Um diário foi escrito. Catherine Aragon, numa atitude desesperada, escreve suas recordações em busca de socorro. Somente dez anos depois suas palavras foram ouvidas por um renomado cientista. Ethan Stuart, um homem com pouco carisma, toma as rédeas da situação para tentar ajudá-la.
Ele contará com a ajuda de personagens suspeitos: o exótico Leon Saiter, um alcoólatra sem muita perspectiva que arriscará a própria vida para obter êxito na resolução do caso e a interessante Anabelle, que vive um dilema dentro de si onde questionará suas verdades e seus valores.
A tríade investigadora conclui a soma dos catetos, tornando Chantilly um dos desafios mais intrigantes do seu viver.
Mergulhe nesta aventura, em um ambiente noir, repleta de mistérios a serem desvendados numa cidade onde as pessoas perderam as lembranças.
Mare Soares nasceu no Rio de Janeiro em Setembro de 1991. É graduanda de Mídia na Universidade Federal Fluminense e ex-estudante de letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Amante de livros, seriados e filmes Hollywoodianos, não necessariamente nessa ordem, iniciou a carreira como escritora em 2010, ao publicar o primeiro título de sua trilogia, Chantilly, de forma independente. Suas principais influências são: o cineasta Woody Allen, filmes noir, preferencialmente com a Rita Hayworth, o seriado Lost e autores como George Orwell, Aldous Huxley e Jostein Gaarder. Atualmente está trabalhando em Copenhague, segundo volume da trilogia Chantilly e possui vários outros projetos em mente.
Avilly e Chantilly são duas cidades do interior da França que tem em comum um estranho surto ocorrido em 2020 que culminou na degradação de ambas as cidades. Em 2020 ambas as cidades foram acometidas por uma estranha doença que além de afetar a memória dos moradores também provocou a morte de muitas pessoas. Catherine de Aragon, moradora de Chantilly, aterrorizada pela perda da memória iminente decide começar um diário narrando à situação vivida por ela e implorando para quem encontrar suas anotações no futuro, tente descobrir a causa para o que está acontecendo hoje e que se ainda for possível encontrar uma solução que os ajude.
É este diário, que dez anos depois cai nas mãos de Ethan Stuart, um cientista que está muito interessado em desvendar os misteriosos fatos envolvendo as cidades. E através de cartas trocadas entre Ethan e Catherine, que parece estar se recuperando dos danos causados pela doença, o interesse do pesquisador só aumenta e ele decide começar uma investigação por conta própria. E como todo Sherlock tem seu Watson, Leon Saiter, um antigo morador de Chantilly com um baita pendor para o alcoolismo, é escalado para o papel. É assim que ambos acabam indo parar na França, conhecem a misteriosa Anabelle e começam a descobrir mais sobre o misterioso acontecimento que ao que parece não foi por causas naturais, mas fruto de um experimento que pode ter envolvido até o governo francês.
A parte inicial da história é composta pelo diário de Catherine e pela troca de missivas entre Catherine e Ethan e entre este e Leon. E, apesar da utilização de cartas (em pleno 2030) ter sido proposital, como confirmado pela autora, não consegui ver uma razão palpável para tal uso. A escolha do meio de comunicação e o ar quase vitoriano (ainda que ela tenha tentado deixá-lo noir) da história nos faz pensar por que ela escolheu contar sua história tão no futuro. Seria muito mais coerente se os fatos ocorressem nos dias atuais ou mesmo em um passado recente. O que, é bom frisar, não impossibilitaria a possibilidade do uso de experimentos genéticos como apregoado por Ethan.
A premissa era interessante, o preço estava convidativo e, apesar das resenhas que li, eu estava curiosa para tirar minhas próprias conclusões. Então, assim o fiz e em um dia devorei Chantilly.
O tamanho do livro ajuda para que a leitura não se estenda muito, mas a narração não ficou tão bem dividida. O começo foi relativamente bem conduzido, mas conforme as páginas passavam tive a impressão de que as coisas aconteciam cada vez mais rápido e com explicações insuficientes. Entendo que por ter continuação a história deva deixar um gancho, porém há muitos questionamentos que são levantados neste volume, sem que nada seja respondido ao final, o que realmente poderá incomodar o leitor.
Além disso, não consegui me identificar ou cativar por nenhum dos personagens. Talvez, se explorados mais a fundo, pudessem ganhar outra dimensão, mas da forma como foram apresentados, não achei possível me relacionar ou torcer por eles. Se fosse um roteiro de filme — como a autora confessa ter sido sua pretensão inicial — talvez pudesse funcionar, por ser tratar de algo que realmente necessita de uma abordagem mais rápida. Porém, para um livro, precisava de uma base mais forte e elaborada, dissecando melhor as histórias e passados dos personagens, explicando determinados atos e traços de suas personalidades.
Não me entendam mal, ainda acho que a ideia central é brilhante. Mas vejo o livro como um diamante bruto que não foi lapidado da melhor forma. Quero ler a continuação, pois espero sinceramente que as impressões iniciais sejam dissolvidas e que cheguemos àquela sensação de "era isso que estávamos esperando". Acredito no potencial da história e lamento que o começo tenha sido um pouco decepcionante, ficado aquém das minhas expectativas. Infelizmente, por enquanto ainda não seria um livro que eu recomendaria.
CHANTILLY é o primeiro livro de uma trilogia e retrata uma cidade francesa praticamente devastada por um estranho acontecimento, onde as pessoas perderam a memória gradativamente. Há uma ligação genética com o ocorrido.
Num primeiro momento, algumas pessoas, dez anos depois do ocorrido, tentam desvendar o que aconteceu. A trama se encaixa no gênero policial, mas não apresenta os elementos clássicos. Creio que nos dois livros seguintes o enredo tome uma forma mais aprofundada de investigação, que caracteriza esse gênero. Por enquanto, os relatos estão superficiais.
Propositadamente, como pude constatar ao final do livro, utilizam-se cartas para a correspondência entre as personagens. Até aí tudo bem, mas a trama se passa no ano de 2030, quando certamente esse tipo de correspondência estará em desuso. Esse detalhe não desmerece a obra. É apenas uma curiosidade que cito.
Para quem curte algo envolvendo mistério, recomendo esse livro. Que venham os dois próximos volumes.