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Uma mentira mil vezes repetida

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Para escapar ao anonimato de uma vida comum, à solidão da escrita e ao esquecimento dos futuros leitores, o narrador de Uma Mentira Mil Vezes Repetida inventou uma obra monumental, um autor - um judeu húngaro com uma vida aventurosa - e uma miríade de personagens e de histórias que narra entusiasticamente a quem ao pé dele se senta nos transportes públicos. Assim vai desfiando as andanças literárias de Marcos Sacatepequez e o seu singular destino, a desgraça do Homem-Zebra de Polvorosa, o caos postal de Granada, a maldição do marinheiro Albrecht e as memórias do velho Afonso Cão, amigo de Cassiano Consciência, advogado e proprietário do único exemplar conhecido de Cidade Conquistada, a obra-prima de Oscar Schidinski. Enquanto o autocarro se aproxima de Cedofeita, ou pára na rua do Bolhão, quem o escuta viaja do Belize a Budapeste, passando pelas Honduras, por estâncias alpinas, por Toulon ou por Lisboa. Mas se o nosso narrador não encontrou a glória - senão por breves momentos e na mente alheada de quem cumpre uma rotina - talvez tenha encontrado o amor. Ou será ele também inventado?

208 pages, Paperback

First published January 1, 2011

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About the author

Manuel Jorge Marmelo

50 books24 followers
A trabalhar na imprensa desde 1989, recebeu em 1994 o prémio de jornalismo da Lufthansa e, em 1996, a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club.

Estreou-se nas letras em 1996 com o livro "O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual", tendo sido convidado, nesse mesmo ano, a participar na colectânea "A cidade sonhada", a par de alguns dos mais reputados escritores, poetas e artistas do Porto. O livro de contos "O Silêncio de um homem só" (2004) valeu-lhe o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.

Tem participado em várias publicações e antologias, entre as quais se destacam: “Porto.Ficção” (edição Asa), “Putas – Antologia do Novo Conto Português e Brasileiro” (edição Quasi), “Porto, Fragment de Vie” (da editora francesa L’Escampette), “Doze Contos com Livros Dentro” (edição Campo das Letras), “Suplemento Literário de Minas Gerais” e “Bestiário” (ambos do Brasil), “Magazine Artes” e “Imagem Passa Palavra” (edição Cooperativa Gesto). Escreveu ainda os textos dos livros “Vitória: Verso e Reverso” (edição Afrontamento) e “Mário Marques, Para Além do Instante” (edição do Centro Português de Fotografia).

Desde Julho de 2001, o seu nome consta do Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX, da Porto Editora, sendo o mais jovem dos nomes biografados.

Em 2012 foi lançado o romance "Somos Todos Um Bocado Ciganos".

Em fevereiro de 2014, o seu livro "Uma mentira mil vezes repetida" (romance de 2011) conquistou o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas.

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Displaying 1 - 16 of 16 reviews
Profile Image for Hugo Emanuel.
387 reviews27 followers
September 8, 2014
“Uma Mentira Mil Vezes Repetida” foi a primeira obra que li de Manuel Jorge Marmelo. Não sabia absolutamente nada sobre o autor quando o adquiri mas o título do romance e o seu interessante conceito captaram-me a atenção. Consequentemente li o romance sem qualquer tipo de ideias pré-concebidas do autor e da sua obra. O seu conceito é bastante interessante – um narrador não identificado pretende alcançar glória e fama assegurando aos utentes dos transportes públicos nos quais viaja durante o dia inteiro que o grosso volume que transporta consigo para todo o lado e que finge ler compenetradamente é uma raríssima edição de “Cidade Conquistada”, uma obra da qual diz existirem apenas poucas cópias mas que é, apesar disso, unanimemente considerada pelo reduzido numero de pessoas que tiveram a oportunidade de a ler como sendo uma das mais brilhantes obras europeias alguma vez publicadas. No entanto, não só tal monumental obra nunca foi escrita como também o seu hipotético autor, Oscar Schidinski, nunca existiu sequer, assim como são inventadas pelo próprio narrador as personagens e histórias que este diz conter “Cidade Conquistada”. O narrador passa então os dias a viajar pelos transportes públicos a inventar factos relativos á vida e obra do autor fictício de “Cidade Conquistada”, assim como a relatar episódios da obra inexistente a todos os passageiros que demonstrarem o mais ténue interesse pelo volume que transporta consigo. Tinham-se aqui os ingredientes necessários para um romance interessante mas a execução desta boa ideia deixa um pouco a desejar.
A primeira parte do romance é interessante. Debruça-se de uma forma divertida e relativamente inventiva sobre as dificuldades inerentes ao ofício de escritor, sobre a solidão não-assumida que efectivamente sente o narrador e sobre os contornos meta ficcionais que o romance tem, não obstante depender demasiado das referências literárias que aponta constantemente. No entanto, á medida que a narrativa progride (se é que se pode utilizar tal expressão pois ela virtualmente não progride de todo, o romance é consistido, até a praticamente as suas ultimas páginas, por apenas uma série de fabricações e invenções do narrador) torna-se algo repetitivo e desinteressante – o romance acaba por se tornar no seu todo pouco mais do que um compêndio de histórias e biografias marginalmente interessantes populada por personagens pobremente desenvolvidas e caracterizadas. Manuel Jorge Marmelo tem no narrador e nos vultos da literatura que constantemente referencia os bodes expiatórios perfeitos para justificar a falta de caracterização e desenvolvimento de que padece “Uma Mentira Mil Vezes Repetida”. Realismo Mágico, Pós-Modernismo, Fantasia, Meta-ficção – todos estes géneros e muitos outros coexistem entre si neste romance, mas em formas tão rudimentares e por vezes, pouco inspiradas que se tornam redundantes e pouco originais (há inclusive menção de um individuo que faz musica com os seus traques – algo que se me afigurou ridículo e pouco criativo).
A mais óbvia e assumida influência literária no livro é a de Jorge Luís Borges. Mas há outra escritor que influencia consideravelmente esta obra sem que Marmelo o mencione senão de passagem e mais para o fim da obra. Refiro-me a Roberto Bolãno. “Uma Mentira Mil Vezes Repetida” é muito mais influenciado por Bolãno do que por Borges, (ainda que de forma menos óbvia) a começar pelo título, que se refere á afirmação de Goebbels de que “uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade”. È bem sabido para qualquer pessoa que tenha lido Bolãno que este debruça-se frequentemente sobre os perigos do extremismo político e, em particular, sobre as suas expressões mais horríveis e perigosas até á data: O Nazismo e o Fascismo. Marmelo fá-lo também neste romance, abordando o perigo que existe nas nações entregarem-se ao ódio ás nações e religião muçulmana, demonstrando através de recortes de noticias o quão os argumentos utilizados contra a religião e nação muçulmana são perigosamente perto dos utilizados para justificar a perseguição aos judeus pelo nazismo. Os mesmo recortes de jornal demonstram que o fogo do ódio e violência inerente no ser humano é facilmente conflagrado, especialmente se se recorrer a uma politica e discurso baseado no medo de outras nações e culturas, algo que infelizmente é levado a cabo por demasiados governantes de demasiados países. Tem de facto sido frequentemente alimentado ultimamente o medo e desconfiança em relação aos estrangeiros, em particular muçulmanos, ao ponto de grupos de extrema-direita terem ultimamente apresentado um alarmante crescimento em número e militantes.
O facto de se criar uma biografia falsa de um misterioso autor fictício de quem se sabe muito pouco é também uma característica bastante “Bolãnesca”. A forma como é construída a biografia de Oscar Schidinski trazem vivamente á memória o modo como constrói Bolãno a de Archimboldi, o autor germânico de "2666" e mais ainda, a obra “Literatura Nazi Nas Américas”, que consiste inteiramente de biografias e bibliografias falsas de autores inexistentes.
“Uma Mentira Mil Vezes Repetida” termina de uma forma bastante desapontante e apressada – nas últimas cinco ou seis páginas do romance aparece-lhe do nada um interesse romântico que poderá ser uma invenção do narrador (embora tal não mo pareça) e que, a ser real, poderá salvar o narrador da solidão e tristeza que este recusara até então admitir existir na sua vida, exercendo-se um igualmente apressado e pouco desenvolvido paradoxo entre a vida e a obra de Oscar Schidinski e a do narrador. Isto, volto a salientar, em apenas em cinco ou seis páginas.
Em ultima analise, acaba por ser desapontante a forma como veio a ser executada o que era uma boa ideia do autor e que poderia ter dado origem a um tremendo romance.
Profile Image for Paulo Caiado.
16 reviews3 followers
June 2, 2015
Este é o livro que estou nestes dias a ler e que está a prender-me a atenção desde a primeira página.

O livro intercala pequenos contos que têm como fio de ligação a percepção pelo leitor da mentira intrínseca, com a vida no presente do narrador em viagem nos transportes públicos do Porto semeando a sua própria mentira. A magia deste livro reside na forma como o escritor consegue manter a coerência narrativa e a fluência da leitura não dispersando a mente do leitor. Dizem que é o melhor livro de MJM. Eu estou a gostar muito de o ler, tanto como alguns outros livros deste autor que a seu tempo indicarei.

Paulo Caiado
Um Momento Meu
(página)
Profile Image for António.
5 reviews4 followers
January 5, 2013
Inicialmente um livro que prometia muito, mesmo com a influência óbvia e assumida de Jorge Luís Borges, mas logo tinha que aparvalhar para o politicamente correcto, para o odiozinho a Israel e outras parvoíces esquerdistas do momento. É uma pena. O que poderia ser um bom livro (porque a história é muito boa) transforma-se numa coisa vulgar.
Profile Image for António Lima.
73 reviews4 followers
August 30, 2020
É sempre bom encontrarmos uma pepita quando não estamos à espera de a encontrar.
Os apaixonados pela leitura têm o privilégio de um prazer com uma fonte de satisfação virtualmente inesgotável. Há tanta folha impressa de qualidade que o nosso tempo nem sequer é suficiente para ler todo quanto de bom foi publicado.
De maneira que mesmo os leitores mais vorazes podem permitir-se restringirem-se aos valores seguros e evitar perder tempo com descobertas arriscadas. E claro que sabemos que temos muito a perder com esta atitude. E adoramos quando este último postulado nos é demonstrado.
Como por exemplo com este livro de um tal de Marmelo, nome pouco literário que explora uma das nossas fraquezas, um livro sobre livros. Ou sobre a literatura. E que nos engendra a estória de um homenzinho que inventa um livro e um escritor que nunca existiram e conta e reconta aos seus companheiros de transportes públicos.
E assim vai ele escrevendo uma estória, ele que faz isso apenas com o fito de se tornar uma celebridade mas sem ter a trabalheira de escrever o livro que vai inventando.
E, ainda por cima, só para me colar ainda mais à narrativa, a cidade cujos autocarros frequenta é a mesma onde nasci, onde estudei, que ainda hoje visito sempre que posso.
E num livro só, escreve como um sul-americano, como um centro-europeu do miolo do século XXI, como um português, até como um italiano, com muito do que gostamos nas correntes literárias de que gostamos.
Profile Image for Paulo Caiado.
Author 1 book4 followers
June 15, 2015
Este é o livro que estou nestes dias a ler e que está a prender-me a atenção desde a primeira página.

O livro intercala pequenos contos que têm como fio de ligação a percepção pelo leitor da mentira intrínseca, com a vida no presente do narrador em viagem nos transportes públicos do Porto semeando a sua própria mentira. A magia deste livro reside na forma como o escritor consegue manter a coerência narrativa e a fluência da leitura não dispersando a mente do leitor. Dizem que é o melhor livro de MJM. Eu estou a gostar muito de o ler, tanto como alguns outros livros deste autor que a seu tempo indicarei.

Paulo Caiado
Um Momento Meu
(página)
Profile Image for Paulo Teixeira.
920 reviews14 followers
May 13, 2023
(PT) O narrador tenta contar a história de um libro de 1200 páginas às pessoas que cruza nos autocarros da cidade do Porto. Alega carregar consigo um livro raro, de seu nome "Cidade Conquistada", de Óscar Shidinsky, um judeu húngaro que fugiu dos nazis Europa fora até chegar a Lisboa, onde conheceu Afonso Cão, um vagabundo que mais tarde, lhe contou a história.

Só que há um problema: o livro e o seu autor não existem. Ele inventou isto para atrair a atenção dos curiosos que cruza nos autocarros que apanha.

É um caos ordenado. Estamos presos nele, mas de uma certa forma, ao tentar explicá-lo, somos atraídos nesse surrealismo consciente. Ele inventou o livro, mas a maneira como o contou e de tal forma convincente que poderia ser ele a escrevê-lo, mas não quer. Pensa que ao falar dele, poderia ser catapultado à fama - sabendo lá como - e assim, atrair a atenção das pessoas. De uma certa forma, é um livro encantador, imaginativo e poderoso, e de uma certa maneira tão verosímil e alinhamos na aldrabice dele, porque desejamos um final feliz.

E há outra coisa que me encanta: tudo isto está concentrado em pouco mais de 200 páginas. E conheço livros com mais do dobro que não consegue nem um décimo da atenção e do impacto que tem num leitor como eu. É simplesmente sensacional, um hino à imaginação.
Profile Image for Guilherme Zeitounlian.
319 reviews11 followers
January 9, 2022
O livro parte de uma premissa interessante: um narrador que busca alcançar fama e notoriedade por um meio insólito (andar pelos transportes públicos inventando histórias sobre um livro que nunca existiu, e sobre o autor e as tramas de tal livro).

A história começa de maneira cativante, e desenvolve bem até cerca de metade do livro, quando passa a ficar deveras repetitivo e "sem sair do lugar".

(Pessoalmente, ainda aproveitei uma nostalgia gostosa ao ler as descrições da Porto, da baixa, e do autocarro 502 - que me fizeram lembrar os anos em que lá morei.)

A trama progride de maneira um bocado caótica até que, nas últimas páginas, temos quase que um "deus ex machina" e a leitura termina de forma um tanto quanto abrupta. Mas o que seria mais esta mentira em meio a tantas outras?

De toda forma, um livro que entretém e uma leitura agradável. 4/5
Profile Image for Pedro.
8 reviews6 followers
July 19, 2017
I really liked the writer's style. The plot takes a bit from Borges (assumes that a masterpiece book has already been written, setting the story all around it) and Bolaño (endless search for an almost unknown author). However the severely rushed and clumsy ending brought a bitter taste to what could have been a great (4.5) book.
Profile Image for Cristina.
692 reviews49 followers
September 14, 2015
(com imagens do interior no blog https://acrisalves.wordpress.com/2015...)

Desde que foi lançado e vi uma excelente crítica (se não me falha a memória, terá sido na revista Os Meus Livros?) a este livro que ele está na minha lista de desejos. A sinopse promete uma alucinação corrida entre a verdade e a mentira em torno de um romance inventado que será sobejamente referido por um homem em constante viagem nos transportes públicos.

Livre de trabalhos e outros compromissos, o viajante dos transportes dedica-se a expandir o mito por detrás do livro inexistente, do qual carrega uma cópia. Trechos inventados e estudos enunciados, a obra ganha corpo tanto na imaginação do homem, como no colectivo que todos os dias o ouve, curiosos por tal obra escondida que nunca terão ouvido falar.

Já o autor de tal livro será também uma personagem peculiar, fugido do extermínio carregando uma das últimas cópias da sua obra prima que acaba por abandonar em local recôndito sem razão aparente. Homem livre que terá passado na Península e deixado impressão em meia dúzia de contactos, um mistério em si.

Mas que estou para aqui a dizer? Não há nem houve livro, nem há nem houve escritor. Isso não impede de se ter escrito um livro sobre a obra inexistente e o escritor que poderia ter sido qualquer um. Bem, não qualquer um, talvez um conhecido de Borges ou o próprio Borges disfarçado sob pseudónimo

Peculiar em estilo e desenvolvimento, é uma obra intrigante. Por vezes percebemos a delimitação entre o delírio e a realidade, noutra quase somos levados a acreditar, também, na existência de todo este enredo rocambolesco que se vai gerando em torno de alguma coisa.

De passo lento, enrodilhado como a mente do narrador, possui uma premissa que, embora interessante, é quase assustadora na forma como se expõe, tentadora em se fazer credível, carregada de ligações com a realidade, falácias perigosamente alongadas que vão envolvendo, lentamente, o leitor.
Profile Image for Alexandra  Rodrigues.
242 reviews
July 2, 2015
"Fazia tudo com enorme vagar, como se ao contrário dos filhos, tivesse já idade suficiente para saber que não existe nada no mundo que justifique a tolice da azáfama, da urgência e das correrias."

"nada redime o homem da sua condição de única medida de todas as coisas. A grande verdade (...) somos todos pó, dele vimos e a ele voltaremos, pelo que todo o afã é excessivo e um pouco tolo. No fim morre-se e é tudo. Não somos mais do que isto: um corpo morto apodrecendo dentro de uma caixa."

"As coisas, em todo o caso, são como são e não se pode pedir a um eterno descontente que se satisfaça com o que já fez, nem ao inconsequent se pode exigir denodo, esforço e ponderação."

"Cidade Conquistada é virtualmente inesgotável, como um livro que pudesse ser reinventado todos os dias e desdobrar-se continuamente."

"Fotografar é uma das melhores formas de combater o nada"

"A comoção dele, devo confessar, incomodou-me um pouco, não sei se porque as manifestações de emoção alheia sempre me aflijam pela fragilidade que nelas há, ou se, apenas, porque, no fundo, a turbação dele resultava de um logro; de um logro do qual eu era o autor. Enterneci-me também. Fechei o livro, pus-lhe a mão no ombro e fiquei a olhar a cidade pela janela e a reflectir sobre como, às vezes, basta uma frase escrita num livro para tocar o espírito de alguém."

"Vai contar-me todas as histórias que inventou, todos os sonhos, todas as variantes, todos os enredos e as particularidades de cada uma das personagens. Vai contar-mo e amanhã vamos fazer outro livro a fingir. E depois vamos lê-lo juntos (...). Vamos lê-lo de mãos dadas, ou com a minha cabeça pousada no teu ombro, e conversaremos sobre ele, eu e tu, ou com os outros passaeiros."
Profile Image for Margaret.
788 reviews15 followers
January 25, 2015
Há livros que temos imensa dificuldade em definir. “Uma Mentira Mil Vezes Repetida” é um desses casos. A estrutura é original, o escritor escreve bem, mas penso que nesta ânsia de ser diferente, o ato de contar uma boa história, com fluidez, perdeu-se.

O narrador é um homem que deseja ser famoso, mas não quer ter trabalho. Assim, inventou um livro – Cidade Conquistada – de um húngaro obscuro - Oscar Schidinski – que finge ler nos transportes públicos ; após captar a atenção dos colegas passageiros, começa a inventar histórias extraordinárias sobre o livro e o escritor, enredando-se em tanta mentira que acaba por não distinguir realidade e ficção.

Alguns episódios e personagens do livro inventado são engraçados e se Manuel Jorge Marmelo os compilasse num livro de contos, penso que seria muito interessante. Mas quando não temos estas pequenas narrativas dentro da narrativa maior, temos o narrador a repetir-se constantemente, a regressar a uma mentira antiga para a transformar noutra e, assim, o livro acaba por ser chato em algumas ocasiões, porque “não anda para a frente”. Algumas partes são como um cão a correr atrás do seu próprio rabo – não levam a lada nenhum.

O final também dececionou. Num livro que aspira ser diferente, original, o final foi do mais banal possível... Só faltava mesmo dizer “e viveram felizes para sempre”.
Penso que Manuel Jorge Marmelo tem potencial, pois imaginação não lhe falta! Só que, às vezes, as fórmulas mais simples de contar uma história resultam melhor.
Profile Image for Nádia Rodrigues.
72 reviews10 followers
March 23, 2016
Parafraseando Hélia Correia trata-se d' "um puro louvor ao dom da criação". O que têm em comum um utente da stcp, um escritor judeu e um marinheiro holandês? é o que o livro revela. É óptimo ter um livro que nos fale do Porto, das suas ruas e pessoas sem entrar em caricaturismos reles e que, sempre cheio de humor, polvilha o enredo com pormenores curiosos como a alusão a São Pedro da Cova ou passagens em castelhano coloquial.
Para ler descontraidamente.
Profile Image for Mary Limes.
60 reviews
October 14, 2011
Uma história original, onde tudo gira em volta de um livro que não existe em que o narrador vai inventado histórias/capítulos do suposto livro nos transportes públicos.
Profile Image for Daniela.
1 review
November 24, 2014
Original, mas esperava mais e melhor evolução, para uma ideia tão boa!
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