseph I of Portugal in 1759) until her death in 1839. The writing style is light, although the author sometimes makes exaggerations regarding their simlicityto the point that slightly affects the quality of the text at some points.

As a final note, I must say that it's very visible, especially by comparing and contrasting with Padeira de Aljubarrota (a bad book), that Maria João Lopo de Carvalho really admires and breathes the life of the main character and that's decidedly a very important factor for the sucess of this book (she also made much more research while writing this work than the medieval historical fiction counterpart).
Profile Image for Teresa.
1,609 reviews45 followers
January 4, 2018
Sem dúvida uma mulher fascinante que consegue ser ao mesmo tempo à frente do seu tempo e no entanto tão resultado do mesmo.
Em tantas situações avançada e inovadora tem depois atitudes de um conservadorismo surpreendente.
Foi fascinante ler acerca da vida dela acompanhando ao mesmo tempo a evolução do país durante os 80 anos da sua vida.
Profile Image for Rita.
911 reviews188 followers
February 25, 2013
Uma viagem que nos leva desde o dia 1 de Novembro de 1755 até 11 de Outubro de 1839.
Uma mulher intensa, cheia de garra que nunca se vergou às dificuldades que a vida se encarregou de lhe colocar no caminho.
Faltaram e faltam a Portugal Mulheres como ela.

Profile Image for Catarina Magalhães.
305 reviews39 followers
July 12, 2013
Gostei bastante deste livro, foi o primeiro que li desta autora, nada sabia sobre a Marquesa de Alorna, e fiquei impressionada com a vida que levou!

Embora ache que certas partes estão demasiado pormenorizadas e a outras falte alguma informação (e daí as 3 estrelas em lugar das 4 que iria ter, não fosse isso) esta história está muito bem construída e narrada. Maria João Lopo de Carvalho conseguiu apresentar-nos esta Marquesa, tão importante no seu tempo, e que passou por tanto, sem no entanto ser tendenciosa, nem nos mostrar apenas os lados bons da mesma.

Leonor, Marquesa de Alorna no fim da sua vida, antes Condessa, por casamento, teve sem dúvida uma vida atribulada. Viu passar por Portugal 4 diferentes Reinados, passou pelas guerras de Napoleão, pela guerra civil Portuguesa, e viajou pela Europa, vivendo na Áustria, França, Espanha e Reino Unido! Estamos a falar de uma mulher que esteve presa durante 18 anos, devido à perseguição levada a cabo contra a sua família, pelo Marquês de Pombal, que tanto fez por Lisboa, mas, até ler mais sobre ele neste livro, não sabia bem a que custo.

Ainda assim não nos é aqui apresentada uma mulher isenta de falhas, pois ninguém é perfeito, e Leonor foi uma mulher corajosa, muito à frente do seu tempo numas coisas, e tão perfeita para ele noutras. Lutou sempre por aquilo em que acreditou, quer estivessem com ela ou contra ela, e se essa obstinação é de louvar, foi também por vezes exagerada, e em certos assuntos e atitudes, nunca conseguiu mesmo perder o preconceito que ser da nobreza lhe tinha transmitido, pois acreditou sempre que era um pouco superior a outras pessoas. E talvez fosse, mas pela sua inteligência e perspicácia, nunca pela condição do seu nascimento.

Foi feliz, porque lutou pela sua felicidade, mas acho que chegando ao fim da sua vida percebeu que teve mais de infelicidade que do contrário, infelizmente. Passou por muitas perdas, e não conseguiu concretizar para os seus filhos e filhas tudo o que desejava. Contudo, não morreu sozinha, e foi amada até ao fim, pelas filhas, pelos netos, pelos amigos que tanto a admiravam. Foi uma poetisa extraordinária, mulher muito culta pelos parâmetros da época e deixou-nos o seu legado em palavras.

Tivemos nós grandes personalidades em Portugal, e de poucas ouvimos falar na escola...por isso acho este livro e esta história uma mais valia para todos, nunca é demais saber sobre quem tanto lutou por Portugal, pelos meios que tinha disponíveis :)

Gostei da Marquesa de Alorna, gostei deste livro, e estou entusiasmada para ler outro que tenho sobre uma das filhas dela, Juliana :)
Profile Image for Margaret.
788 reviews15 followers
November 8, 2016
“Marquesa de Alorna” é uma biografia romanceada de Leonor d’Oeynhausen, uma nobre poetisa do século XVIII que encantou várias cortes europeias com a sua imensa cultura e ideias firmes sobre a liberdade e a educação das mulheres.

Como familiar dos Távoras, foi encarcerada com a mãe e irmã no Convento de Chelas durante 18 anos a mando do Marquês de Pombal, sendo só libertada após a morte de D. José. Casa-se com um conde alemão e viaja pela Europa, onde conhece o Imperador da Áustria, a escritora Madame de Stäel e outras figuras proeminentes da época. Insurge-se contra as Invasões Francesas, mas é considerada um “empecilho” no seu país, pelo que se exila em Inglaterra. Viveu quase 90 anos e, no final da vida, todos lhe reconheceram, finalmente, o mérito.

Foi uma leitura interessante, aprendi bastante sobre uma portuguesa bastante avançada para o seu tempo, mas confesso que o livro foi demasiado longo. Nota-se que a autora tem um respeito enorme por Leonor e que quis abarcar todos os episódios relevantes da sua vida. Mas, fazendo isto, acabou por abordar muitos aspetos de forma superficial. Ou seja, apesar do tamanho, não me submergi no enredo, nos dilemas das personagens, porque não encontrei a dose necessária de drama, intriga e suspense para “viver” a história. Talvez com medo de não fazer justiça à sua memória, a autora não se aventurou muito para além dos assuntos abordados na correspondência e outra documentação que Leonor deixou para a posterioridade. Gostei da investigação da época, da escrita agradável, mas faltou um pouco mais de imaginação para tornar a leitura viciante.

Profile Image for Sofija.
51 reviews28 followers
June 26, 2015
Adoro ler livros sobre mulheres invulgares, cultas, determinadas, e fiquei encantada com a vida desta nossa Marquesa de Alorna.

O percurso de vida da Leonor de Almeida, a Marquesa, prende-nos desde o início com o relato do Terramoto de Lisboa do ano 1755, Leonor tinha apenas 5 anos. E logo depois de ter sobrevivido a esta catástrofe natural, a sua família é incriminada no Processo dos Távoras, que viria a determinar a morte de uma grande parte da sua família e o seu cativeiro da Marquesa durante 18 anos, no Convento de Chelas.

O livro prossegue com o relato da vida Marquesa no estrangeiro, onde convive com Mozart, Maria Antonieta, é amiga do Imperador Austríaco, tem contacto com a elite do séc. XVIII e deslumbra as principais capitais europeias Viena, Paris, Sul de França, com a sua poesia, cultura literária, domínio de várias línguas (inglês, francês, alemão, italiano).

A marquesa de Alorna era realmente-te uma mulher muito à frente do seu tempo, que superou muitos infortúnios na sua vida desde as várias tragédias na sua família, ao cativeiro, exilamento, e também aos graves problemas financeiros, mas nada impediu de lutar ferozmente pela educação, pela literatura, pela honra da família e pelo seu querido país Portugal.

Profile Image for Tita.
2,216 reviews233 followers
July 8, 2016
O livro é dedicado à vida de D. Leonor de Almeida Portugal, poetisa Alcipe, condessa d’Oeynhausen e marquesa de Alorna. Uma mulher muito informada e com uma personalidade muito forte.
D. Leonor teve uma vida cheia mas também com alguns revezes, mas nunca baixou os baixos perante as dificuldades.
Da sua longa vida, passou 18 anos "encarcerada" num convento, juntamente com a sua mãe e irmã, por ordem do Marquês de Pombal, por causa do Processo Távora. Para além disso, D. Leonor viveu não só em Lisboa mas também, por exemplo, no Porto, Paris, Viena, Madrid e Londres.
A Marquesa da Alorna, tem uma personalidade muito forte e vincada, muito dedicada à educação e aos Reis. D. Leonor foi uma mulher mesmo muito interessante e que nos cativa logo no início. No entanto, nem sempre concordei com as suas opiniões mas realmente foi uma mulher única.
Apesar do seu tamanho, é um livro que se lê muito bem, pois os capítulos são muito curtos o que permitem avançar muito rapidamente.
A escrita da Maria João Lopo de Carvalho é acessível, apesar de usar linguagem adequada à época, não torna o livro maçudo.
Gostei bastante e fiquei com ainda mais vontade de ler A Padeira de Aljubarrota, da mesma autora.
Um excelente livro para quem é fã de romances históricos.
Profile Image for Marta Ávila.
176 reviews3 followers
October 20, 2015
Aprendi muito sobre esta personagem da história de Portugal e sobre a realidade da época. Infelizmente, o livro é muito bom até cerca de 60% - até à morte do marido de Leonor - e depois... depois até dá a ideia que não é a mesma pessoa a escrever. Decai de tal modo que o que era antes interessante se torna aborrecido, o que era antes brilhantemente escrito, se torna simplista e francamente... texto de encher chouriços. Uma pena. Até aos 60% eu teria dado 5*. Perdeu duas na última parte do livro.
Profile Image for Carla.
20 reviews
April 14, 2017
Aprendi imenso sobre a Marquesa e adorei as histórias sobre personagens e datas que foram importantíssimas na nossa História.

Um livro brilhante!

Fiquei fã da autora!
Profile Image for Iceman.
357 reviews26 followers
December 30, 2012
Antes de mais, é sempre um enorme prazer ler bons romances históricos, o meu género preferido. Num bom romance histórico, para além de nos ser dado a conhecer a época abordada, o autor consegue-nos situar e quase que interagir com os personagens, uma espécie de relacionamento à distância, como se de facto conhecêssemos as pessoas, fossem nossas amigas e só a distância física nos impede de estarmos e falarmos com eles.

Pois bem, Maria João Lopo de Carvalho, consegue, com este seu primeiro romance histórico, precisamente isso, conseguindo mais, empolga-nos na forma como descreve, não só a vida fascinante de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, como consegue também, através de pormenores e imensas curiosidades, trazer os séculos XVIII e XIX para o nosso seio, tornando-os vivos.

Ou seja, resumindo tudo o que vou adiante escrever, estamos na presença de um romance histórico fabuloso, um dos melhores que li nos últimos anos.

Leonor de Almeida Portugal, 4ª Marquesa de Alorna, 8ª Condessa de Assumar, foi uma mulher fascinante assim como fascinante foi a sua vida.

Nasce em 1750, neta de dos Marqueses de Távora que em 1758 iriam ser alvos de um processo que levou à ruína da família, tem no terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, a sua primeira recordação que irá marcar a sua vida. Não só pelo acontecimento em si, como também porque, quase no seguimento, vê os seus avós Távoras encarcerados e mortos no cadafalso. No seguimento desse célebre processo movido pelo Marquês de Pombal, um dos ódios de estimação da Marquesa, que ordena a prisão de toda a sua família. As mulheres no convento de Chelas e seu pai, na Torre de Belém e posteriormente no forte da Junqueira.

É lá que Leonor irá passar 18 anos. Imaginem o que quase duas décadas de prisão, por um crime que nem sequer existiu, fizeram na mente daquela família.

No entanto, é no cárcere que Leonor constrói a sua personalidade. Começa desde muito nova a escrever ao seu pai e, como ele gostava de poesia, Leonor entretém-se a escrever poemas que os envia ao pai. Curiosa e muito inteligente, entrega-se ao estudo das obras de Rousseau, Voltaire, Diderot, Bayle, entre outros. É o início de uma actividade que lhe irá trazer fama no futuro e o cognome de Alcipe.

Tudo isto e a restante da sua vida fascinante, Maria João Lopo de Carvalho narra brilhantemente. A liberdade e reencontro da família, a luta por limpar o nome dos Távoras, o seu casamento, o nascimento dos filhos, a estadia na corte de Viena onde conheceu Mozart, Salieri, o arquiduque da Áustria José II, entre tantos episódios e acontecimentos que fizeram de Leonor uma mulher do seu tempo mas com uma mentalidade muito além do seu tempo.

Um livro volumoso, mas que se lê num sopro, face à qualidade da escrita, simples e objectiva, e à forma estruturada como a autora coloca os acontecimentos. Sem qualquer pressa, sem pular épocas, tudo está devidamente organizado e facilmente seguimos o percurso da marquesa desde a sua infância até à sua morte em 1839.

Um livro altamente aconselhável, que me deu imenso gozo a ler e que me permitiu ter um conhecimento algo diferente desses dois séculos, sobretudo a segunda metade do século XVIII. Uma época marcada pela Revolução francesa que teve um impacto decisivo no rumo das sociedades.
Profile Image for Fernando Delfim.
400 reviews12 followers
February 17, 2014
Marquesa de Alorna, de Maria João Lopo de Carvalho

“Bem vindo a Lisboa, a cidade onde o clero finge que reza, a nobreza finge que é nobre e o povo finge que é livre!”

Sumário:
Marquesa de Alorna mãe de oito filhos, católica, poetisa, política, instruída, inteligente e sedutora era uma absoluta raridade. Viveu uma vida intensa e dramática, mas jamais sucumbiu. Privou com reis e imperadores, filósofos e poetas, influenciou políticas, conheceu paixões ardentes, experimentou a opulência e a pobreza, a veneração e o exílio. Viu Lisboa e a infância desmoronarem-se no terramoto de 1755, passou dezoito anos atrás das grades de um convento por ordem do Marquês de Pombal e repartiu a vida, a curiosidade e os afectos por Lisboa, Porto, Paris, Viena, Avinhão, Marselha, Madrid e Londres. A história de uma mulher apaixonada, rebelde, determinada e sonhadora que nunca desistiu de tentar ganhar asas em céus improváveis, como a estrela que, em pequena, via cruzar a noite.

Crítica:
Este livro foi construído a partir das cartas que a autora estudou e, assim, tentou construir uma ligação entre elas. Francamente acho que até nem começou mal, mas foi perdendo o fôlego nas quase 700 páginas da obra.

Algumas citações que achei interessantes:
“[...] em matérias científicas, vale mais o dito de um sábio herege do que o de um santo ignorante!”

“O tempo mais precioso da vide uma mulher é o espaço dos catorze aos vinte e cinco.”

“Who ever loved that loved not at first sight?” (Shakespeare)

“[...] encarceradas em conventos (freiras) [...] Costuma-se dizer que uma freira só se torna honesta quando de lá sai!”

“os maus têm um grande séquito e o sábio vive só”

“[...] menos Igreja, menos despostismo, menos aristocracia, mais fraternidade entre os povos, mais igualdade.”

“O amor é um luxo a que só alguns têm acesso.”

“Imaginar é o princípio da criação”

“A morte não é o sono eterno, a morte é o início da imortalidade” (Robespierre)

“Portugal era assim: um feitiço que se entranhava na pele, no coração e na alma e nos fazia saudades ao final do primeiro dia de ausência”

“O homem não nasce tolo, nasce ignorante. Entre os povos civilizados a tolice é o estado comum dos homens. São tolos porque são educados por sábio falsos e por livros tolos, o efeito contrário deve-se à instrução”

“o amor só é perigoso quando é exclusivo”

“[...] gostava de saber sob que forma de governo é mais fácil ao homem ser livre, sem se corromper! No meu modesto entendimento, numa república é bem mais simples criar vícios do que desenvolver talentos!”

“[...] aquela forma de falar cantada e açucarada que usavam os portugueses regressados do Brasil [...]”

“Tomai um quase nada de tudo, anunciai-o muitíssimo e vendereis enormemente”

“Nada é fácil num país como o nosso, em que todos fingem ser o que não são.”

“Não havia pontos, traços e pausas capazes de substituírem a riqueza das palavras. A modernidade e a barbárie por vezes tocavam-se. Pontos e traços pelo ar pareciam-lhe em tudo uma versão civilizada dos sinais de fumo do índios das Américas.”

Author 2 books16 followers
November 28, 2018
Após ter lido a Padeira de Aljubarrota, nota-se que este livro foi escrito com um maior gosto (e lido também). Talvez, porque a personagem principal seja uma mulher com muito conhecimento literário e cultural.

A história desenrola-se em volta da vida desta mulher-personagem, Marquesa de Alorna, numa altura em que a posição da aristocracia começava a ser ameaçada em vários países da Europa, incluindo Portugal. É interessante saber todos os desenvolvimentos da época e o pensamento da aristocracia portuguesa. No entanto, gostaria que a escrita tivesse uma maior envolvência com os sentimentos da personagem, mesmo que para isso, tivesse que referir-se só a uma passagem da vida da personagem.


É uma história de força e de inspiração, muito diferente da história da Padeira de Aljubarrota, o que me alegrou muito. A força da personagem é fenomenal e faz-nos pensar na dualidade de valores da altura. Gostei bastante da escrita e de relembrar os momentos da história dos séculos XVIII e XIX.
Profile Image for Inês Montenegro.
Author 49 books147 followers
Read
November 8, 2021
"O romance divide-se em cinco partes, denominadas com as identidades da protagonista ao longo da vida. Em “Leonor” (Parte 1), temos a infância marcada pelo terramoto de 1755 e pelo processo dos Távoras (sua família materna), assim como a adolescência passada no convento de Chelas, onde foi encarcerada com a mãe e a irmã, e se educaram ambas as meninas.
A Parte 2, “Alcipe”, toma o seu pseudónimo de poetisa. Aborda os anos de jovem adulta, a culminarem no casamento. Destaca-se, nesta divisão, o reconhecimento enquanto poetisa e a libertação do cárcere por morte de D. José I e ascensão de D. Maria II, acontecimentos que levaram ao afastamento de Marquês de Pombal do poder. A família reúne-se e recupera as suas posses. O noivo é escolha de Leonor e segue adiante, apesar de não ter a bênção do pai, que não o considerava como um homem de carácter: um dos episódios onde se demonstra o espírito independente e teimoso da futura Marquesa. (...)"

Opinião completa em: https://booktalesblog.wordpress.com/2...
Profile Image for Mary Limes.
60 reviews
February 2, 2012
Adorei conhecer a história desta mulher maravilhosa que viveu num tempo que não era o dela.
"As letras são mais alto ramo de erudição, pois o mais relevante da vida de um povo é a língua que fala e a história do que lhe aconteceu"
Profile Image for Margarida.
461 reviews43 followers
April 19, 2015
[O meu e-book tinha 405 páginas, não registei como nova edição por ter o mesmo ISBN que os já existentes]

Gostei de conhecer mais a fundo a história de D. Leonor de Almeida Portugal, 4ª Marquesa de Alorna. Começamos a acompanhar o seu percurso de vida aos 5 anos, feitos no dia anterior ao terramoto de 1755. É-nos descrita a desolação da cidade pelos olhos de uma criança inserida numa família nobre, que foge para a sua "casa de campo" no Campo Pequeno, no termo da cidade de Lisboa (onde hoje é o Palácio Galveias). Com o atentado a D. José I, a sua família é presa; os seus avós maternos e tios são executados no Terreiro do Paço; o pai é preso no Forte de São João da Junqueira (demolido em 1939); o irmão mais novo, Pedro, é criado sob as ordens de Marquês de Pombal; e D. Leonor é enviada com a irmã Maria e a mãe para o Convento de Chelas, onde ficará 18 anos. Isto porque era neta materna de D. Francisco de Assis e D. Leonor de Távora, tendo todos os elementos da família Távora sido implicados como culpados no atentado ao Rei, devido às intenções do Marquês de Pombal de eliminar a antiga nobreza que era influente na corte e reduzir os poderes da Igreja e Inquisição. Será precisamente o Marquês de Pombal o ódio de estimação da Marquesa, mesmo muitos anos passados sobre a sua morte. É no Convento de Chelas, onde tinha visitas na "grade" de nobres e conhecidos, que conhece o seu futuro marido Carlos Augusto, conde de Oyenhausen (Áustria). É também no Convento, onde tem uma educação esmerada prestada por mestres juntamente com a irmã, que desenvolve a sua veia poética, para além dos estudos de livros proibidos que engenhosamente faz chegar a si. Começa a usar o nome poético de Alcipe e a irmã o de Daphne, dados pelo poeta e mestre da Arcádia Lusitana Filinto Elísio, que era um apaixonado da irmã que a ia visitar à "grade" do convento, apesar de ter professado para padre e ser bastante mais velho.
Acompanhamos a queda do Marquês de Pombal, após a morte do Rei D. José I e subida ao trono de D. Maria I, e a subsequente libertação de todos os presos Távora. Após esse acontecimento, o nome de Távora é reabilitado e retiradas todas as acusações. D. Leonor consegue casar-se com o Conde de Oyenhausen, apesar de a contra-gosto do pai que não vai à cerimónia e parte com o marido para constituir família, primeiro no Porto e depois para a Áustria. Aí encontra nos salões literários grandes figuras da arte, literatura e música europeias. Durante o seu casamento tem 6 filhos, embora tenha tido mais gravidezes e filhos que faleceram em crianças e tido de acolher na sua família um filho natural do marido, nascido antes do casamento.
Há algo que vai acompanhar a Marquesa de Alorna durante toda a sua vida. Para além da poesia, algo que é sempre constante são as dificuldades económicas. Primeiro porque o marido é pouco apto para gerir as finanças familiares e a renda que recebem do Estado Português como Embaixadores na Áustria, depois quando fica viúva e tem a seu cargo os 6 filhos, o governo de uma casa e salários de criados.
Para além da extensão da obra, a leitura é agradável, dá-nos um bom retrato do século XVIII e XIX, não só em Portugal mas pelos países europeus por onde a Marquesa vai passando (Áustria, França, Espanha, Reino Unido). Sobretudo porque é preenchida por excertos de poemas seus e de cartas e documentos/reflexões da Marquesa.
No entanto, a obra torna-se cansativa a partir da 4ª parte, com as convulsões políticas que se abateram sobre a Europa (Invasões Francesas, fuga da corte e dos Reis portugueses para o Brasil, exílio da Marquesa no estrangeiro) e o seu papel na política. Vemos como uma mulher voluntariosa, que o foi desde os 5 anos, se torna uma mulher autoritária, teimosa e prepotente com o avançar da idade. Quer decidir tudo na vida das filhas e dos netos, tomar tudo a seu cargo e não aceita ser contrariada. Mesmo que lhe mostrem outros pontos de vista, o dela é o mais certo e não se adapta às novas realidades.
Morre em Lisboa, aos 88 anos, uma vida preenchida de muitas emoções e sofrimento, tendo perdido grande parte das pessoas que amou na vida e só lhe sobrevivendo 2 filhas e netos.
Profile Image for Ana Pardal.
50 reviews4 followers
September 26, 2014
Sabia muito pouco ou nada da vida de D. Leonor de Almeida Portugal, mais conhecida por Marquesa de Alorna, e por isso foi com alguma curiosidade que decidi ler o livro Marquesa de Alorna de Maria João Lopo de Carvalho.

No entanto, apesar de ter conhecido um pouco da vida e obra da Marquesa, este livro não me entusiasmou por aí além. Inicialmente até achei um livro um pouco enfadonho e por ser bastante grande (600 e muitas páginas) estive tentada a desistir (coisa que por princípio nunca faço, se começo um livro leio-o até ao fim quer esteja a gostar ou não). Mas entretanto o livro melhorou e acabou por ser enriquecedor, pois para além de ficar a conhecer a notável vida de uma mulher determinada e à frente do seu tempo, deu também para recordar um pouco da história política do nosso país desde o dia do terramoto, 1 de Novembro de 1755 (reinado de D. José I), até 11 de Outubro 1839 (reinado de D. Maria II).

A escrita de Maria João Lopo de Carvalho pareceu-me simples, mas cuidada, e acessível.
87 reviews4 followers
January 3, 2016
It is a very long book. I give 4 stars to this book just because it's too long and sometimes the reading experience can be boring. Still, the author managed to select parts of Marquesa de Alorna's life and to use the beginnings of chapters to describe actions that occurred between one chapter and another. I recommend this book not only because it tells the life of Marquesa de Alorna, but also because it helps to understand the way things happened in Portugal and Europe throughout her life (and she had a long life!).

I enjoyed reading it and discovering this magnificent woman. It shows the adventurous life of a woman full of culture and desire to learn more and more. It's a very interesting life. I think Portuguese people should learn more about Alcipe. I thank the existence of this book, because I was ignorant about this wonderful person.
Profile Image for Fernando Nunes.
47 reviews
August 19, 2019
O livro ajuda-nos a perceber a história de quase um século da existência de Portugal. A Marquesa de Alorna teve uma vida longa, considerando os tempos. Viveu da segunda metade do século XVIII à quase totalidade da primeira metade do século XIX. Tempos conturbados em Portugal e na Europa. Figuras como o Marquês de Pombal e Pina Manique são bem retratados no texto. Factos como o terramoto de 1755 e as invasões francesas; a independência do Brasil e a guerra fratricida entre os liberais de D. Pedro IV e os absolutistas de D. Miguel. Uma vida que poude ver tudo isto de forma superior.
A autora merece a nossa admiração pelo profundo trabalho de pesquisa que levou a cabo. Poderia ser uma tese de doutoramento se esse fosse o propósito.
Profile Image for Monica Almeida.
17 reviews3 followers
March 12, 2016
Livro que relata a história de uma Grande Senhora - a Marquesa de Alorna. desde 1755 até aos fins dos seus dias. é uma história que relata 4 grandes reinados da História de Portugal e outros reinados da História da Europa. Criança curiosa, adolecente em clausura, esposa, mãe, poetisa, filosofa, diplomata, professora, senhora das artes e letras, iluminada. é a história de uma simples mulher que ousou elevar a sua voz e o seu pensamento, em Portugal, País machista, conservador e provinciano.
2 reviews1 follower
October 21, 2014
É sempre bom ler sobre a nossa história e ficamos a conhecê-la melhor e mais em pormenor mas gostaria mais se tivesse sido escrita mas na primeira pessoa ou mesmo mais como romance, assim contada pelas cartas tem partes um pouco enfadonhas mas lê-se bem.
Profile Image for S..
214 reviews87 followers
May 8, 2012
3,5
Profile Image for Wicahpis.
152 reviews
March 29, 2012
É a história de uma mulher muito à frente do seu tempo... É um livro grande, mas que no fim se fica à espera de mais...
Profile Image for Isabel Santos.
2 reviews1 follower
August 21, 2012
Romance histórico mt interessante
É um pouco pesado, c mt detalhe histórico, mas gostei
Profile Image for sim.
15 reviews5 followers
January 8, 2014
mau de mais para ser verdade
Profile Image for Luisa Cadete.
4 reviews
August 5, 2016
é interessante! ajuda a perceber alguns dos hábitos portugueses daqueles tempos
Profile Image for Leandra.
507 reviews16 followers
November 12, 2016
Uma história bastante completa e com bastantes factos reais associados. No entanto, o número de paginas, poderia ter sido um pouco reduzido...
Displaying 1 - 30 of 50 reviews

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