Uma escrava muda conta um segredo guardado durante 200 anos; um escravo apaixona-se por quem não deve; uma carioca leva um português a descobrir as delícias do sexo; um cientista judeu a quem são confiados dois livros raros naufraga nas ilhas Malvinas. Estas são algumas das personagens deste romance, que narra a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, um bibliotecário hipocondríaco que, em 1811, atravessa o Atlântico rumo ao Brasil acompanhado por 76 caixotes cujo conteúdo era verdadeiramente precioso; no seu interior seguia a Real Biblioteca do Palácio de Ajuda, inicialmente esquecida no cais de Belém aquando da saída apressada da Corte portuguesa para o Brasil em 1808.
CRISTINA KACE NORTON nasceu a 28 de Fevereiro de 1948, em Buenos Aires, Argentina. Reside há mais de 30 anos em Portugal e optou pela nacionalidade portuguesa. Fez vários cursos de línguas e literatura. Está publicada no Brasil e no Chile. A sua obra engloba a poesia, o romance e o conto, da qual destacamos os livros O Afinador de Pianos, O Lázaro do Porto, Os Mecanismos da Escrita Criativa, O Segredo da Bastarda, O Barco de Chocolate – contos infantis, Prémio Adolfo Simões Müller, 2002; em 2.ª edição, com ilustrações de Danuta Wojciechowska – A Casa do Sal e agora O Guardião de Livros. Trabalha, desde 1998, em oficinas de escrita criativa dando, com o seu método, cursos de formação a professores, organizados pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, pela Fundação Calouste Gulbenkian e por outras instituições.
Achei que é fácil de ler, tem algum conteúdo muito interessante mas em termos de enredo não foi lá muito bem conseguido. Assumindo que é este o estilo da autora, não é que seja mau, mas tão depressa tem um narrador, como outro, primeira pessoa, terceira pessoa e não vejo por que razão foi necessário fazer mudanças na "voz", visto que a história não tem grande mistério e este estilo não nos dá nenhuma pista especial sobre o que estamos a ler.
Para mim, valeu pelos dados históricos acerca da ida da Corte para o Brasil e pelas inúmeras características desse tempo e de personagens reais que foram incluídas aqui. Gostei de alguns aspectos, é verdade. Penso que, resumindo, esta é a história de alguém que existiu, cuja vida a autora investigou mas a que também obviamente adicionou algumas coisas ficcionadas para melhor nos entreter. Em termos de romance/enredo, não achei incrível. Em termos de misturar ficção com dados históricos, até foi bem interessante saber algo sobre como era a vida naqueles tempos.
O Guardião de Livros, de Cristina Norton, @leya_portugal
Yey finalmente terminei... estava a ler isto desde 26 de setembro....
Em primeiro: o título engana! A personagem principal trabalhava para a biblioteca real e gostava de livros. Guardião? Não me parece. Depois quem fez a sinopse deve ter bebido algo forte porque pensei sempre que seria um livro diferente. "Uma escrava muda conta um segredo guardado por 200 anos" - não, a escrava sabe do segredo que é revelado a meio do livro.. É que andei o livro à espera do "segredo"... oh pah, tanta coisa que falhou. Parte boa: lá aprendi mais um bocadinho de História.... Preciso mesmo de um livro que me anime!
Leitura interessante para quem gosta de livros históricos, mas demora a desenvolver a historia, apesar de melhorar no final demorei para avançar na leitura.
Um bom romance histórico. Com destaques interessantes da sociedade carioca durante o Brasil Colônia. Fácil de ler e com personagens com todos os erros e acertos característicos dos humanos, sem pintar o protagonista como bom moço nem ter vilão da história.
O livro é uma interessante crônica da vida de um português expatriado no Rio de Janeiro em decorrência da fuga da família real portuguesa no início de século XIX.
Quando vi o passatempo deste livro no blog Esmiuça o Livro (http://esmiucaolivro.blog.com/) e como a sinopse me deixou com "a pulga atrás da orelha", resolvi participar, tendo tido a sorte de ter sido uma das felizes contempladas.
A sinopse promete-nos um segredo guardado pela escrava muda, um amor proibido de um escravo, um português que se apaixona por uma carioca e um judeu que naufraga, e são estes os ingredientes que nos levam a suspeitar de grandes aventuras e mistérios.
A história gira sobre a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, um jovem português que vive com a família - pais, irmãs e tia - em Belém. Acompanhamos o dia-a-dia de Luís, que é bibliotecário na Biblioteca do Palácio da Ajuda, e da sua família, tendo desta forma pequenos relatos sobre as invasões francesas a Portugal. É por temer a invasão francesa que a Família Real decide fugir para o Brasil, sendo que ordena que os livros que se encontram na Real Biblioteca sejam empacotados e enviados para o Brasil. E quem é designado para velar por parte desta preciosa carga? Claro que Luís Marrocos. Assim começa um relato por parte de Luís, quer sobre a viagem, quer sobre a vida no Brasil e as diferenças com Portugal. Para além de acompanharmos a vida de Luís, quer a respeito do seu trabalho, quer na sua vida pessoal, temos ainda alguns detalhes sobre a Corte, com as coscuvilhices e jogos políticos que surgiam. O ponto principal do livro é a vida de Luís, mas apesar de serem poucos, gostei das partes em que "aparecia" a Família Real. Um ponto menos positivo na minha opinião foi a troca de narrador em determinados capítulos. Apesar de na grande maioria os capítulos serem narrados por Luís, temos alguns cuja narração cabe à escrava muda Gracinha e ao escravo Manuel. Já não contando com os capítulos em que Luís ainda está em Lisboa e cuja história deixa de ser contada na primeira pessoa. Este foi o ponto que gostei menos, pois teria preferido que a história tivesse sido contada a uma só voz ou então um narrador externo à história.
Como curiosidade quero mencionar que Luís Marrocos existiu na realidade, sendo a sua partida para o Brasil e o seu casamento com Ana detalhes reais, basta procurarem no Google ;-)
Seria 2.5... A primeira parte do livro, fala sobre a invasão napoleonica, é monotona. A segunda parte, a partida de Marrocos para o Brasil, é um pouco mais interessante mas não basta para fazer um bom livro.