Marta cresceu em Évora, num tempo em que Salazar era Presidente do Conselho, e Portugal, um país de onde se fugia para não combater numa guerra sem fim à vista. Quando o Alentejo a viu partir, Marta era uma rapariga que sonhava ainda com o regresso do seu grande amor. Mais tarde, ao chegar a Lisboa, já estudante universitária, encontra uma sociedade em que a revolução crescia em segredo. Um povo envergonhado por uma ditadura, uma geração contestatária, uma revolução e a crença no amor são os ingredientes de Primavera Adiada, um hino à liberdade e à rebeldia. Reconhece este país?
CARLOS ADEMAR nasceu em Vinhais, em 1960. Licenciado em História pela Universidade Aberta e mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é investigador criminal na Secção de Homicídios da Polícia Judiciária (onde entrou em 1987), tendo colaborado, durante quase duas décadas, na investigação de alguns dos mais célebres crimes ocorridos na Grande Lisboa, como os que ficaram conhecidos pelos nomes de «Skinheads» e «O Estripador». É professor no Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
"Primavera Adiada" é, segundo aparece na capa, um livro sobre "a busca do amor num país onde era proibido ser feliz". Na prática, é o modo pomposo de apresentar a história de uma bela alentejana que se vê abandonada pelo namorado, forçado a exilar-se em França, de modo a fugir à guerra colonial. Desde a separação até ao reencontro passam-se dez anos, durante os quais Marta, a protagonista, se forma em Filosofia em Lisboa, chegando mesmo ao cargo de assistente na faculdade.
Temos, assim, dois potenciais bons ingredientes para um romance: uma história de amor interrompida pelo tempo (quase soa a ideia de Garcia Márquez), e o retrato do Portugal do estado novo. Para mais, Carlos Ademar é também o autor de "O Homem da Carbonária", um romance muito interessante passado nos tempos da primeira república.
Então, porque usei eu o termo "pomposo" ao referir-me à frase que a capa do livro ostenta? Simplesmente, porque o livro é uma desilusão.
Embora Carlos Ademar saiba escrever bem e com clareza, este "Primavera Adiada" teria merecido uma boa revisão na forma como foi engendrado. Se tudo começa com o namoro de Marta e Tomás, no jardim de Évora, cedo passamos para a vida de Marta em Lisboa, quando ingressa no curso de Filosofia. E é a partir daqui que tudo perde o rumo neste livro: as poucas personagens que aparecem são introduzidas "a martelo", com toda a sua história de vida, para, muitas vezes, não terem qualquer tipo de importância no desenrolar da ação. Além do mais, boa parte dessa mesma ação vai pouco além dos n namorados ou parceiros de ocasião da beldade alentejana. De resto, a protagonista deste livro não está bem conseguida: tanto tem um estilo de vida de quase-dondoca, como tem interesse moderado na política para, já no final do livro, em pleno PREC, aparecer como uma espécie de hiper-revolucionária... não houve qualquer coerência em interligar estas "fases". No que diz respeito a Tomás, encarna bem o humanista forçado a fugir para França mas, ao só reaparecer para fechar a história (e um pouco à toa, diga-se), acaba por se converter numa personagem que não o chega a ser.
E, já que referi a revolução e o PREC, é precisamente a parte histórica que salva este livro: ao longo das páginas, temos relatos bem conseguidos da vida no Portugal dos anos setenta e, em particular, da guerra do ultramar. Mesmo não estando escritos, ou descritos, da forma mais entusiasmante (afinal, o ritmo é quebrado pelas constantes histórias de vida de personagens pouco relevantes), são apontamentos que conferem algum interesse a este livro, ainda beneficiado pelas referências de cariz factual que o autor incluiu no final.
Em jeito de resumo, é um livro que partiu de uma boa ideia e enquadramento, mas que falha em tudo o que o poderia tornar especial.
Detestei a protagonista! Quer ser amada mas nada faz para tal... Casa-se porque sim e nunca respeita o marido... Não gostava dele o suficiente não se casasse!! E o facto de termos as histórias de milhentos personagens que passam pela vida de Marta para de seguida sairem faz pensar em "enchimento do chouriço" por parte do autor só para ter mais páginas no livro.
Se dou 2 estrelas ao livro é apenas e só pelo contexto histórico em que se enquadra.
Gostei imenso do Homem da Cabonária mas não posso dizer o mesmo deste. Foi uma desilusão.
2,5* Lido para um desafio, comecei com muito entusiasmo porque a estória se passa nos anos setenta, no Portugal do estado novo e retrata a sociedade da altura na pessoa de 2 jovens, Tomás e Marta. Só que num estadio intermédio da estória a narrativa passa só a ser de Marta e todo o enredo passa um bocado por encher páginas. Vale pelo contexto histórico em que se enquadra
2,5* Lido para um desafio, comecei com muito entusiasmo porque a estória se passa nos anos setenta, no Portugal do estado novo e retrata a sociedade da altura na pessoa de 2 jovens, Tomás e Marta. Só que num estadio intermédio da estória a narrativa passa só a ser de Marta e todo o enredo passa um bocado por encher páginas. Vale pelo contexto histórico em que se enquadra