#bookreview | como se desenha uma casa – manuel antónio pina.
após a leitura do livro infantil “o pássaro da cabeça e mais versos para crianças” soube que tinha que voltar a manuel antónio pina, para descobrir a sua poesia para “gente grande”.
tive um impulso quando a marta @desassossego partilhou partes deste livro. comprei-o em segunda mão e, mais uma vez, embrenhei-me neste mundo da poesia.
para mim, continua a ser como um universo paralelo. por vezes, sinto que não nos situamos na mesma linha temporal ou sei lá bem como explicar isto. foi um pouco assim que me senti ao ler “como se desenha uma casa”: ora encontro-me na poesia como se ambas estivéssemos na mesma realidade, ora divergimos e eu sinto-me perdida.
como o autor refere numa entrevista, este é, claramente, um livro com uma simbologia: a simbologia da casa, que abarca um simbolismo maternal, que nos direciona quer para a proteção, quer para o excesso da mesma, ou seja, a castração.
este livro é um conjunto de poemas escritos sem a intencionalidade do tema, mas que pina achou por bem, mais tarde, juntar. dividiu-o, então, eu duas partes: “ruínas”, com a simbologia da casa bem presente, e “amigos e outras moradas”, com poemas sobre/para amigos, porque, como diz pina – de forma tão bonita –, “a amizade é, também, um domicílio”, “é o único porto de abrigo que nos resta”.
ainda retive mais algumas coisas bonitas que o autor disse (adorei ouvi-lo!), e fez-me sentir, de certa forma, em paz com as minhas várias relações com a poesia. e, para além disso, de certa forma, ensinou-me a relativizar as leituras que faço dela. disse que nem sempre percebe aquilo que escreve, mas que o mais importante é sentir que é verdade. e desconfia, até, dos versos que percebe inteiramente.
não adorei o livro como um todo, mas gostei muito de alguns poemas. a beleza de muitos versos conquistou partes de mim. sobretudo, sinto-me bem com esta descoberta.
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livro lido para a iniciativa #primaverapoética da carolina @singularidade.dos.livros e da sofia @ensaiosobreodesassossego 🌷