Há tempos não lia poesia com tal engajamento, e fico feliz de poder ter uma experiência dessas atualmente. Trakl é árido: a natureza é pintada pela tarde, pela lenta morte do outono, pelo dourado gélido do divino. Policromatismo é um bom termo: as cores emergem em Trakl por todos os lados, tingindo a frieza das mesmas paisagens. Há uma certa repetição: falamos de cenários muito similares, mas em composições diferentes. Poemas de guerra; guerra santa: em meio a anjos, guerreiros, cadáveres e animais, a impessoalidade de Trakl força a confusão ao leitor, deixando a indeterminidade afirmar-se neste fim de tudo. Gostei muito de ler. Não é meu estilo favorito de literatura, mas ainda assim aprecio muito. Lembrei muito dos comentários de Land sobre Trakl, textos ótimos. Sinto que o absurdo é melhor tingido quando não se torna apenas objeto de lamentação: há de se conceber a transformação a partir do limite, a partir do excesso. Sem isso, apenas aguardamos a invasão aos muros decrépitos da cidade de pedra.