Filósofo do direito e jurista francês Léon Duguit (1859-1928) foi colega de Émile Durkheim tendo se graduado e obtido o doutorado na Faculdade de Direito de Bordéus. Fez a crítica das idéias jurídicas tradicionais e sua obra repercutiu grandemente no direito público. Segundo suas teses os seres humanos são animais sociais que possuem um senso universal ou instinto de solidariedade e interdependência do qual decorrem o reconhecimento de respeito a determinadas regras de conduta fundamentais para a vida social.[...]
O livro Fundamentos do Direito contribui para entender um pouco da contribuição de Duguit para o direito público, especialmente para o direito administrativo.
Alguns excertos e considerações:
"A sociedade apresenta-se tanto mais forte quanto mais estreitos forem os laços de solidariedade entre seus integrantes" (p.37)
Interessante é que Duguit diz que a ação governamental invariavelmente produz a mesma ilusão e apenas alguns momentos de progresso. "Direito divino, vontade social, soberania nacional, todos constituem doutrinas estabelecidas sobre sofismas com que os governantes iludem as pessoas e também a si mesmos. Sem dúvida, essas concepções, em determinados contextos, representam momentos significativos, refletindo-se em movimentos sociais decisivos" (p.74)
A presença dos costumes, que ele chamada de "regra consuetudinária", é mais "sutil" do que supunha e aparece em situações as quais não havia pensado. Assim diz: "[...]o costume não constitui um modo de criação de direito, mas um meio de verificação" [...] "O costume pode ser identificado de diversas maneiras. Em relações privadas, aparece sobretudo juridicamente nas convenções das partes, nas cláusulas contratuais chamadas de estilo e também nas decisões, nas declarações formuladas, nas práticas estabelecidas durante certo tempo, por governantes ou seus representantes". (p.94)
Digno de nota é o convite da editora Martin Claret na nota promocional da edição: "O livro muda as pessoas. Revolucione-se: leia mais para ser mais!"