SinopsePoucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo.Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa de VáriosCríticas de imprensa«Uma selecção magistral da melhor pulp portuguesa do início do século XX. É o regresso vigoroso do género literário que o Estado Novo tentou obliterar.» José Manuel Lopes, especialista em H. P. Lovecraft
Luís Corte Real fundou a Saída de Emergência em 2003. Desde então criou a Coleção Bang! (que lança em Portugal os melhores autores de fantástico da atualidade e muitos clássicos) e a Revista Bang! (uma publicação semestral e gratuita dedicada à fantasia, FC e horror). Também editou autores como a Nora Roberts e Mark Manson, mas vocês não querem saber disso. As paredes de sua casa estão ocupadas por todo o tipo de livros, banda desenhada, manuais de Dungeons & Dragons e Call of Cthulhu, jogos de tabuleiro, action figures e mais caixas de Lego do que aquelas que consegue montar. O Deus das Moscas Tem Fome é a sua primeira obra — uma espécie de X-Files na Lisboa de Eça de Queiroz, com influências que vão de H. P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle a Mike Mignola.
Nem mesmo a noveleta final de João Barreiros, na qual depositava ainda alguma esperança de que elevasse esta Antologia acima da banalidade e mediocridade geral, consegue afastar a ideia de algum cansaço e desalento num conceito que teria, eventualmente se tivesse sido bem coordenado, conseguido ser interessante mas que por força de narrativas insonsas e que nada invocam do verdadeiro espírito da pulp fiction, pseudo-fac-similes com tipografias de duvidosa legibilidade e um sentido geral de história pré-fabricada que apenas de momento a momento consegue enovelar o leitor na crença de que está a ler algo genuíno, acaba por fazer todo o volume soçobrar sob o peso da pretensão.
Teria sido necessário um maior rigor na escrita, uma maior intervenção editorial e, quiçá, deixar de lado a ideia absurda de fac-similes do que nunca existiu, servidos por más escolhas tipográficas, que nalguns casos tornam a leitura quase impossível e noutros apenas tornam evidente a falsificação, para que esta Antologia revivesse de pleno e mais rigorosamente o verdadeiro espírito que animou centenas de publicações mundiais. Mesmo sabendo todos nós que o mais importante filão de pulp fiction existiu no eixo anglo-saxónico, a verdade é que Portugal também teve os seus representantes e sem dúvida qualquer um deles escreveu textos de calibre indubitavelmente superior a este triste aglomerado de contos sem chama nem brio, em que nem por uma vez se consegue sentir o que era mergulhar naquelas aventuras e desventuras sem pés nem cabeça mas com muito, muito coração.
Aqui, pelo contrário, parece-me haver demasiada intenção e racionalização, ou seja ficou-se apenas com a cabeça, desprezou-se o coração e o resultado é algo amorfo, sem sentimento, quase tão interessante quanto uma tese debitada mecanicamente para vingar numa qualquer licenciatura de Faculdade privada.
Quando comecei a ler este livro pensava que se tratava realmente de uma coletânea de contos do século XX, de autores reais, e que as biografias eram verdadeiras. Só ao ler comentários no goodreads percebi que se trata de contos atuais e biografias inventadas. Confesso que me senti enganada pelo autor; se soubesse que este livro era todo ficcionado, não o teria começado a ler. Dei voltas e voltas ao livro e finalmente descobri que na folha onde estão as indicações de edição e tiragem, consta em letras (muito) minúsculas a indicação de que se trata integralmente de uma obra de ficção. Senti-me duplamente enganada: lembra aquelas frases de contratos que existiam em que as clausulas importantes, mas que não queriam que lêssemos, estavam em letras miudinhas. É certo que continuei a ler o livro (que abandonei a páginas 325), mas este sentimento de falta de consideração do autor pelos leitores, não me abandonou mais. No entanto, se o que está em letras miudinhas estivesse bem visível, talvez até tivesse apreciado o livro: a ideia era interessante e original. No final, fiquei com esta sensação: com tantos livros tão bons para ler, ler este livro é uma perda de tempo (e são mais de 400 páginas…)
Inicialmente quando comecei a ler este livro pensava que os contos nele contidos datavam realmente dos anos 30 até cerca de 60 e por isso mesmo lia as biografias dos autores com algum cansaço e prestava mais atenção aos contos em si. No entanto, depois da apresentação do livro no Fórum Fantástico 2011 fiquei a saber que na realidade os contos pulp apresentados no livro são todos actuais e tudo o que se encontra nas biografias dos autores é inventado. A partir desse momento a minha perspectiva em relação ao livro em sim mudou completamente. Passei a ler com muito mais curiosidade as biografias, a apreciar a genialidade com que elas foram escritas, a dar atenção às capas inventadas e a todo um mundo que poderia ter sido. Os contos em si não me causaram grande impacto, nem os achei propriamente muito bons. Mas isso pode-se dever também ao facto de não ser muito dada a este tipo de escrita. No entanto, pensando que esta antologia pretende recriar um tempo que já lá vai, e em que as histórias pulp não teriam propriamente qualidade no geral, penso que talvez este não sejam um ponto a desfavorecer a obra, mas sim a favorecê-la. Gostei bastante do conto do Artur de Carvalho pois lembrou-me muito as histórias do Conan que já li, e foi engraçado ver como um português também é capaz de as escrever tão bem. Gostei também da maneira como o conto do Ludovico Bombarda está apresentado, bastante facsimilado. Que nos dá uma ideia de como seria feita a censura na altura e como os autores poderiam tentar dar algo a entender através das histórias pulp. Por fim gostei também bastante da novela do João Barreiros. Apesar de Ficção Científica não ser bem a minha praia, gostei da história, dos pormenores sórdidos, do desenvolvimento da história (que começa bastante confusa e se vai revelando aos poucos), e das próprias personagens em si. É sem dúvida um livro bastante original que vale a pena ler.=)
Este menino foi uma prendinha de Natal adiantada que me veio parar às mãos no Fórum Fantástico. Estava muito feliz e contente até porque achei interessante a ideia da antologia, mas agora que li tudo estou triste porque nem o tio Barreiros me safou... De uma forma geral é uma antologia que não deixa um grande impacto ou sobressai no meio das restantes leituras. Isto é, de uma coisa vou lembrar-me eternamente: do quão atrofiada fiquei com a paginação. Se querem manter dois tipos de numeração de páginas então que o façam de forma mais inteligente porque saltar do 56 para o 21 é chatinho...
Gostei particularmente da segunda parte do conto A expedição dos mortos (Joachim Hunot), Valente (Fausto Boamorte) e Noites Brancas (Ana Sofia Casaca). Tudo o resto cai facilmente no esquecimento. Ainda assim a ideia da antologia é gira, mas não me convenceu...
Não tendo grande conhecimento sobre a pulp fiction em geral, decidi adquirir e ler o livro exactamente para ganhar algumas bases. “Até tem biografias dos autores!” Qual não é a minha surpresa, quando acabo de o ler, pesquiso sobre o mesmo, e descubro que os contos são todos relativamente recentes e as biografias inventadas? Após o “wait, what?” inicial, tenho de admitir que o trabalho foi bem feito e minucioso – embora considere que uma notinha final explicando o conceito para que aqueles que não tenham o hábito de pesquisar os livros na internet não se venham depois a sentir logrados.
Uma óptima ideia não tão bem concluída. A edição facsimilada tem piada mas dificulta bastante a leitura. Funciona mais como curiosidade do que como verdadeira literatura
Confesso que cheguei a metade do livro com uma opinião relativamente má sobre o mesmo, e cheguei ao final completamente rendido à magia destes contos. Atrevi-me a ler algumas opiniões sobre o livro durante o meu processo de leitura. A maioria das opiniões que registei diziam que os contos eram o que de menos importante o volume encerrava, e que a grande mais-valia dele são as pequenas biografias ficcionadas sobre os supostos autores que Luís Filipe Silva havia criado. Não corroboro dessa visão. Gostei bastante da introdução ao livro, e até achei piada, mas depois das primeiras três ou quatro biografias, elas começaram a ficar um pouco repetitivas (todos tinham de ter pseudónimos?), o que não retira mérito ao organizador da antologia. Vejo esforço do mesmo em inovar e a tentar conquistar-nos com pormenores muito engraçados. Gostei, gostei mesmo, foi como se saltasse no tempo, porque embora ficcionadas aquelas biografias tinham tanto de real e de interessante que cativam realmente o leitor. Mas não posso concordar que aqueles pequenos apontamentos sejam a grande mais-valia de um livro de 416 páginas que nos apela ao saudosismo das velhinhas histórias de além-mar e as adapta à realidade do nosso país.
Os contos são, na minha óptica, os verdadeiros tesouros deste livro. Há contos muito bons, outros medianos e até aqueles que considero muito maus. O Segundo Sol, de Ruy de Fialho, é o primeiro conto. Faz-nos lembrar um pouco o Indiana Jones e a sua luta contra o regime nazi. Neste conto vemos o herói, Jaguar Cabala, a lutar com nazis… na planície alentejana. A história é completamente previsível e tradicional, mas isso era algo para o qual já estávamos à espera. Gostei da escrita, despretensiosa, acessível e apaixonante. A Expedição dos Mortos, um conto em duas partes, por Joachim Hunot, suposto pseudónimo de Ana Sofia Casaca, foi uma desilusão. O conto é uma nova alusão a um Indiana Jones, não na perspetiva da luta contra o nazismo mas naquela onda de aventura, um professor é raptado por dois inimigos que se aliam para chegar a um objetivo comum. A história é cliché, a escrita não demonstrou grande qualidade, e o final foi igualmente fraco. O conto A Ilha, de João Henriques, só teve de bom o final. O resto foi um tormento de descrições. Páginas atrás de páginas a descreverem cada passo, cada respiração, cada esquina. Apesar de a escrita ser boa, foi exageradamente descritiva, o que roubou toda a qualidade que o conto podia ter. O conteúdo foi, durante a maioria da prosa, completamente nulo. Do conto Pena de Papagaio de A.M.P. Rodriguez, não tenho razões de queixa da escrita, mas o conto em si não me aqueceu nem arrefeceu. Opinião contrária tenho do extraordinário conto O Sentinela e o Mistério da Aldeia dos Pescadores, de Orlando Moreira. Um super-herói nacional, mutações genéticas na ria de Ovar, homens-peixes e nazis numa história cheia de mistério e muito bem fundamentada. Gostei bastante. O western Horror em Sangre de Cristo de Maxwell Gun também foi bem conseguido. Gostei do desenvolvimento e do toque de sobrenatural criado pelo autor. Penso que podia ser ter sido melhor se o clima de terror assaltasse mais intimamente os protagonistas. O Inconsciente de Tiago Rosa deixou-me arrepiado. Mexe, sem dúvida, com as pessoas. A nível de escrita e de trama nada tenho a apontar, apesar de não ser dos meus contos preferidos; bons furos abaixo do western e da aventura do Sentinela. E logo depois desse sufocante conto de terror somos surpreendidos com o divertido A Noite do Sexo Fraco, de Ludovico Bombarda. A história não é, de todo, o importante, até porque a aventura de uma amazona e do seu pégaso na peugada de um terrível feiticeiro é apenas o cenário de fundo (e uma metáfora) para um divertido combate entre o autor e o membro da censura que está a fazer a análise ao conto. O alegado censor – se existisse – devia ter ficado com os cabelos em pé com tantas referências sexuais e alusões à PIDE e ao governo salazarista. O Pirata por um Dia de Sónia Louro, foi um conto divertido, nada de extraordinário, mas que me envolveu como muitos não o conseguiram fazer. Tive pena dos índios e não gostei muito do final, mas o conto foi agradável. Do “autor” Fausto Boamorte temos Valente, uma pulp tradicional sobre um detetive que enfrenta os maiores inimigos para defender a dama em perigo. A história é previsível e até um pouco fantasiosa. O protagonista está com o estômago aberto e a perder sangue mas mesmo assim consegue correr e disparar e voltar a correr durante várias páginas. Ainda assim a escrita é deliciosa e cinematográfica (faz-me lembrar o filme Sin City não só por o personagem se enquadrar perfeitamente no perfil do ator Bruce Willis, como pela narração do texto ser semelhante àquela que é apresentada no longa) e por tudo isso este é um dos meus contos preferidos. A entrar nos últimos três contos da antologia, entro também nos meus três contos preferidos. Da autoria de Artur de Carvalho, O Amaldiçoado de Ish-Tar é uma clara alusão aos contos de Conan, o Bárbaro, e sabem que eu sou grande fã de Howard e da sua obra. Posso dizer que esta história do Valerian Beowulf ombreia (só para não dizer que consegue ser superior) a muitos dos contos que já li do Conan, e o personagem, apesar de não gostar do nome Beowulf, que me faz lembrar outro personagem mitológico, é ainda mais caprichado que o original. Noites Brancas, de Ana Sofia Casaca, surpreendeu-me completamente a nível de história. A escrita pareceu-me vulgar, se não fraca, mas foi melhorando e a autora conseguiu colar-me ao conto, e embrenhar-me nele completamente. O final surpreendeu-me. Quanto ao conto Mais do Mesmo do indiscutível João Barreiros, não me surpreendeu no sentido que já sabia o que esperar deste autor. Sempre com a sua prosa mordaz e escorreita, ele consegue transportar-nos para um mundo futurista muito bem fundamentado e recheado de termos técnicos que só enriquecem a sua obra (e mostram que sabe do que está a falar), ao mesmo tempo que nos diverte com a sua história sobre um golem, o clone de um rapaz que é abusado sexualmente pelo suposto herói nacional que mais não é que o vilão da história. A linguagem de Barreiros combina na perfeição o erudito com o divertido. O único defeito que encontrei, se se pode considerar um defeito, foi que a história tornou-se um pouco cansativa quando o Tio Calibã tinha que repetir a mesma coisa a todos os Jimmies novos. O assunto foi resolvido quando o “exército” de clones foi acordado, mas podiam ter sido ali anuladas algumas páginas, se o conto fosse mais pequeno ficaríamos completamente extasiados, no meu caso fiquei plenamente satisfeito quando cheguei ao fim, e uma das razões foi exactamente, porque tinha, finalmente, chegado ao fim. Gostei de todos os personagens e o final foi muito bom mesmo.
Escolher um conto preferido por vezes é difícil, mas não tenho problemas nenhuns em eleger o meu. Mais do Mesmo foi o melhor conto da antologia, para mim seguido bem de perto pelo Amaldiçoado de Ish-Tar e em terceiro lugar (mais distante em qualidade) pelo Noites Brancas. A história do Sentinela, O Valente, o Western e o Segundo Sol também foram contos muito bons, de pura pulp como era exigido. Em geral a minha opinião é positiva, mas não perdoo alguns contos menos conseguidos, como A Expedição dos Mortos, A Ilha ou Pena de Papagaio, que para mim macularam um pouco esta publicação. Destaco também a incrível estrutura física do livro, desde as páginas supostamente fac-similadas, à belíssima capa e encadernação. Recomendo a quem gostar de contos, pulps, ou simplesmente a quem se queira divertir um pouco.
No geral não gostei grandemente do livro (nem imaginam com que sapo eu tenho de o dizer, pois gosto tanto do organizador, o Luís Filipe Silva - Luís, desculpa). Confesso que ainda tentei escrever um conto para esta colectânea, mas à distância vejo que o meu conto nem sequer era pulp. Com todo o respeito do organizador e dos autores do conto penso que o problema é meu: o pulp não me fascinou. A minha classificação emocional seria de 2 estrelas, mas agora arranjei aquele esquema de classificação todo manhoso e deu 3 estrelas.
Reconheço a importância do livro e de toda a recriação que foi feita. É um trabalho muito interessante, sem dúvida, e muito meticuloso também.
Contos: (algumas críticas a estes contos estão mal construídas, porque remontam ao início das minhas críticas a contos)
O Segundo Sol: Conspirações, mais conquista espacial são sempre mote a contos pulp. Talvez não seja tão comum o cenário no Alentejo, apesar desta região não ser imune a determinadas conspirações.
A Expedição dos mortos: ao jeito de Indiana Jones, um académico vê-se envolvido numa aventura na selva indiana.
A Ilha: Gostei muito do mistério, do ambiente sombrio e "zombie" da ilha, do enredo que nos prende até ao final, do modo como a personagem é dominada no final.
Pena de papagaio: A vingança de um serial killer. Entende-se porque a personagem é abandonada de início.
O Sentinela e o Mistério da Aldeia dos Pescadores: heróis mascarilhas e trema nazi enquadram-se na perfeição no âmbito pulp: mas foi a escolha da conspiração nazi que deu a este conto um carácter especialmente sonhador, por um lado, e telúrico, por outro. Estamos a falar da mutação genética em terras de Aveiro, de humanos para seres marinhos.
Horror em Sangue de Cristo: O cantar brasileiro tempera bem um conto passado do outro lado do Atlântico. Gostei de ver retratado o típico cenário Americano, mas o enredo não foi dos que mais me fascinou. Penso que havia uma boa personagem, Anna, e as histórias que teria para contar dos índios.
O inconsciente: Este conto vai de encontro ao mais animal e instinto que há no ser humano. Foram os monges que criaram a fera. Gostaria mais do conto se o autor tivesse conseguido, totalmente, sentir a sua opinião sobre a situação que descreve.
A noite do sexo fraco: O conto tem um ambiente mítico e de antiguidade oriental que aprecio, assim como a sensualidade em volta da protagonista. O artifício da censura torna o conto curioso, mas dificulta um pouco a sua leitura.
Pirata por um dia: Uma aventura bem encaixada na época da Restauração, em que vemos o herói da história a sofrer as consequências da sua libertinagem resultantes do castigo proferido pelo juiz, que adivinhava já uma série de aventuras nada simpáticas. Um final conciliado com a restauração, o homem que ajudou a trair o Espanhol como o homem que trai a própria Espanha e se liberta no final.
Valente: Típico pulp, cujo herói é capaz de uma série de façanhas quando já perdeu muito sangue, e quando demoraria mais que uma hora a fazer tudo aquilo, hora essa que lhe restava de vida.
O Amaldiçoado de Ish-Tar: Aprecio a fantasia do mundo clássico retratado no conto. Mas há demasiados pormenores descritivos que acabam por distrair a leitura.
Noites Brancas: um conto muito interessante em que a malvadez humana supera qualquer inesperado acontecimento fantástico.
Mais do mesmo: de todos os textos foi o que menos gostei, talvez por ser o mais longo. Gostei da ideia da continuidade da vida através dos "clones", mas perdi-me muitas vezes na narrativa.
O Segundo Sol (Ruy de Fialho): 3/5 A Expedição dos Mortos (Joachim Hunot): 2/5 A Ilha (João Henriques): 4/5 Pena de Papagaio (A. M. P. Rodriguez): 2/5 Sentinela e o Mistério da Aldeia dos Pescadores (Orlando Moreira): 3/5 Horror em Sangre de Cristo (Maxwell Gun): 1/5 O Inconsciente (Tiago Rosa): 4/5 A Noite do Sexo Fraco (Ludovico Bombarda): 3/5 Pirata por um Dia (Sónia Louro): 3/5 Valente (Fausto Boamorte): 3/5 O Amaldiçoado de Ish-Tar (Artur de Carvalho): 3/5 Noites Brancas (Ana Sofia Casaca): 4/5 Mais do Mesmo! (João Barreiros): 1/5
Melhor conto: "O Inconsciente" (Tiago Rosa)
Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa é apresentado como uma antologia de contos de pulp fiction do passado, mas é óbvio desde o primeiro momento que as histórias são recentes e algumas fogem inclusive ao conceito tradicional de pulp fiction (já para não falar ao conceito de conto, como "Mais do Mesmo!", que é uma novela). Por outro lado, as (falsas) informações biográficas dos autores até poderiam ter alguma piada, mas são demasiado longas e tratadas de forma aborrecida. A ideia é interessante, mas a execução deixa um pouco a desejar e fica a impressão que se perdeu uma excelente oportunidade para fazer algo genuíno do mesmo género.
Quem diria que esquecida em baús empoeirados, prateleiras repletas e arquivos fechados à chave se escondia uma tão grande e rica tradição de ficção pulp portuguesa, como já é habitual esquecida e ignorada pelas correntes literárias tradicionais. Graças ao trabalho incansável de edição de Luís Filipe Silva, este livro reúne uma breve amostra de peças literárias como personagens que ombreiam ao lado de Carnacki, Lamont Cranston, Fu-Manchu ou Randolph Carter. Parece mesmo que alguns dos praticantes lusos da arte da ficção escapista poderão ter influenciado alguns dos nomes mais famosos da bem conhecida vertente americana.
Centrado numa era esquecida, encontramos neste tomo obras representativas de diversos sub-géneros, desde a aventura histórica em mares infestados de piratas a terrores lovecraftianos, aventuras das guerras secretas anti-nazis, mistérios do oculto, western tenebroso, fantasias líricas tocando o erótico, policial noir, aventuras nas eras selvagens que antecederam a pré-história convencional e space opera futurista. Após esta leitura introdutória, fica a vontade de conhece um pouco mais das raridades da obra de escritores prolíficos mas esquecidos como Joe Bester, Ruy de Fialho, Ana Casaca, Maxwell Gun e tantos outros, mestres na arte de conjurar imagens fantásticas através do bater de teclas da máquina de escrever.
A good anthology, with some great short-stories and an amazing work by the organizer (Luís Filipe Silva) and by the graphic department. My favourite stories were: - "O Segundo Sol" by Ruy de Fialho; - "O Inconsciente" by Tiago Rosa; - "O Amaldiçoado de Ish-tar" by Artur de Carvalho; - "Mais do Mesmo" by João Barreiros