“O Kosovo do Ricardo não é o mesmo país que encontramos nas notícias e nos títulos dos principais órgãos de comunicação ou nos relatórios e telegramas diplomáticos de Bruxelas, Nova Iorque, Moscovo e Washington.
Munido de lápis e câmara fotográfica, Ricardo vê para lá da superficialidade do estereótipo político, e capta a vida linda que as pessoas comuns levam no seu dia-a-dia.”
Ricardo Cabral (Lisboa, 1979) andou na Escola de Artes António Arroio e, em 2005, licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes em Lisboa, onde foi um dos fundadores do núcleo de BD-Blast. Em 2007 publica o seu primeiro álbum de BD "Evereste". Trabalha como ilustrador freelancer.
Adoro Ricardo cabral! Este é mais um livro que nos leva a viajar para outro país, dando a sensação que estamos a visitar o kosovo. Gosto imenso das ilustrações e da cor!
Em 2009, Ricardo Cabral (para quem não o conhece, é um fantástico ilustrador da nova geração) foi passar 10 dias ao Kosovo numa pesquisa para um livro de banda desenhada. Munido da sua máquina fotográfica e dos seus inseparáveis diários gráficos, aproveitou a oportunidade para registar tudo o que lhe passava pelos olhos.
Ao contrário do que estava à espera, viu pessoas novas e velhas a ter uma vida normal, a trabalhar e a divertir-se, viu pessoas tristes mas também outras muito felizes, viu em Pristina uma cidade ferida da guerra mas a querer curar-se.
No regresso, o projeto do livro de banda desenhada acabou por não se concretizar, mas Ricardo Cabral quis aproveitar os registos que tinha feito e partilhar a visão de um povo em renascimento. Este «NewBorn - 10 dias no Kosovo» é a sua homenagem. Tal como diz no prefácio o jornalista kosovar Agron Bajrami (que Ricardo conheceu durante esta viagem), «Ricardo vê para lá da superficialidade dos estereotipo político, e capta a vida linda que as pessoas levam no seu dia a dia».
O livro pode ser comprado aqui, tal como outros dois de Ricardo Cabral que ainda não tenho mas que não quero perder: «Israel sketchbook» e «Pontas soltas».
(disclaimer: tenho o "Israel Sketchbook", pelo que a leitura deste "Newborn" é um pouco "comparativa").
"Newborn", editado em 2010, tem, a meu ver, uma falha crítica que impede de se apreciar melhor a obra: não contém qualquer tipo de resumo ou explicação sobre o contexto histórico relativo ao Kosovo, Sérvia e Albânia. (Lido na altura provavelmente seria mais claro, pois os eventos na região seriam mais recentes, mas entretanto passaram 15 anos). Passados vários anos, essa omissão dificulta agora significativamente a leitura e interpretação da informação, diálogos e locais visitados. O mapa inicial só permite localizar o território do Kosovo, o que pouco adianta.
Quanto ao estilo gráfico, confesso que gostei mais do "Israel Sketchbook", que foi publicado no ano anterior (2009), pois parece ter sido melhor planeado e executado.
De facto, Ricardo Cabral, no Posfácio, revela que este livro quase não foi publicado, o que permite compreender melhor o estilo visual e gráfico mais "apressado", onde recorre até a 3 conjuntos de imagens repetidas, só com algumas variações.
Em suma, este "Newborn" é historicamente interessante, mas no geral recomendo mais o "Israel Sketchbook".
Após a leitura do "Israel Sketchbook", voltei a ler este, que havia comprado na Amadora BD em 2011 (com direito a autógrafo desenhado). O livro é um diário-gráfico da viagem do Ricardo Cabral ao Kosovo para um projecto que acabou por não se concretizar, mas resultou neste belo livro. O autor desenha o quotidiano, a vivência de um país que passou por uma guerra civil no final dos anos 90. A viagem foi feita em 2009 com a referência a muitas marcas dessa guerra mas também ao nascer de um novo país dos balcâs. O estilo de desenho colorido digitalmente tornou-se imagem de marca do Ricardo. Vale a pena folhear de tempos a tempos e descobrir novos detalhes.
Confesso de do Kosovo pouco ou nada conheço, tirando as imagens da guerra que, nos anos 90, passavam frequentemente na televisão, daí ser interessante ver a Pristina actual pelos olhos (e mãos) de outra pessoa, e descobrir que é uma cidade (e um país) que se está a reconstruir, que está a renascer. Em grande continua a arte do Ricardo Cabral, que me parece cada vez mais cuidada e que, com a ajuda de algumas montagens especiais, combinando desenhos e fotografias, salta mais uma vez à vista.