Confesso: sou fã deste género de livros, tanto pela curiosidade inata ao ser humano, como por trabalhar na área da Educação. A princípio, apenas o título me deixou um pouco de pé atrás (soa um pouco lamechas), mas o porquê de ser assim é explicado no decurso da obra. Além de se ajustar perfeitamente, o que o origina mexe com o nosso lado mais sensível.
Narrado na perspectiva da professora, Mary, esta é a história de Hannah que, desde cedo, é maltratada pelo Pai e pelo Irmão e rejeitada pelo Avô. Para terem uma ideia, com oito anos, apenas se exprimia por grunhidos.
Com particular ênfase no trajecto trilhado com a professora, a autora aborda pormenores da sua infância na era "pré Mary", que possibilitam um enquadramento mais abrangente da vivência de Hannah. Ficamos a par de todo o seu percurso até ao momento em que é mudada de escola por razões familiares. Por outro lado, é-nos dada a conhecer, porém de forma mais ténue, da história dos seus três coleguinhas de turma.
Uma escrita fluída que se lê com renovado interesse, mas acredito que, infelizmente, irá passar ao lado de muita gente. É pena! Uma obra super inspiradora e que deveria ser lida, tanto por Pais como Professores, principalmente.