A infância, o Alentejo, o amor, a escrita, a leitura, as viagens, as tatuagens, a vida. Através de uma imensa diversidade de temas e registos, José Luís Peixoto escreve sobre si próprio com invulgar desassombro. Esse intimismo, rente à pele, nunca se esquece do leitor, abraçando-o, levando-o por um caminho que passa pela ternura mais pungente, pelo sorriso franco e por aquela sabedoria que se alcança com o tempo e a reflexão. Este é um livro de milagre e de lucidez. Para muitos, a confirmação. Para outros, o acesso ao mundo de um dos autores portugueses mais marcantes das últimas décadas.
Fevereiro no estabelecimento prisional “Eu penso que é totalmente por acaso que os erros que já cometi não são puníveis com pena de prisão. Foram e são puníveis de outras maneiras. E penso que, ao longo de uma vida, todas as pessoas tomam decisões erradas. Algumas dessas decisões magoam outros, causam-lhes sofrimento verdadeiro. No entanto, a grande maioria desses erros não são citados pelo código penal.”
E assim termino esta leitura, um conjunto de crónicas com um cunho muito pessoal.
Admiro a capacidade de José Luís Peixoto se tornar um grande amigo, quem sabe até uma pessoa da família. No mínimo, um daqueles conhecidos que gostamos de encontrar no café, pois vai sempre ter uma história capaz de nos emocionar.
Ao ler “Abraço”, consegui sentir o autor na cadeira ao lado, gesticulando enquanto me contaria com voz ora admirada, ora revoltada, ora cheia de piada ou complacente, alguns dos episódios da sua vida.
“Abraço” é uma compilação de vários textos do autor, publicados ao longo dos anos em revistas, jornais e outras plataformas. Vamos da sua infância na aldeia de Galveias, à adolescência, aos anos de estudante em Coimbra, depois Lisboa, o seu fascínio pela cidade do Porto e, por fim, o nascimento dos filhos e o seu deslumbramento pela sua nova condição de pai.
Passamos também pelos seus ídolos, entre os quais se destaca Saramago, pelos seus livros, por um aspeto mais profissional e, como não poderia deixar de ser, existe muita poesia em alguns textos, levando-nos também a refletir.
Mas destaco, sem dúvida, o seu sentido de humor. É absolutamente brilhante a forma como conta episódios hilariantes com um tom tranquilo, admirado, alentejano.
Um dia, José Luís Peixoto acordou e, abrindo a porta da casa de banho, verificou que esta ruíra e fora parar ao andar de baixo. O que poderia fazer? Não é algo que esteja ao seu alcance alterar. Observou, contudo, que o espelho ficará intacto na parede. Ao menos isso!
Quando recebi o livro em mãos e quis iniciar a leitura pensei em ir abrindo as páginas ao acaso e ler as crónicas sem ordem. Acabei, porém, por não ceder a essa tentação e li-o de fio a pavio. Demorei imenso a lê-lo, pois fui saboreando cada crónica com o vagar que ela me merecia. Algumas já conhecia de outras paragens, outras leituras noutros lugares e noutros tempos, mas reli-as com a mesma avidez, como se fosse a primeira vez. Surpreendi-me com a audácia de José Luís Peixoto, que nalgumas delas se expõe a nu, abre-nos a porta para o seu mundo, para o seu quotidiano, sem rodeios ou receios. Noutras crónicas leva-nos a viajar, no tempo e no espaço. Há ainda espaço para pequenas inspirações a partir de obras de Clarice Lispector, Albert Camus, Dostoiévski, etc. Gosto especialmente das suas memórias de infância e juventude, pois sinto-as muito vívidas, como se tivessem meia dúzia de dias. Além do mais, o autor cresceu num ambiente muito similar àquele em que eu mesma cresci e levou-me também a esgaravatar as minhas próprias memórias, bem mais ténues que as suas. De relevar ainda a doce ternura que nutre pelos seus, presente em tantas palavras, e que é encantadora e emocionante, talvez por nos termos convencido que homens crescidos não escrevem sobre isso. A facilidade com que José Luís Peixoto nos transporta para os seus mundos a cada texto é notável e enigmática. Faz-nos acreditar que o conhecemos de perto, que vivemos e experienciamos os mesmos sentimentos que ele, que reflectimos em comunhão com ele, mesmo quando assim não é. Enfim, uma grande variedade de temáticas e registos para uma grande viagem à boleia de palavras e de sentidos, ao longo de mais de seiscentas páginas. Logo na primeiras, o autor deixou um desejo no meu exemplar: "(...)espero que encontre um pouco daquela matéria que constitui os abraços". Não sei ao certo de que são feitos os abraços; sei que enquanto lia esta obra senti-me envolta por uma doce sensação, reconfortante e capaz de me fazer esboçar um leve mas persistente sorriso nos lábios.
Tal como José Saramago previu, creio que José Luís Peixoto será o "continuador dos escritores" em Portugal. Esta colectânea de crónicas é um exemplo claro de que, apesar de "jovem", já tem em si o génio que lhe permitirá levar a língua portuguesa além fronteiras. O difícil será traduzir os seus textos de modo a não se perder o seu valor original.
Fala-nos ao coração, de tão simples que são as palavras. São várias crónicas, curtas, sobre as coisas banais que temos e que tornam mais bonita a nossa vida. Como o carro que nos acompanhou em mil aventuras ou o nascimento do nosso filho, esse que queremos tanto que goste de nós hoje e no futuro. Fala de amor, dos abraços que mais queremos.
Gosto de histórias e as que encontrei estão bem contadas e valem a pena ler. No entanto a maior parte do livro são recordações ou reflexões sobre a própria escrita que não prendem e até me fizeram saltar algumas páginas. Acredito que os romances do JLP sejam bem mais interessantes.
Leitura #1 de 2021 - Realizada no âmbito da iniciativa @literacidades Herdeiros de Saramago (Instagram)
Nenhum Olhar, Galveias, Em Teu Ventre, Dentro do Segredo, Autobiografia, O Caminho Imperfeito, Regresso a Casa - e, agora, este Abraço. José Luís Peixoto é, provavelmente, o autor do qual li mais obras, a par de Saramago, portanto sabia o que me aguardava.
Em Abraço encontra-se um conjunto de textos curtos, na maioria leves e acessíveis, oriundos de publicações várias em revistas e jornais. Pontuados com humor, a escolha temática é a mais diversa que se possa imaginar, com foco nas memórias e pormenores do quotidiano do autor no entanto.
Tal como referi, em conversa no nosso grupo de leitura, o seu discurso relembra-me as vezes em que o ouvi, ao vivo, em apresentações, onde não lhe detectei constrangimentos ao contar as suas histórias pessoais, a sua experiência como escritor ou as suas peripécias em viagem. Para essa abertura descomprometida é necessária coragem, que ele possui e esbanja, porque nada tem a perder ao assim ser.
Reencontrei uma das suas referências, a sua Galveias de menino. Gosto de ler sobre aldeias e vilas, povoados com as suas gentes singulares e, porém, tão similares entre si, de rostos calorosos e presentes. E a sua ternura de pai, devoção ausente pelas suas viagens, mas sempre no seu âmago.
Gostei muito, irei dosear com parcimónia os restantes livros que dele me faltam, na expectativa de que escreva bastantes nos anos vindouros.
Um abraço, em toda a sua amplitude, é o que nos deixa o José Luís neste livro.
...I hope this thing about the cat is made up. Wtf would you throw a stick at a cat that stole your kid's shitty plastic toy? Who cares about the toy! The cat is a living, feeling creature and if that stick had struck, it could cause serious damage.
Bloody hell, followed by a long "oh being a parent is the bees' knees" tirade. Maybe teach your kid a lesson that plastic toys are no excuse to harm an animal.
If I were this Chica lady, I'd gone mental on him as well.
Do. Not. Throw. Sticks. At. Cats.
And this may be just be, but I really, really, really hate it when parents like to go on about how they "know" their children will one day also have children. Sorry, but no. Maybe they will, maybe they won't.
As someone who is happily child-free, had my parents done this to me, they would not have liked the reply- let's just put it that way.
I just find it so invasive.
I mean, wondering about it is fine but this is not the first time the author uses the verb "know" to go on about how one day his kids will do this and that with their own kids...without, for a single moment, apparently occurring to him that his kids might not want kids, at all. Seriously, why is this not even something that crosses people's mind?
And Peixoto is not that old either...I could understand this in older generations when having kids was borderline mandatory but these days, seriously?
Este “Abraço” constrói-se, com uma década de crónicas publicadas no Jornal de Letras e na Revista Visão. “Abraço”, é um maravilhoso abraço entre a vida tão generosamente partilhada de José Luís Peixoto e as vidas que quisermos ter e ler. Abraços sobre a infância (seis anos), adolescência (catorze anos) e a vida adulta (trinta e seis anos), muito bem organizados e revistos. Abraços de palavras, de sentimentos, de vida, de sorrisos, de amor. "(...) espero que encontre um pouco daquela matéria que constitui os abraços". Não sei ao certo que matéria é essa, mas sei, que enquanto li este livro me senti muitas vezes abraçada… “Os livros, esses animais sem pernas, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós, não fazem uma pausa mínima na sua vigia, sentinelas até daquilo que não se vê. Desde as estantes ou pousados sem ordem sobre a mesa, os livros conseguem distinguir o que somos sem qualquer expressão porque eles sabem, eles existem sobretudo nesse nível transparente, nessa dimensão sussurrada. Os livros sabem mais do que nós mas, sem defesa, estão à nossa mercê. Podemos atirá-los à parede, podemos atirá-los ao ar, folhas a restolhar, ar, ar, e vê-los cair, duros e sérios, no chão” José Luís Peixoto.
Abraço é uma compilação de vários textos publicados entre 2001 e 2011. Sempre que leio qualquer texto dele tenho uma espécie de epifania: "é mesmo isto que eu penso e sinto por vezes e não consigo encontrar palavras para dizer". José Luís Peixoto encontra sempre as palavras e combina-as perfeitamente.
Foi uma bela surpresa, este abraço, depois de uma estreia muito pouco auspiciosa com este autor, há já muitos anos, com o Uma Casa na Escuridão. Não passei das primeiras páginas e se não fosse dar-se o caso de a minha mãe gostar muito deste autor, facto que me andava a deixar muito intrigada, o mais provável seria nunca mais lhe ter voltado a pegar. Pedi-lhe que me emprestasse um livro, ela trouxe-me três, e depois de muito hesitar, comecei por este. E digo comecei, porque gostei realmente da escrita do José Luís Peixoto, e decidi ler também os outros dois. Este livro é uma colectânea de textos de 4-5 páginas cada, organizados por ordem cronológica, que nos contam, numa prosa poética, episódios da infância, adolescência e idade adulta do autor. Nota-se que alguns são mais reais, outros evidentemente ficcionados, mas em qualquer dos casos sente-se uma grande honestidade naquilo que é escrito e vê-se que quem escreve tem um prazer evidente em o fazer, e, mesmo quando brinca com as palavras, consegue fazê-lo sem artifícios. Um belo abraço, sim senhor.
Um dos meus autores de culto, por isso tenho dito!
“Se te quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. (…) Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.“ (Excerto que me fez refletir dentro do contexto da crise atual.)
"Às vezes esqueço-me de que posso morrer todos os dias." (Às vezes tenho que me recordar que devo viver todos os dias.)
"Também é comum admirarem-se com o carácter definitivo das tatuagens, perguntarem-me se não tenho medo de me arrepender. Sorrio. Emociono-me com a inocência daqueles que não percebem que tudo é definitivo e deixa marcas."
Como fã incondicional que sou do trabalho do José Luís Peixoto, já tive oportunidade de ler trabalhos seus nas mais variadas vertentes: texto infantil, crónica, poesia, prosa e teatro. Não consigo escolher a que mais gostei porque todas me tocaram de uma forma especial e escolher o meu livro dele preferido também não me atrevo.
Há já algum tempo que acompanho as crónicas dele, adoro lê-las, adoro a forma como escreve, como se expressa, como cativa quem lê. Por isso, este livro foi uma lufada de ar fresco, levei dois meses a lê-lo. Não se podem ler crónicas como se lê um romance, sabe bem saborear a simplicidade destes textos, a emoção com que são escritos, sabe bem viajar, sabe bem sentir, sabe bem ouvir. Até chega a saber bem chorar porque ele toca intensamente.
Adorei este livro, adorei tê-lo na mesa-de-cabeceira este tempo para poder reflectir sobre ele. Adorei carregá-lo comigo para todo o lado.
É um autor português no seu melhor.
"Amar é um esforço intelectual"
Crónicas que guardei: "Debaixo da roupa estamos todos nus", "José", "Objectos que tenho em cima da mesa" e "Um escritor sem caneta"
Abraço é um extenso acervo de crónicas escritas por José Luís Peixoto para outros contextos como jornais e revistas. Algumas crónicas, tais como os romances do autor, são absolutamente cativantes. Outras tantas são “assim assim” e há ainda uma mão cheia delas que suspeito que foram escritas sob a pressão de cumprir um calendário editorial. Há talvez demasiadas "meta-crónicas" sobre o acto de escrever ou ser escritor, ou sobre ser pai, que não me prenderam por serem aborrecidas e algumas até mesmo irritantes. Acabam por fazer baixar a qualidade geral dum livro que também inclui crónicas muito marcantes e de uma beleza sublime.
Este livro teria beneficiado duma curadoria mais apertada, incluindo apenas as crónicas mais interessantes e relevantes em vez de ser praticamente um arquivo de todas as crónicas alguma vez escritas pelo autor. Desse modo, Abraço poderia ser sem dúvida um portfólio impecável das capacidades literárias de José Luís Peixoto.
Antes deste 'Abraço', apenas um outro livro deste autor não conseguiu cativar todos os meus sentidos. Lamento que se tenha tornado, por vezes, um bocado chato para mim. Demasiado apertado. Demasiado largo. Este 'Abraço', às vezes, foi monótono. Alguns dos temas foram fáceis, acolhedores, meigos, pacientes. Outros, nem tanto. Lamento não ter gostado tanto deste 'Abraço' do José Luís Peixoto, como gostei de tantos outros.
O Zé Luís escreve sem presunção. O Zé Luís sabe o que quer escrever e escreve-o com simplicidade. Faz-nos identificar com episódios que também nós passámos. Através dos seus relatos acerca de como é crescer numa aldeia, faz com que um Lisboeta de alma se ponha a analisar a sua própria adolescência. O Zé Luís parecia estar a escrever sobre mim próprio, principalmente quando escreveu sobre a sua adolescência punk e a sua vida nos Olivais. Muito bom mesmo!
Abraço é uma colectânea de cento e sessenta e duas crónicas escritas ao longo de dez anos e que marcam três fases distintas: os seis, os catorze e os trinta e seis anos da vida do autor. A sequência das crónicas que integram este livro foi sublimemente organizada. Tudo faz sentido. Assumimos o livro como um todo e não como uma colectânea de textos que foram publicados de forma avulsa em jornais e revistas.
Os textos apresentam uma escrita intimista, corajosa e aparentemente simples, já que o autor parte do banal, do quotidiano, por vezes, de uma palavra, de uma ideia, de uma emoção para olhar para dentro de si, para expor os seus segredos, as suas vivências pessoais e familiares, sobretudo com os filhos, os pais e a irmã, as suas viagens, o seu processo de criação, as suas leituras, os seus pensamentos, as suas vitórias. Falam da sua infância e adolescência no Alentejo; falam de livros, livrarias, escritores, de filmes e cinema, de objectos banais; falam de amor, da vida, da sua vida de forma desassombrada, intimista, sem filtros, e cativante.
À conta de tudo isto, há todo um processamento da memória, mas há também o registo presente, simultâneo, do vivido e do escrito e há ainda a interpelação directa ao leitor que, em muitos textos, participa quase espontaneamente como se ele próprio abraçasse a escrita. Interessante como a narração, a descrição de um facto banal se transforma em literatura, em prosa poética e o leitor fica suspenso nas palavras, nas frases, na beleza da história.
Este livro é um compêndio de abraços à vida, às palavras lidas e escritas, aos leitores, aos lugares. “Pureza, aceita esta palavra nos teus gestos, em cada uma das tuas palavras, e, aos poucos, chegará ou regressará aos teus pensamentos. (…) Não deixes que te armadilhem os cálculos e labirintos. São demasiado fáceis de construir. Quando mal entendidos, são máquinas de guerra. E, no entanto, não há palavras más. Perante a pureza, deus, só há palavras boas. (…) Pureza, repete. Tu tens direito à felicidade. Agora, vai. Tens a vida à espera de abraçar-te.” (pp. 653 a 655)
Depois de ler este Abraço, de José Luís Peixoto, oferecido como um abraço verdadeiro antes da minha cirurgia, sinto-me hoje uma pessoa muito mais rica. Ao longo de quase 600 páginas, percorremos mais de 170 crónicas publicadas em diversos meios, agora reescritas e organizadas de uma forma magistral, tão magistral que quase não nos apercebemos de que estamos perante uma compilação.
José Luís Peixoto abre-nos o seu coração e revela-nos os seus 36 anos de vida, de um modo comovente porque sem filtros. A primeira parte, «6 anos», é dominada pela infância, a sua, no Alentejo, mas também a dos filhos. A segunda parte, «14 anos», é dedicada sobretudo ao tempo da adolescência. A última, «36 anos», está ligada à idade adulta. Fala-se de palavras e da escrita, mas também da família e do corpo, da vida e da morte, de bichos e lanches, de aeroportos e hotéis, de feiras do livro sem caneta, de carros velhos e de cabines telefónicas.
Tudo com uma sequência perfeita, que retrata o escritor como uma pessoa por quem praticamente me apaixonei. Gostava de poder abraçá-lo.
Gostei muito do livro, das lembranças da infância, principalmente. Tem textos maravilhos. Faz-nos viajar para países através do seu olhar. Gosto muito de José Luís Peixoto, dos seus livros. Para mim, este livro só tem o senão de ser muito longo, tornando-se por vezes monótono.
Este Abraço de José Luís Peixoto é uma compilação de todos os seus textos publicados em revistas e outras publicações semelhantes no período de tempo de 2001 a 2011. Esta foi a minha primeira experiência com o autor e adorei! Tinha muita curiosidade em conhecer a escrita do Peixoto e excedeu as minhas expectativas, que eram altas. Neste livro ficamos a conhecer um pouco mais o José Luís uma vez que ele conta muitas situações da sua infância, adolescência e idade adulta, a sua forma de pensar e tudo o que sabe da vida. A princípio o livro pode parecer mais um livro de compilação de textos mas não é, todos os textos se vão interligando e o leitor é capaz de apreender algo sobre a vida e para a vida.
Recomendo! Vou querer ler mais, muito mais de José Luís Peixoto!
"Aos domingos, o sol entrava pelas janelas torrentes oblíquas de luz sobre os mosaicos do chão da cozinha. Sei hoje que a minha mãe era nova. A minha avó vinha visitar-nos. A minha avó estava viva. Era a minha avó. Não sei que idade tinha. Começamos a saber a idade das avós apenas mais tarde. Quando somos crianças sabemos que as mães são velhas porque são mães. As avós são as mães das mães. Sei hoje que a minha avó também era nova. Não conheci a minha avó mais nova do que naqueles dias."
1Abraço reúne um conjunto de textos que foram escritos por José Luis Peixoto em várias publicações, a maior parte no Jornal de Letras e na revista Visão. O livro divide-se em 3 fases distintas da vida do autor: 6 Anos em que nos descreve a sua infância, 14 Anos a sua Adolescência e 36 Anos, a vida adulta. O autor recorda, de forma autobiográfica, os momentos mais marcantes da sua vida, a infância e adolescência em Galveias, episódios com os pais, irmãs e avós, o nascimento dos 2 filhos, as viagens, os livros e o processo de escrita, , o fascínio pela literatura, as tatuagens e os piercings marcados na sua pele, a sua banda de “Hipocrondríacos”, a política, o punk que ainda existe dentro de si e acima de tudo, o amor. É um livro que nos faz refletir se estamos realmente a aproveitar a vida e se temos a coragem e persistência para realizar os nossos sonhos. «Se você quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficar calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. (…) Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos. (…) Nunca duvidamos de que somos maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.» Abraço é um terno abraço entre a vida do autor e um abraço de palavras, de amor e de vida.