Quarenta autores, quarenta contos, duzentos anos da melhor prosa russa reunida em um único volume. Organizada por Bruno Barretto Gomide, professor da Universidade de São Paulo, esta antologia — a primeira no país inteiramente traduzida do russo e composta quase só de obras inéditas em português — apresenta ao leitor um rico panorama da literatura russa ao longo da história, iniciando-se em fins do século XVIII, com Nikolai Karamzin, e chegando até nossos dias, com Serguei Dovlátov, Liudmila Petruchévskaia, Tatiana Tolstaia e Vladímir Sorókin. Entre esses dois extremos, estão presentes todos os grandes nomes, como Púchkin, Gógol, Dostoiévski, Turguêniev, Tchekhov, Tolstói, Górki, Pasternak, Bábel e Nabókov, mas também vários outros menos conhecidos, porém igualmente importantes — Gárchin, Odóievski, Saltikov-Schedrin, Katáiev, Grin, Chalámov, Kharms, Platónov —, alguns deles nunca antes publicados no Brasil. (Veja aqui a lista completa dos contos reunidos.) Para além dos grandiosos romances de Tolstói e Dostoiévski que, com seus debates de questões morais e existenciais, consagraram a literatura do país em todo o mundo, esta antologia vem mostrar que, na arte do conto, tanto em número como em qualidade — e abarcando uma diversidade de tons e temas —, os russos são igualmente magistrais.
Traduções de Arlete Cavaliere, Aurora Fornoni Bernardini, Boris Schnaiderman, Cecília Rosas, Daniela Mountian, Denise Sales, Fátima Bianchi, Graziela Schneider, Lucas Simone, Mário Ramos, Moissei Mountian, Natalia Marcelli de Carvalho, Nivaldo dos Santos, Noé Silva e Yulia Mikaelyan.
Bruno Barretto Gomide nasceu no Rio de Janeiro em 1972. É doutor pela Unicamp, com estágio de doutorado CAPES na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Realizou cursos nas Universidades de Illinois, Indiana, Cambridge e Linguística de Moscou. Desde 2005 é professor de literatura russa na USP, e atualmente coordena a pós-graduação da área. Foi pesquisador-visitante no Instituto Górki de Literatura Mundial, em Moscou (com apoio da FAPESP). É o organizador do GT de Literatura Russa da ABRALIC. Tem publicado artigos em periódicos internacionais (como o Tolstoy Studies Journal e o Vopróssi Literaturi) e participado dos principais congressos de eslavística. Publicou o livro Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936) pela Edusp, fruto de sua tese de doutorado (menção honrosa no prêmio de teses da CAPES no triênio 2004-2007).
De um conto romântico de fins do século XVIII, com Karamzin, até o surto (interessantíssimo, mas como mais colocar?) de Sorókin de 1998, esse livro me cativou inteiramente. Dentre as (duas) coletâneas de contos russos que li essa é certamente a melhor. A outra, também da Editora 34, pega apenas alguns contos clássicos dos principais (mais famosos) autores russos. É realmente ótima, mas essa "Nova Antologia" é algo a mais... Não são só os contos, mas a antologia em si... Ela não funciona apenas como uma mera coleção de contos, mas como uma narrativa excelente por dois séculos da mais brilhante literatura russa. As traduções são excelentes e, dentre os contos, não há um único ruim. Um ou outro tocam menos, é claro, mas a imensa maioria é foda.
Seja pela novidade, pelo sentimento, pela imersão, pelo humor, pelas palavras milimetricamente colocadas, pelos questionamentos filosóficos, pelo amor, pelo sexo, pela inovação estética ou simplesmente pelo cenário, todos esses contos têm o seu lugar. Foi um escape, foi uma reflexão enorme que será retomada algum dia. Foi uma viagem incrível que não esquecerei.
Eu comecei a ler esse livro na primeira semana de janeiro deste ano (2024) e me comprometi que iria lê-lo com bastante calma e tentando me aprofundar o máximo possível nessa jornada. Estou terminando ele hoje, 25/10/2024, mais de 10 meses depois e me faltam palavras para descrever o quão complexa, profunda e cultural foi essa leitura.
É impossível conseguir compreender totalmente esse povo milenar viajando por quarenta autores que englobam cerca de 200 anos de historia. A experiência foi avassaladora em muitos momentos e extremamente difícil em outros.
A cada livro lido me apaixono mais por literatura russa e vou ser sempre grato por ter tido a oportunidade de carregar esses gênios da humanidade na mão. Com certeza uma vida antes e depois desse livro.
“… e quanto ao homem matutar sobre o homem, tudo é permitido.”
Um belíssimo trabalho da editora 34 em prol da literatura russa no Brasil. Essa antologia foi organizada por Bruno Gomide e conta com o trabalho de 15 tradutores. São 40 contos russos, de 40 escritores diferentes, que abarcam duzentos anos de literatura russa, do período de 1792 a 1998. E se eu tenho um receio com antologias (sempre acho que não pegam os melhores de cada autor kkk), posso dizer que fui surpreendida com as escolhas. Gostei da maioria dos contos.
Acho uma oportunidade única estar em contato com tantos autores novos em um único livro, anotei muitos nomes para procurar e ler sus outras obras.
Sem dúvidas, meu conto preferido é O Sonho de Makar, do Vladímir Korolienko!! Lindo, espirituoso e...russo.
Foi meu primeiro contato com a literatura russa, tive que ler o conto Depois do Baile pra faculdade e acabei decidindo ler o livro todo. Dos 40 contos só gostei de 6, então pode-se dizer que não amei, mas foi interessante conhecer um pouco desses autores que provavelmente nunca teria lido nada sobre. Gosto de como a antologia trouxe diversos autores e de diferentes épocas. Gostei muito de 6 contos presentes nessa antologia: Quatro dias, Luz e sombras, Depois do baile, Um dia humano, Insolação e Conexão. Acho que vale a leitura, mas não se force a ler tudo igual eu fiz kkkk
Comecei com um pouco de má vontade porque logo no segundo conto topei com dois erros bem grosseiros de revisão (coisas do tipo "ele começou tirar o casaco"), mas terminei com vontade de mandar uma carta para a editora parabenizando o organizador. Um conto melhor do que o outro. Tinha planejado ler um por dia, mas foi impossível, era tão bom que sempre acabavam indo uns dois ou três. Meu preferido: "O Sonho de Makar" de um tal de Vladimir Korolenko. Anotando aqui pra ir atrás de mais coisas dele.
1) Isaac Babel - Guy de Maupassant (1932) 2) Konstantin Paustóvski - Neve (1943) 3) Anton Tchekhov - Ariadne (1895) 4) Aleksandr Pushkin - Viagem a Arzrum (1836) 5) Vladímir Sorókin - Um mês em Dachau (1998) 6) Ivan Turguêniev - Relíquia Viva (1852) 7) Vsiévolod Gárchin - Quatro dias (1877) 8) Vladímir Odóieski - A Sílfide (1837) 9)Varlam Chalámov - Xerez (1958) 10) Vladímir Nabokov - Primavera em Fialta (1936)
Não li todos os contos, mas muitos deles, em especial os mais clássicos, a começar por Tolstói, alem dos de Kafka e Turgueniev me agradaram sobremaneira. Já os mais recentes não me pegaram, com raras exceções, como Chukchin. Como a maior parte das Antologias, é bom ler aos poucos e espaçadamente. Vale a pena ler!
Alguns contos são de fato antológicos, como o que claramente inspirou o Auto da Compadecida. Mas confesso que os contos selecionados dos escritores gigantes, como Dostoievsky e Tolstoi, deixam a desejar.
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Olha, tem uns contos perfeitos, sublimes e incríveis, tem os contos (em bom número) de guerra que são ok. Tem uns meio mágicos é tão tristes que parecem a vida real. Tem uns que não entendi nada. E é isso.